Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

domingo, 30 de junho de 2013

Mensagem de Eurípedes Barsanulfo sobre a atual situação do Brasil.




Irmãos queridos

Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face
a essa onda de pessimismo que toma conta dos
brasileiros, frente aos embates que o país atravessa, nós,
os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa
mensagem de fé, de coragem e de estímulo. Estamos
irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão
sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil.
Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra,
a fim de que maior número de médiuns possa captá-la.
Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará
a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a
gradação que lhe forem peculiares.
Estamos convidando todos os espíritas para se engajarem
nesta campanha. Há urgente necessidade de que a fé, a
esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda
de pessimismo, de descrédito e de desalento é tão grande
que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e
aspirando realizar algo de construtivo e útil para o país,
em qualquer nível, veem-se tolhidos em seus propósitos,
sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras
quase intransponíveis.
É preciso modificar esse clima espiritual. É imperioso que
o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos
de nossa nação, varra para longe os miasmas do
desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e
espaços para que brilhe a luz da esperança. Somente
através de esperança conseguiremos, de novo,
arregimentar as forças de nosso povo sofrido e cansado.
Os espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento.
Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir
ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé! Ah! a fé no
nosso futuro! A certeza de que estamos destinados a uma
nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa
vacilação, a nossa incúria podem retardar.
Responsabilidade nossa. Tarefa nossa. Estamos cientes de
tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus
de perigo inimaginável.
O desânimo e seus companheiros, o desalento, a
descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e
contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os
grupos, a própria comunidade. São como o cupim a
corroer, no silêncio, as estruturas. Não raras vezes,
insuflado por mentes em desalinho, por inimigos do
progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se
alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da
luta. Diante desse quadro de forças negativas, tornam-se
muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos
espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado
geral.
Que cada Centro, cada grupo, cada reunião promova nossa
campanha. Que haja uma renovação dessa psicosfera
sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas
pelas provações, encontrem em nossas Casas um clima de
paz, de otimismo e de esperança! Que vocês levem a
nossa palavra a toda parte. Aqueles que possam fazê-lo,
transmitam-na através dos meios de comunicação.
Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas
forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso
país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.
São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a
acreditar em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade.
São essas forças que o levam a crer e lutar por um futuro
melhor. Meus irmãos, o mundo não é uma nau à matroca.
Nós sabemos que “Jesus está no leme!” e que não iremos
soçobrar. Basta de dúvidas e incertezas que somente
retardam o avanço e prejudicam o trabalho.Sejamos
solidários, sim, com a dor de nosso próximo. Façamos por
ele o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever
indeclinável de fazê-lo, sobretudo transmitindo o
esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas
também, que a solidariedade exista em nossas fileiras,
para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e
confiantes na preparação do futuro de paz por todos
almejado. E não esqueçamos de que, se o Brasil “é o
coração do mundo”, somente será a “pátria do Evangelho”
se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido por cada
um de nós”.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Prática Mediúnica Resolve os Problemas do Médium?


“Não há desenvolvimento mediúnico, para reallzações sólidas, sem o aprimoramento da individualidade mediúnica.”
Seara dos Médiuns – capítulo 41 Formação Mediúnica – Emmanuell / Francisco Cândido Xavier


