Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Solidariedade




Glória a Deus na Terra e paz aos homens de boa vontade!


O estudo do Espiritismo não deve ser vão. Para certos homens levianos, é uma diversão; para os homens sérios, deve ser sério.
Antes de tudo refleti numa coisa. Não estais na Terra para aí viver à maneira de animais, para vegetar à maneira de gramíneas ou de árvores. As gramíneas e as árvores têm a vida orgânica e não têm vida inteligente, como os animais não têm a vida moral. Tudo vive, tudo respira na natureza: só o homem sente e se sente.
Como são insensatos e lamentáveis aqueles que se desprezam a ponto de comparar-se a um fio de erva ou a um elefante! Não confundimos os gêneros nem as espécies. Não são grandes filósofos e grandes naturalistas que, por exemplo, vêem no Espiritismo uma nova edição da metempsicose e, sobretudo, uma metempsicose absurda. A metempsicose é o sonho de um homem de imaginação e não outra coisa. Um animal, um vegetal produz o seu congênere, nem mais, nem menos. Diga-se para impedir velhas idéias falsas de serem novamente acreditadas, à sombra do Espiritismo.
Homem, sede homem; sabei de onde vindes e para onde ides. Sois o filho amado Daquele que tudo fez e vos deu um fim, um destino que deveis realizar sem o conhecer absolutamente. Éreis necessário aos seus desígnios, à sua glória, à sua própria felicidade? Questões ociosas, porque insolúveis. Vós sois; sede reconhecidos por isto; mas ser não é tudo; é preciso ser segundo as leis do Criador, que são as vossas próprias leis. Lançado na existência, sois, ao mesmo tempo, causa e efeito. Nem como causa, nem como efeito, podeis, ao menos quanto ao presente, determinar o vosso papel, mas podereis seguir as vossas leis. Ora, a principal é esta: O homem não é um ser isolado; é um ser coletivo. O homem é solidário do homem. É em vão que procura o complemento de seu ser, isto é, a felicidade em si mesmo ou no que o rodeia isoladamente: não pode encontrá-la senão no homem ou na humanidade. Então nada fazeis para ser pessoalmente feliz, tanto que a infelicidade de um membro da humanidade, de uma parte de vós mesmo, poderá vos afligir.
Nisto é moral que vos ensino, direis vós, ora, a moral é um velho lugar comum. Olhai em torno de vós: que há de mais ordinário, de mais comum que a sucessão periódica do dia e da noite, que a necessidade de vos alimentardes e de vos vestirdes? É para isto que tendem todos os vossos cuidados, todos os vossos esforços. E é necessário, exige-o a parte material do vosso ser. Mas a vossa natureza não é dupla, não sois mais espírito do que corpo? Então como vos é mais difícil ouvir lembrar as leis morais do que, a todo instante, aplicar as leis físicas? Se fôsseis menos preocupados e menos distraídos, essa repetição não seria tão necessária.
Não nos afastemos do assunto: O Espiritismo bem compreendido é para a vida o que o trabalho material é para a vida do corpo. Ocupai-vos dele com este objetivo e ficai certos de que quando tiverdes feito, para o vosso melhoramento moral, a metade do que fazeis para melhorar a vossa existência material, tereis feito a humanidade dar um grande passo.





A Conta da Vida





A CONTA DA VIDA


Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Alvorada Cristã. Ditado pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.


Quando Levindo completou vinte e um anos, a Mãezinha recebeu-lhe os amigos, festejou a data e solenizou o acontecimento com grande alegria. No íntimo, no entanto, a bondosa senhora estava triste e preocupada. O filho, até à maioridade, não tolerava qualquer disciplina. Vivia ociosamente, desperdiçando o tempo e negando-se ao trabalho. Aprendera as primeiras letras, a preço de muita dedicação materna, e lutava contra todos os planos de ação digna. Recusava bons conselhos e inclinava-se, francamente, para o desfiladeiro do vício.
Nessa noite, todavia, a abnegada Mãe orou, mais fervorosa, suplicando a Jesus o encaminhasse à elevação moral. Confiou-o ao Céu, com lágrimas, convencida de que o Mestre Divino lhe ampararia a vida Jovem.
As orações da devotada criatura foram ouvidas, no Alto, porque Levindo, logo depois de arrebatado pelas asas do sono, sonhou que era procurado por um mensageiro espiritual, a exibir largo documento na mão.
Intrigado, o rapaz perguntou-lhe a que devia a surpresa de semelhante visita.
O emissário fitou nele os grandes olhos e respondeu:
- Meu amigo, venho trazer-te a conta dos seres sacrificados, até agora, em teu proveito.
Enquanto o moço arregalava os olhos de assombro, o mensageiro prosseguia:
- Até hoje, para sustentar-te a existência, morreram, aproximadamente, 2.000 aves, 10 bovinos, 50 suínos, 20 carneiros e 3.000 peixes diversos. Nada menos de 60.000 vidas do reino vegetal foram consumidas pela tua, relacionando-se as do arroz, do milho, do feijão, do trigo, das várias raízes e legumes. Em média calculada, bebeste 3.000 litros de leite, gastaste 7.000 ovos e comeste 10.000 frutas. Tens explorado fartamente as famílias de seres do ar e das águas, de galinheiros e estábulos, pocilgas e redis. O preço dos teus dias nas hortas e pomares vale por uma devastação. Além disto, não relacionamos aqui os sacrifícios maternos, os recursos e doações de teu pai, os obséquios dos amigos e as atenções dos vários benfeitores que te rodeiam. Em troca, que fizeste de útil? Não restituiste ainda à Natureza a mínima parcela de teu débito imenso. Acreditas, porventura, que o centro do mundo repousa em tuas necessidades individuais e que viverás sem conta nos domínios da Criação? Produze algo de bom, marcando a tua passagem pela Terra. Lembra-te de que a própria erva se encontra em serviço divino. Não permitas que a ociosidade te paralise o coração e desfigure o espírito!...
O moço, espantado, passou a ver o desfile dos animais que havia devorado e, sob forte espanto, acordou...
Amanhecera.
O Sol de ouro como que cantava em toda parte um hino glorioso ao trabalho pacífico.
Levindo escapou da cama, correu até à genitora e exclamou:
- Mãezinha, arranje-me serviço! arranje-me serviço!...
- Oh! meu filho - disse a senhora num transporte de júbilo -, que alegria! como estou contente!... que aconteceu?
E o rapaz, preocupado, informou:
- Nesta noite passada, eu vi a conta da vida.
Daí em diante, converteu-se Levindo num homem honrado e útil.



Gratidão





Autor: Gebaldo José de Souza.



"Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus." (Mateus, 5:3.)
Velhinho, quase centenário e de poucas letras, aprendeu, longa vida, lições preciosas. Entre elas, as da humildade e da gratidão, belíssimas virtudes que lhe ornavam o caráter íntegro. Pequeno e um pouco curvado,
mãos calejadas pelas muitas canseiras e pelo bom hábito de cultivar a terra, sua predileção era a de plantar, sobretudo árvores frutíferas.
Muitos lhe diziam, constantemente:
— 'Seu' João, o senhor não vai comer frutas dessa árvore! Está perdendo seu tempo!
Como quem diz: vai morrer logo! Numa frase revelando não só o próprio egoísmo, mas, também, falta de caridade para com o bom velhinho.
A esses, respondia ele, sem se agastar, generosa e fraternalmente:
— Outro come, meu filho! Outro come! Quando nasci, comi frutos de árvores que outros plantaram. Quando partir da Terra, a vida aqui vai continuar. Crianças e passarinhos — criaturinhas de Deus — irão encontrá-los e se alimentarão!
E acrescentava, ilustrando sabiamente: — Em viagem, quando chego a uma tapera e estou com sede e faminto, às vezes vejo uma laranjeira carregada de frutos. Colho-os e sacio a sede e a fome, dando graças a Deus, rogando a Ele que abençoe as mãos daquele que a plantou! Como vemos, nessa bela lição de amor a Deus e ao próximo, demonstra ele a reverência pela vida, além das virtudes do desprendimento, da humildade, mas sobretudo da gratidão, que enobrece a alma de quem a cultiva! Apesar de quase analfabeto das letras do mundo, sábio e generoso. Lição de vida e belíssimo exemplo de um homem que revela grandeza em sua humildade, em sua pobreza honrada e feliz!


Questões e Problemas - Crianças, Guias Espirituais dos Pais




Tendo perdido um filho de sete anos, e tendo-se tornado médium, a mãe teve a mesma criança como guia. Um dia lhe fez a seguinte pergunta:

Caro bem amado filho, um dos meus amigos espírita não compreende e não admite possas ser o guia espiritual de tua mãe, desde que ela existia antes de ti e, indubitavelmente, deve ter tido um guia, nem que fosse durante o tempo que te tivemos ao nosso lado. Podes dar-nos algumas explicações?