Mediunidade é uma bela oportunidade de crescimento e aprendizado. Vê-la como uma prova imposta em função de dívidas do passado é cultivar uma visão doentia de algo que, em verdade, é uma benção, um tesouro. Não é a mediunidade que é o problema, mas o médium.
É comum ouvirmos a expressão: “estou com problemas mediúnicos.” Ninguém tem problemas mediúnicos, temos problemas morais e emocionais que são refletidos no exercício da mediunidade. A mediunidade é uma força neutra e sua aplicação é que toma um colorido moral inerente ao médium. Existem problemas psicológicos e não mediúnicos.
Com muita freqüência, em centros espíritas e espiritualistas, é passada a orientação que aponta o desenvolvimento mediúnico como solução para os problemas de ordem pessoal. A frase mais corriqueira sobre o assunto é: “você precisa desenvolver”.
Foram muitas as pessoas que já me procuraram com os mais variados problemas e foram orientadas em algum lugar da seguinte forma: “enquanto você não for para a mesa de trabalhos da mediunidade, você não resolverá isso, sua vida ficará travada.” Parece-me mesmo que, por conta dessa cultura de “desenvolvimento mediúnico”, uma boa parte dos trabalhadores espíritas que freqüentam reuniões mediúnicas, foi inserida nas atividades com esse propósito: resolver suas dores pessoais. Além disso, é muito freqüente alguém dizer que ainda não procurou o centro espírita relacionando sua busca a “cuidar da mediunidade que está paralisada”, como se esse fosse o grande objetivo do centro e do Espiritismo.
Sem dúvida alguma, a tarefa mediúnica traz benefícios à vida interior, mas daí a afirmar que a solução de nossas lutas pessoais possa ser integralmente resolvida dessa forma é um equivoco. A prova disso é que todas as questões morais e emocionais do médium que constituem as raízes dos conflitos e desafios, continuam a existir depois de sua adesão aos serviços da mediunidade. O que acontece é uma amenização, um abrandamento dos estados íntimos de dor e seus reflexos na vida mental. Inegavelmente o médium, antes perturbado e confuso, alcança um alívio significativo com a prática mediúnica, por vários motivos.
O exercício da mediunidade, porém, não exime o médium de realizar sua educação emocional e moral, que só pode ser construída nos embates da convivência dia após dia. Somente com uma ação de enfrentamento através do autoconhecimento com consequente mudança de comportamento, poderemos estabelecer conquistas reais para nossa paz interior. É necessária muita honestidade emocional, amor a si mesmo e esforço perseverante para alcançar esse objetivo.
Alguns trabalhadores sinceros da mediunidade chegam a observar que o exercício não lhes suprime a pressão das lutas íntimas. Ainda assim são levados a acreditar em uma cultura religiosa de miséria interior, adotando a dor como caminho de salvação em função de seu suposto passado reencarnatório repleto de más ações ou devido a severas interferências espirituais.
Aliás, sobre esse assunto, parece mesmo que temos uma conduta de alcance coletivo e com poucas exceções em nossa comunidade. Alastrou-se uma evidente confusão entre estar comprometido com uma tarefa espírita e a solução de assuntos espirituais. Participar de tarefas doutrinárias parece ter tomado uma importância superdimensionada em relação à nossa libertação consciencial, como se pelo simples fato de estar engajado em uma obra social, em uma atividade socorrista ou quaisquer outras iniciativas espíritas, por si só, significasse progresso espiritual, solução de velhas pendências, quitação perante nossos compromissos conscienciais ou ainda melhoria moral. Estamos confundindo ação doutrinária com evolução espiritual, e isso nem sempre acontece.
A tarefa espírita é extremamente importante, mas não liberta ninguém por apenas se comprometer com ela. Ninguém fica isento do árduo trabalho de reeducação das velhas tendências e isso só é possível através de um movimento consciente e individual de enfrentamento, autoconhecimento, mudança de condutas e também de participação em tarefas que nos auxiliem, de fato, a melhorar os aspectos sombrios de nossa personalidade.
Outros médiuns começam a questionar sobre os benefícios íntimos que não aparecem imediatamente após sua adesão à prática mediúnica e tombam na precipitação, na insegurança e logo abandonam tudo nos primeiros passos. Esperavam que a tarefa lhes suprimisse o esforço pessoal de transformação.
Conheço médiuns que estão a algumas décadas na tarefa da mediunidade e apenas amenizaram suas lutas íntimas. Algo que deve ser considerado como muito bom, pois se não se aderissem à disciplina da frequência e da assiduidade, poderiam ter um volume de amarguras ainda maiores. Nada impede também de argumentarmos que a tarefa em si não está adequada às necessidades de uma ou outra pessoa. Com tantas orientações imprecisas embasadas na cultura de “desenvolver mediunidade”, inegavelmente um contingente de pessoas se ajustou ao exercício da mediunidade sem quaisquer compromissos previamente projetados no mundo espiritual ou ainda sem foco nas suas necessidades mais essenciais de aprimoramento.
Ficamos assim com essas considerações apenas para que tenhamos algo sobre o que dialogar em grupos de estudo e reflexão. Nada conclusivo, nada fechado! Apenas algumas idéias para uma discussão que me parece muito profícua: prática mediúnica resolve os problemas do médium?






quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ação dos Espíritos Sobre a Matéria - Assista o Vídeo

  

52. Excluída a interpretação materialista, ao mesmo tempo rejeitada pela razão e pelos fatos, resta apenas saber se a alma, após a morte, pode manifestar-se aos vivos. Assim reduzida à sua mais simples expressão, torna-se a questão bastante fácil. Poderíamos perguntar, primeiro, por que motivo os seres inteligentes, que de alguma maneira vivem entre nós, embora naturalmente invisíveis, não poderiam demonstrar-nos a sua presença por algum meio. O simples raciocínio mostra que isto nada tem de impossível, o que já é alguma coisa. Essa crença, aliás, tem a seu favor a aceitação de todos os povos, pois a encontramos em toda parte e em todas as épocas. Ora, uma intuição não poderia ser tão generalizada, nem sobreviver através dos tempos, sem ter alguma razão. Ela é ainda sancionada pelo testemunho dos livros sagrados e dos Pais da Igreja, e foi necessário o ceticismo e o materialismo do nosso século para relegá-la ao campo das superstições. Se estivermos, pois, em erro, essas autoridades também estão.

Mas estas são apenas considerações lógicas. Uma causa, acima de tudo, contribui para fortalecer a dúvida, numa época tão positiva como a nossa, em que tudo se quer conhecer, onde se quer saber o porquê e o como de todas as coisas: a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais podem manifestar-se. Conquistado esse conhecimento, o fato das manifestações nada apresenta de surpreendente e entra na ordem dos fatos naturais.

52. A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna a princípio incompreensível o fenômeno das manifestações. Elas não podem ocorrer sem a ação do Espírito sobre a matéria. Por isso, os que consideram o Espírito completamente desprovido de matéria perguntaram, com aparente razão, como o pode agir materialmente. E nisso precisamente está o erro. Porque o Espírito não é uma abstração, mas um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado é a alma do corpo; quando o deixa pela morte, não sai desprovido de qualquer envoltório. Todos eles nos dizem que conservam a forma humana, e, com efeito, quando nos aparecem, é sob essa forma que os reconhecemos.

Observamo-los anteriormente no momento em que acabavam de deixar a vida. Acham-se perturbados; tudo para eles é conclusão; vêem o próprio corpo perfeito ou mutilado, segundo o gênero de morte; por outro lado, vêem a si mesmo e se sentem vivos. Alguma coisa lhes diz que aquele corpo lhes pertencia e não compreendem como possam estar separados. Continuam a se ver em sua forma anterior, e essa visão provoca em alguns, durante certo tempo, uma estranha ilusão: julgam-se ainda vivos. Falta-lhes a experiência desse novo estado para se convencerem da realidade. Dissipando-se esse primeiro momento de perturbação, o corpo lhes aparece como velha roupa de que se despiram e que não querem mais. Sentem-se mais leves e como livres de um fardo. Não sofrem mais as dores físicas e são felizes de poderem elevar-se e transpor o espaço, como faziam muitas vezes em vida nos seus sonhos.(1)Ao mesmo tempo, apesar da falta do corpo constatam a inteireza da personalidade: tem uma forma que não os constrange nem os embaraça tem a consciência do eu, da individualidade. Que devemos concluir disso? Que a alma não deixa tudo no túmulo mas leva com ela alguma coisa.

54. Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que trataremos mais tarde, demonstraram a existência no homem de três componentes: 1º) a alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral; 2º) o corpo, invólucro material e grosseiro de que é revestido temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais; 3º) o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de liame entre a alma e o corpo.

A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro que a alma abandona. O outro envoltório desprende-se e vai com a alma, que dessa maneira tem sempre um instrumento. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós em seu estado normal, é também material, apesar de não termos, até o presente, podido captá-lo e submetê-lo à análise.









Este segundo envoltório da alma ou perispírito existe, portanto, na própria vida corpórea. É o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe, e através do qual o Espírito transmite a sua vontade ao exterior, agindo sobre os órgãos do corpo. Para nos servimos de uma comparação, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento. É, enfim, esse agente misterioso, inapreensível, chamado fluido nervoso, que desempenha tão importante papel na economia orgânica e que ainda não se considera suficientemente nos fenômenos fisiológicos e patológicos. A Medicina, considerando apenas o elemento material ponderável, priva-se do conhecimento de uma causa permanente de ação, na apreciação dos fatos. Mas não é aqui o lugar de examinar essa questão; lembraremos somente que o conhecimento do perispírito é a chave de uma infinidade de problemas até agora inexplicáveis(2)

O perispírito não é uma dessas hipóteses a que se recorre nas ciências para explicação de um fato. Sua existência não foi somente revelada pelos Espíritos, pois resulta também de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Por agora, e para não antecipar questões que teremos de tratar, nos limitaremos a dizer que, seja durante a sua união com o corpo ou após a separação, a alma jamais se separa do seu perispírito.

55. Já se disse que o Espírito é uma flama, uma centelha.(3) Isto se aplica ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não saberíamos dar uma forma determinada. Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. Dessa maneira, a idéia de forma é para nós inseparável da idéia de Espírito, a ponto de não concebermos este sem aquela. O perispírito, portanto, faz parte integrante do espírito, como o corpo faz parte integrante do homem. Mas o perispírito sozinho não é o homem, pois o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o Homem: o agente ou instrumento de sua atividade.

56. A forma do perispírito é a forma humana, e quando ele nos aparece é geralmente a mesma sob a qual conhecemos o espírito na vida física. Poderíamos crer, por isso, que o perispírito, desligado de todas as partes do corpo, se modela de alguma maneira sobre ele e lhe conserva a forma. Mas não parece ser assim. A forma humana , com algumas diferenças de detalhes e as modificações orgânicas exigidas pelo meio em que o ser tem de viver, é a mesma em todos os globos. É pelo menos, o que dizem os Espíritos. E é também a forma de todos os Espíritos não encamados, que só possuem o perispírito. A mesma sob a qual em todos os tempos foram representados os anjos ou Espíritos puros. De onde devemos concluir que a forma humana é a forma típica de todos os seres humanos, em qualquer grau a que pertençam. Mas a matéria sutil do perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta do corpo. Ela é, se assim podemos dizer, flexível e expansível. Por isso, a forma que ela toma, mesmo que decalcada do corpo, não é absoluta. Ela se molda à vontade do espírito, que pode lhe dar a aparência que quiser, enquanto o invólucro material lhe ofereceria uma resistência invencível.

Desembaraçado do corpo que o comprimia, o perispírito se distende ou se contrai, se transforma, em uma palavra: presta-se a todas as modificações, segundo a vontade que o dirige. É graças a essa propriedade do seu invólucro fluídico que o Espírito pode fazer-se reconhecer, quando necessário, tomando exatamente a aparência que tinha na vida física, e até mesmo com os defeitos que possam servir de sinais para o reconhecimento.