Resposta do Espírito da criança: - Como quereis aprofundar tudo quanto vos parece incompreensível? Aquele que vos parece mesmo o mais adiantado no Espiritismo está apenas nos primeiros elementos da doutrina e não sabe mais do que este ou aquele que vos parece ao par de tudo e capaz de vos dar explicações. - Eu existi muito tempo antes de minha mãe, e ocupei, em outra existência, uma posição eminente por meus conhecimentos intelectuais.

Mas um imenso orgulho se havia apoderado de meu Espírito, e durante várias existências consecutivas fui submetido à mesma provação, sem poder triunfar, até chegar à existência em que estava junto de vós. Mas como já era adiantado e minha partida devia servir ao vosso adiantamento, a vós tão atrasados na vida espírita, Deus me chamou antes do fim de minha carreira, considerando minha missão junto a vós mais aproveitável como Espírito do que como encarnado.

Durante minha última estada na terra, minha mãe teve o seu anjo da guarda junto a ela, mas temporariamente, porque Deus sabia que era eu que devia ser o seu guia espiritual e que eu a traria mais eficazmente na via de que ela estava tão afastada. Esse guia, que ela tinha então, foi chamado a uma outra missão, quando vim tomar seu lugar junto a ela.

Perguntai aos que sabeis mais adiantados do que vós, se esta explicação é lógica e boa. Porque por ser que seja minha opinião pessoal e, mesmo a emitindo, não sei bem se me engano. Enfim, isto vos será explicado, se perguntardes. Muitas coisas ainda vos são ocultas e vos parecerão claras mais tarde. Não queirais aprofundar muito porque, então, dessa constante preocupação nasce a confusão de vossas idéias. Tende paciência; e, assim como um espelho embaciado por um sopro ligeiro, se clarifica pouco a pouco, vosso espírito tranqüilo e calmo atingirá esse grau de compreensão necessário ao vosso adiantamento.

Coragem, pois, bons pais; marchai com confiança, e um, dia bendirei a hora da provação terrível que vos trouxe à via da felicidade eterna, e sem a qual teríeis muitas existências infelizes a percorrer ainda.

OBSERVAÇÃO: Essa criança era de uma precocidade intelectual rara para a sua idade. Mesmo em estado de saúde, parecia pressentir seu fim próximo. Alegrava-se nos cemitérios e sem jamais ter ouvido falar em Espiritismo, em que os pais não acreditavam, muitas vezes perguntava se, quando se está morto, não se podia voltar para os que se tinha amado; aspirava a morte como uma felicidade e diria que quando morresse sua mãe não deveria afligir-se, porque voltaria para junto dela. Com efeito, foi a morte de três filhos em alguns dias que levou os pais a buscar uma consolação no Espiritismo. Essa consolação a encontraram largamente e sua fé foi recompensada pela possibilidade de conversar a cada instante com os filhos, pois em muito pouco tempo a mãe se tornou excelente médium, tendo até o filho como guia, Espírito que se revela por uma grande superioridade.





O Pai Nosso





Comentários: Allan Kardec





Em consideração e como aplicação das idéias que precedem, damos a seguir a Oração dominical desenvolvida. Se algumas pessoas acham que aqui não há lugar para um documento desta natureza, lembrar-lhes-íamos que a nossa Revista não é só uma coletânea de fatos, e que seu quadro abarca tudo o que pode ajudar ao desenvolvimento moral. Foi um tempo em que os fatos de manifestações só tinham o privilégio de interessar os leitores; mas hoje que o objetivo sério e moralizador do Espiritismo é compreendido e apreciado, a maioria dos adeptos nele procuram antes o que toca o coração do que aquilo que apraz ao espírito; é, pois, àqueles que nos dirigimos nesta circunstância. Por esta publicação, sabemos ser agradáveis a um grande número, senão a todos. Só isto nos teria decidido, sem outras considerações, sobre as quais devemos guardar silêncio, e nos teriam determinado fazê-lo neste momento antes que num outro.



ORAÇÃO DOMINICAL DESENVOLVIDA



I. PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS, QUE O VOSSO NOME SEJA SANTIFICADO !

Cremos em vós, Senhor, porque tudo revela o vosso poder e à vossa bondade. A harmonia do Universo testemunha uma sabedoria, uma prudência e uma previdência que ultrapassam todas as faculdades humanas; o nome de um ser soberanamente grande e sábio está inscrito em todas as obras da criação, desde o talo de erva e o menor inseto até os astros que se movem no espaço; portada a parte vemos a prova de uma solicitude paternal; por isso, cego é aquele que não vos reconhece em vossas obras, orgulhoso aquele que não vos glorifica, ingrato aquele que não vos dá ações de graça.



II. QUE VOSSO REINO CHEGUE !

Senhor, destes aos homens leis cheias de sabedoria e que fariam a sua felicidade, se as observassem. Com essas leis, fariam reinar entre eles a paz e a justiça;se entre ajudariam mutuamente, em lugar de se prejudicarem, como o fazem; o forte sustentaria o fraco no lugar de esmagá-lo; evitaria os males que engendram os abusos e os excessos de todos os gêneros. Todas as misérias deste mundo vêm da violação de vossas leis, porque não há uma só infração que não tenha suas conseqüências fatais. Destes ao animal o instinto que lhe traça o limite do necessário, e com isso ele se conforma maquinalmente; mas ao homem, além desse instinto, destes a inteligência e a razão; deste-lhe também a liberdade de observar ou de infringir aquelas de vossas leis que lhe concernem pessoalmente, quer dizer, de escolher entre o bem e o mal, a fim de que haja o mérito e a responsabilidade de suas ações. Ninguém pode pretextar ignorância de vossas leis, porque, em vossa previdência paternal, quisestes que elas fossem gravadas na consciência de cada um, sem distinção de culto nem de nações; aqueles que as violam, é que vos desconhecem. Dia virá, segundo a vossa promessa, em que todos as praticarão; então, a incredulidade terá desaparecido; todos vos reconhecerão como soberano Senhor de todas as coisas, e o reino de vossas leis será vosso reino sobre a Terra. Dignai-vos, Senhor, apressar esse advento, dando aos homens a luz necessária para conduzi-los no caminho da verdade.



III. QUE A VOSSA VONTADE SEJA FEITA NA TERRA, COMO NO CÉU !

Se a submissão é um dever do filho com relação ao pai, do inferior para com seu superior, quanto não deve ser maior a da criatura com relação ao seu Criador! Fazer a vossa vontade, Senhor, é observar vossas leis e submeter-se sem murmurar aos vossos decretos divinos; o homem a elas se submeterá quando compreender que sois atonte de toda sabedoria, e que sem vós nada pode; então fará a vossa vontade na Terra, como os eleitos no céu.



IV. DAI-NOS O NOSSO PÃO DE CADA DIA.

Dai-nos a alimento para a manutenção das forças do corpo; dai-nos também o alimento espiritual para o desenvolvimento de nosso Espírito. O animal encontra sua pastagem, mas o homem a deve à sua atividade e aos recursos de sua inteligência, porque o criastes livre. Vós lhe dissestes: "Tirarás teu alimento da terra com o suor de teu rosto." Por aí, fizeste-lhe uma obrigação do trabalho, a fim de que ele exercite a sua inteligência pela procura dos meios de prover suas necessidades e seu bem-estar, uns pelo trabalho material, os outros pelo trabalho intelectual; sem o trabalho, ele permaneceria estacionário e não poderia aspirar à felicidade dos Espíritos superiores. Secundais o homem de boa vontade que se confia a vós para o necessário, mas não aquele que se compraz na ociosidade e gostaria de tudo obter sem trabalho, nem aquele que procura o supérfluo. Quantos deles sucumbem por sua própria falta, por sua incúria, sua imprevidência ou sua ambição, e por não ter querido se contentar com aquilo que lhes tínheis dado! Aqueles são os artífices de seu próprio infortúnio e não têm o direito de se lamentarem, porque são punidos por onde pecaram. Mas aqueles mesmos, não os abandonais, porque sois infinitamente misericordioso; vós lhes estendeis mão de socorro desde que, como o filho pródigo, retornem sinceramente a vós. Antes de nos lamentar de nossa sorte, perguntemos-nos se não é obra nossa; a cada infelicidade que nos chegue, perguntemos-nos se não dependeu de nós evitá-la; mas digamos também que Deus nos deu inteligência para nos tirar do lamaçal, e que depende de nós dela fazer uso. Uma vez que a lei do trabalho é a condição do homem sobre a Terra, dai-nos a coragem e a força para cumpri-la; dai-nos também a prudência, a previdência e a moderação, a fim de não perder-lhe o fruto. Dai-nos, pois, Senhor, nosso pão de cada dia, quer dizer, os meios de adquirir pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porque ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo. Se o trabalho não nos for possível, nos confiamos à vossa divina Providência. Se entra em vossos desígnios de nos experimentar pelas mais duras privações, apesar de nossos esforços, as aceitamos como uma justa expiação das faltas que pudemos cometer nesta vida ou numa vida precedente, porque sois justo; sabemos que não há penas imerecidas, e que não castigais jamais sem causa. Preservai-nos, ó meu Deus, de conceber a inveja contra aqueles que possuem o que não temos, nem mesmo contra aqueles que têm o supérfluo, quando nos falta o necessário. Perdoai-lhes se esquecem a lei de caridade e de amor ao próximo, que vós lhes ensinastes. Afastai também de nosso espírito o pensamento de negar a vossa justiça, vendo a prosperidade do mau que acabrunha às vezes o homem de bem. Sabemos, agora, graças às novas luzes que vos aprouve nos dar, que a vossa justiça recebe sempre seu cumprimento e não falta a ninguém; que a prosperidade material do mau é efêmera, como sua existência corpórea, e que ela terá terríveis retornos, ao passo que a alegria reservada àquele que sofre com resignação será eterna.



V. PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, COMO NÓS AS PERDOAMOS ÀQUELES QUE NOS DEVEM. - PERDOAI AS NOSSAS OFENSAS, COMO PERDOAMOS ÀQUELES QUE NOS OFENDERAM.

Cada uma de nossas infrações às vossas leis, Senhor, é uma ofensa para convosco, e uma dívida contraída que nos será preciso, cedo ou tarde, pagar. Solicitamos-lhes a remissão de vossa infinita misericórdia, sob a promessa de fazer nossos esforços para não contrair novas dívidas. Fizeste-nos uma lei expressa da caridade; mas a caridade não consiste somente em assistir seu semelhante na necessidade; ela está também no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a vossa indulgência, se ela faltasse em nós mesmos com relação àqueles dos quais temos a nos lamentar? Dai-nos, ó meu Deus! a força de abafar em nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor; fazei com que a morte não nos surpreenda com um desejo de vingança no coração. Se vos aprouver nos retirar hoje mesmo deste mundo, fazei com que possamos nos apresentar a vós puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujas últimas palavras foram por seus carrascos. As perseguições que os maus nos fazem suportar fazem parte de nossas provas terrestres; devemos aceitá-las sem murmurar, como todas as outras provas, e não maldizer aqueles que, por suas maldades, nos abrem o caminho da felicidade eterna, porque nos dissestes, pela boca de Jesus: "Bem-aventurados aqueles que sofrem pela justiça!" Bendigamos, pois, a mão que nos fere e nos humilha, porque as contusões do corpo fortalecem a nossa alma, e seremos elevados de nossa humildade. Bendito seja o vosso nome, Senhor, por nos terdes ensinado que a nossa sorte não está irrevogavelmente fixada depois da morte; e encontraremos, em outras existências, o meio de resgatar e de reparar nossas faltas passadas, de cumprir numa nova vida o que não podemos fazer nesta, pelo nosso adiantamento. Por aí se explicam, enfim, todas as anomalias aparentes da vida; é a luz lançada sobre o nosso passado e o nosso futuro, o sinal manifesto de vossa soberana justiça e de vossa bondade infinita.