Os Espíritos, portanto, são seres semelhantes a nós, formando ao nosso redor toda uma população que é invisível no seu estado normal. E dizemos no estado normal porque, como veremos, essa invisibilidade não é absoluta.

57. Voltemos a tratar da natureza do perispírito, que é essencial para a explicação que devemos dar. Dissemos que, embora fluídico, ele se constitui de uma espécie de matéria, e isso resulta dos casos de aparições tangíveis, aos quais voltaremos. Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser apalpada, oferecendo a resistência dos corpos sólidos, e que de repente se esvaeciam como sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade ao executar certos movimentos, até mesmo ao tocar músicas num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. Sua tangibilidade, sua temperatura, a impressão sensorial que produzem, chegando mesmo a deixar marcas na pele, a dar pancadasdolorosas, a acariciar delicadamente, provam que são materialmente constituídas. Sua desaparição instantânea prova, entretanto, que essa matéria é extremamente sutil e se comporta como algumas substâncias que podem, alternativamente, passar do estado sólido ao fluídico e vice-versa.

58. A natureza íntima do espírito propriamente dita, ou seja, do ser pensante, é para nós inteiramente desconhecida. Ele se revela a nós pelos seus atos, e esses atos só podem tocar os nossos sentidos por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para agir sobre a matéria. Seu instrumento direto é o perispírito, como o do homem é o corpo. O perispírito, como acabamos de ver, constitui-se de matéria. Vem a seguir o fluido universal, agente intermediário, espécie de veículo sobre o qual ele age como nós agimos sobre o ar para obter certos efeitos através da dilatação, da compreensão, da propulsão ou das vibrações.

Assim considerada, a ação do Espírito sobre a matéria é fácil de admitir-se. Compreendem-se então que os efeitos pertencem á ordem dos fatos naturais e nada tem de maravilhoso. Só pareciam sobrenaturais porque sua causa era desconhecida. Desde que a conhecemos, o maravilhoso desaparece, pois a causa se encontra inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito. Trata-se de uma nova ordem de coisas, que novas leis vêm explicar. Dentro em pouco ninguém mais se espantará com esses fatos, como ninguém hoje se espanta de poder comunicar-se à distância, em apenas alguns minutos, por meio da eletricidade.

59. Talvez se pergunte como pode o Espírito, com a ajuda de uma matéria tão sutil, agir sobre corpos pesados e compactos, erguer mesas etc. Certamente não será um homem de ciências que fará essa objeção, porque, sem falar das propriedades desconhecidas que esse novo agente pode ter, não vimos com os próprios olhos exemplos semelhantes? Não é nos gases mais rarefeitos,nos fluidos imponderáveis, que a indústria encontra as mais poderosas forças motrizes? Quando vemos o ar derrubar edifícios, o vapor arrastar massas enormes, a pólvora gaseificada elevar rochedos, a eletricidade despedaçar árvores e perfurar muralhas, que há de estranho em admitir que o Espírito, servindo-se do perispírito, possa erguer uma mesa, sobretudo quando se sabe que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?





(1) Quem se reportar ao que dissemos em O Livro dos Espíritos sobre os sonhos e o estado do Espírito durante o sono (nº 400 a 418), compreenderá que os sonhos que quase todos tem, vendo-se transportados através do espaço e como que voando, são a lembrança da sensação do Espírito durante o seu desprendimento do corpo, levando o corpo fluídico, o mesmo que conservará após a morte. Esses sonhos podem pois nos dar a idéia do estado do Espírito quando se desembaraçar dos entraves que o retêm na Terra. (Nota de Kardec)



(2) O desenvolvimento da Psicoterapêutica, e mais recentemente da Medicina psicossomática, confirmam o acerto de Kardec nesta observação. (N. do T.)



(3) O Livro dos Espíritos, nº 88. Respondendo a uma pergunta de Kardec sobre a forma dos Espíritos, os seus instrutores espirituais disseram: “Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea”. (N. do T.)

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