VI. NÃO NOS ABANDONEIS À TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL.

Dai-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos maus Espíritos que tentarem nos desviar do caminho do bem, nos inspirando maus pensamentos. Mas nós somos, nós mesmos, Espíritos imperfeitos, encarnados sobre esta Terra para expiar e nos melhorar. A causa primeira do mal está em nós, e os maus Espíritos não fazem senão aproveitar nossos pendores viciosos, nos quais nos mantêm, para nos tentar. Cada imperfeição é uma porta aberta à sua influência, ao passo que são impotentes e renunciam a toda tentativa contra os seres perfeitos. Tudo o que poderíamos fazer para afastá-los é inútil, se não lhes opomos uma vontade inabalável no bem, e uma renúncia absoluta ao mal. É, pois, contra nós mesmos que devemos dirigir nossos esforços, e então os maus Espíritos se afastarão naturalmente, porque é o mal que os atrai, ao passo que o bem os repele. Senhor, sustentai-nos em nossa fraqueza; inspirai-nos, pela voz de nossos anjos guardiães e dos bons Espíritos, a vontade de nos corrigir de nossas imperfeições, a fim de fechar, aos Espíritos impuros, o acesso à nossa alma. O mal não é obra vossa, Senhor, porque a fonte de todo bem não pode nada engendrar de mal; somos nós mesmos que o criamos, infringindo vossas leis, e pelo mau uso da liberdade que nos destes. Quando os homens observarem as vossas leis, o mal desaparecerá da Terra, como já desapareceu nos mundos mais avançados. O mal não é uma necessidade fatal para ninguém, e não parece irresistível senão àqueles que a ele se entregam com complacência. Se temos a vontade de fazê-lo, podemos ter também a de fazer o bem; é porque, ó meu Deus, pedimos, a vossa assistência e a dos bons Espíritos para resistir à tentação.



VIl. ASSIM SEJA.

Praze a vós, Senhor, que nossos desejos se cumpram! Mas nós nos inclinamos diante de vossa sabedoria infinita. Sobre todas as coisas que não nos é dado compreender, seja feito segundo vossa santa vontade, e não segundo a nossa, porque não quereis senão nosso bem, e sabeis melhor do que nós o que nos é útil. Nós vos dirigimos esta prece, ó meu Deus! por nós mesmos, e por todas as almas sofredoras, encarnadas e desencarnadas, por nossos amigos e nossos inimigos, por todos aqueles que reclamam a nossa assistência. Pedimos sobre todos a vossa misericórdia e a vossa bênção.



Os Órfãos

s.
 


Meus irmãos, amai os órfãos: se soubésseis o quanto é triste estar só e abandonado, sobretudo na infância! Deus permite que haja órfãos para vos convidar a servir-lhes de pais. Que divina caridade ajudar uma pobre pequena criatura abandonada, impedi-la de sofrer da fome e do frio, dirigir sua alma, a fim de que não se desvie no vício! Quem estende a mão a uma criança abandonada é agradável à Deus, porque compreende e pratica a sua lei. Pensai também que, freqüentemente, a
criança que socorreis talvez vos tenha sido querida em uma outra Vida; e se pudésseis vos lembrar, isso não seria mais caridade, mas um dever. Assim, pois, meus amigos, todo ser sofredor é vosso irmão, e tem direito à vossa caridade; não essa caridade que fere o coração, não essa esmola que queima a mão na qual ela cai, porque os vossos óbolos, freqüentemente, são bem amargos. Quantas vezes seriam recusados se na casa a doença e a fome não os esperassem! Dai delicadamente, acrescentai ao benefício o mais precioso de todos: uma boa palavra, uma carícia, um sorriso de amigo; evitai esse tom de piedade e de proteção que derrama o fel num coração que sangra, e pensai que lhe fazendo o bem, trabalhais por vós e pelos vosso.

Teoria dos Sonhos







É verdadeiramente estranho que um fenômeno tão vulgar quanto o dos sonhos tenha sido objeto de tanta indiferença da parte da ciência, e que ainda se esteja a perguntar a causa dessas visões. Dizer que são produtos da imaginação não é resolver a questão; é uma dessas palavras com a auxilio da qual querem explicar o que não compreendem e que nada explicam. Em todo o caso, a imaginação é um produto do entendimento. Ora, como não se pode admitir entendimento nem imaginação na matéria bruta, é necessário crer que a alma nisto entre para alguma coisa. Se os sonhos ainda são um mistério para a ciência, é que ela se obstinou em fechar os olhos para a causa espiritual.

Procura-se a alma nas dobras do cérebro, enquanto ela se ergue a cada instante à nossa frente, livre e independente, numa porção de fenômenos inexplicáveis só pelas leis da matéria, notadamente nos sonhos, no sonambulismo natural e artificial e na dupla vista à distância. Não nos fenômenos raros, excepcionais, sutis, que exigem pacientes pesquisas do sábio e do filósofo, mas nos mais vulgares. Lá está ela, que parece dizer: Olhai e ver-me-eis; estou aos vossos olhos e não me vedes; vistes-me muitas e muitas vezes; vedes-me todos os dias; os próprios meninos me vêem; o sábio e o ignorante, o homem de gênio e o ignorante me vêem e não me reconheceis.

Mas há pessoas que parecem temer olhá-la de frente, e ter a prova de sua existência. Quanto aos que a procuram de boa-fé, até hoje lhes faltou a única chave que lhe poderia ter dado a reconhecer. Esta chave o Espiritismo acaba de dar pela lei que rege as relações do mundo corporal e do mundo espiritual. Auxiliado por esta chave é pelas observações sobre que se apoia, ele dá dos sonhos a mais lógica explicação jamais fornecida. Demonstra que o sonho, o sonambulismo, o êxtase, a dupla vista, o pressentimento, a intuição do futuro, a penetração do pensamento não passam de variantes e graus de um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais ou menos desprendida da matéria.

A respeito dos sonhos, dá ele conta precisa de todas as variedades que apresentam? Ainda não: possuímos o princípio, o que já é muito; os que podemos explicar por-nos-ão na via dos outros; sem dúvida faltam-nos alguns conhecimentos, que adquiriremos mais tarde. Não há uma única ciência que, de saída, tenha desenvolvido todas as suas conseqüências e aplicações; elas não se podem completar senão por sucessivas observações. Ora, nascido ontem, o Espiritismo está como a química nas mãos dos Lavoisier e dos Berthoffet, seus primeiros criadores; estes descobriram as lei fundamentais; as primeiras balisas fincadas puseram no caminho de novas descobertas.

Entre os sonhos uns há que tem um caráter de tal modo positivo que, racionalmente, não poderiam ser atribuídos a simples jogo da imaginação. Tais são aqueles nos quais, ao despertar, adquire-se a prova da realidade do que se viu, e em que absolutamente não se pensava. Os mais difíceis de explicar são os que nos apresentam imagens incoerentes, fantásticas, sem realidade aparente. Um estudo mais aprofundado do singular fenômeno das criações fluídicas sem dúvida por-nos-á no caminho.

Esperando, eis uma teoria que parece permitir um passo no assunto. Não a damos como absoluta, mas como fundada na lógica e podendo ser submetida a estudo. Ela nos foi dada por um dos nossos melhores médiuns, em estado de sonambulismo muito lúcido, por ocasião do fato seguinte.

Solicitado pela mãe de uma jovem a lhe dar notícias de sua filha, que estava em Lyon, ele a viu deitada e adormecida, e descreveu com exatidão o apartamento em que se achava. Essa jovem, de dezessete anos, é médium escrevente. A mãe perguntou se ela tinha aptidão para se tornar médium vidente. Esperai, disse o sonâmbulo, é preciso que eu siga o traço de seu Espírito, que neste momento não está no corpo. Ela está aqui, na villa Ségur na sala onde estamos, atraída pelo vosso pensamento; ela vos vê e vos escuta. Para ela é um sonho, do qual não se recordará ao despertar.

Pode-se, acrescenta ele, dividir os sonhos em três categorias caracterizadas pelo grau da lembrança que fica no estado de despreendimento no qual se acha o Espírito. São:

1º - Os sonhos que são provocados pela ação da matéria e dos sentidos sobre o Espírito, isto é, aqueles em que o organismo representa um papel preponderante pela mais íntima união entre o corpo e o Espírito. A gente se lembra claramente e, por pouco desenvolvida que seja a memória, dele se conserva uma impressão durável.

2º - Os sonhos que podem ser chamados mistos. Participam, ao mesmo tempo, da matéria e do Espírito. O despreendimento é mais completo. A gente se recorda ao despertar, para o esquecer quase que instantaneamente, a menos que uma particularidade venha despertar a lembrança.

3º - Os sonhos etéreos ou puramente espirituais. São produtos só do Espírito, que está desprendido da matéria, tanto quanto o pode estar na vida do corpo. A gente não se recorda, ou resta uma vaga lembrança de que se sonhou. Nenhuma circunstância poderia trazer à memória os incidentes do sono.

O sonho atual da jovem pertence a esta terceira categoria. E1a não o recordará. Foi conduzida aqui por um Espírito muito conhecido do mundo espírita lionês e, mesmo, do mundo espírita europeu - o médium-sonambúlico descreve o Espírito Cárita. Ele trouxe com o objetivo de que ela conserve senão uma lembrança precisa, um pressentimento do bem que se pode colher de uma crença firme, pura e santa, e do bem que se pode fazer aos outros, fazendo-o a si-próprio.

Ele diz à mãe dela que se ela se lembrasse tão bem em seu estado normal quanto se lembra agora de suas encarnações precedentes, não demoraria muito no estado estacionário em que está. Porque vê claramente e pode avançar sem hesitação, ao passo que no estado ordinário temos uma venda sobre os olhos. Ela diz aos assistentes: "Obrigado por vos terdes ocupado de mim." Depois beija sua mãe. Como é feliz! acrescenta o médium, terminando, como é feliz com este sonho, do qual não se recordará, mas que, nem por isso, deixará de lhe deixar uma salutar impressão! São esses sonhos inconscientes que proporcionam estas sensações indefiníveis de contentamento e de felicidade, de que a gente não se dá conta e que são um antegozo daquilo de que desfrutam os Espíritos felizes.

Disto ressalta que o Espírito encarnado pode sofrer transformações que lhe modificam as aptidões. Um fato que talvez não tenha sido suficientemente observado vem em apoio da teoria acima. Sabe-se que o esquecimento do sonho é um dos caracteres do sonambulismo. Ora, do primeiro grau de lucidez, por vezes o Espírito passa a um grau mais elevado, que é diferente do êxtase, e no qual adquire novas idéias e percepções mais sutis. Saindo deste segundo grau para entrar na primeiro, nem se lembra do que disse, nem do que viu. Depois, passando deste grau para o de vigília, há novo esquecimento. Uma coisa a notar é que há lembrança do grau superior para o inferior, ao passo que há esquecimento do grau inferior para o superior.

É, pois, bem evidente que entre os dois estados sonambúlicos, de que acabamos de falar, passa-se algo análogo ao que ocorre no estado de vigília e o primeiro grau de lucidez; que o que se passa influi sobre as faculdades e as aptidões do Espírito. Dir-se-ia que do estado de vigília ao primeiro grau o Espírito é despojado de um véu; que do primeiro ao segundo grau é despojado de um segundo véu. Nos graus superiores, não mais existindo esses véus, o Espírito vê o que está abaixo e se lembra. Descendo a escada, os véus se formam sucessivamente e lhe ocultam o que está acima, com o que perde a sua lembrança. A vontade do magnetizador por vezes pode dissipar esse véu fluídico e dar a lembrança.

Como se vê, há uma grande analogia entre os dois estados sonambúlicos e as diversas categorias de sonhos descritos acima. Parece-nos mais que provável que, num e noutro caso, o Espírito se ache numa situação idêntica. Para cada degrau que sobe, eleva-se acima de uma camada de garoa: sua vista e suas percepções tornam-se mais claras.

Os Inimigos do Progresso





Os inimigos do progresso, da luz e da verdade, trabalham na sombra; preparam uma cruzada contra as nossas manifestações; com isso não tomais nenhum cuidado; sois poderosamente sustentados; deixai-os se agitarem em sua impotência, entretanto, por todos os meios que estão em vosso poder, aplicai-vos em combater, aniquilar a idéia da eternidade das penas, pensamento blasfematório para com a justiça e a bondade de Deus, a mais fecunda fonte da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas depois que a sua inteligência começou a se desenvolver; o espírito prestes a se esclarecer, não estivesse senão desbastado, bem depressa compreende a monstruosa injustiça; sua razão a repele e então raramente falta em confundir, no mesmo ostracismo, a pena que o revolta, e o Deus ao qual se a atribui; daí os males sem número que vieram se precipitar sobre vós, e para os quais viemos trazer o remédio. A tarefa que nós vos assinalamos vos será tanto mais fácil quanto mais as autoridades sobre as quais se apóiam os defensores dessa crença evitaram todos de se pronunciarem formalmente; nem os concílios, nem os Pais da Igreja decidiram essa grave questão. Se, segundo os próprios evangelistas, e se tomando ao pé da letra as palavras emblemáticas do Cristo, ele ameaçou os culpados com um fogo que não se extingue, um fogo eterno, e não há absolutamente nada, em suas palavras, que prove que ele haja condenado esses culpados eternamente. Pobres ovelhas desgarradas, sabei ver chegar de longe o bom Pastor, que longe de vos querer banir inteiramente de sua presença, ele mesmo vem ao vosso encontro para vos conduzir ao aprisco. Filhos pródigos, deixai o vosso exílio voluntário; voltai os vossos passos para a morada paterna: o pai vos estende os braços e se mantém sempre pronto a festejar o vosso retorno à família.



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