Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Reencarnação...



Reencarnação... 

A reencarnação é um processo complexo. Suas variáveis decorrem do nível espiritual de cada um, levando em conta as necessidades de aprendizagem não só do espírito que volta, mas também das pessoas com as quais ele irá conviver nesse período. Quando o espírito possui mais conhecimento, pode ajudar a programar sua próxima encarnação – mas sempre com a supervisão dos espíritos superiores.
Algumas vezes, ele pretende desenvolver algum lado seu que esteja dificultando seu progresso. Então, lhe é facultado reencarnar no meio de pessoas comas quais nunca tenha se relacionado antes, a fim de trocar conhecimento. Ao reencarnar, o espírito sabe que esquecerá do passado e sente-se inseguro com isso. Natural que queira ter, como pais, pessoas amigas de outras vidas, figuras nas quais confia. Mas é bom saber que isso só será possível se elas aceitarem a responsabilidade e se essa união favorecer o processo.
Reencarnar com pessoas com as quais o espírito tem afinidade é sempre muito bom, pois permite que, juntos, eles possam apoiar-se mutuamente e progredir. Tal oportunidade não é concedida a espírito que tenha prejudicado pessoas ou criado inimizades em outras vidas. Em casos assim, a reencarnação é compulsória e quase sempre ele terá de conviver na mesma família, exatamente em meio às pessoas com as quais se desentendeu.
É uma chance que a vida oferece para que ele conheça um pouco melhor seus desafetos e modifique sua maneira de se relacionar com eles. Então, os laços de parentesco servem, a princípio, para suavizar o confronto. A mesma oportunidade é dada aos espíritos que, apesar de terem feito muitos inimigos no passado, se arrependem.
Sentem remorso e necessidade de reparar seus erros. Aí, recebem a chance de programar, com o auxílio dos mentores, a reencarnação junto dos seus inimigos. Portanto, há, ainda no astral, um trabalho de aproximação entre eles, feito pelos por espíritos superiores, para que se entendam e concordem em se relacionar de novo na Terra.
Às vezes, leva muito tempo para que eles aceitem e estejam prontos para essa nova encarnação. E, ainda assim, quando tudo está bem entre eles, podem surgir dificuldades práticas na concretização do projeto.
Em certos casos, a rejeição energética da futura mãe é tão grande que acaba se tornando uma gravidez de risco, que não chega a bom termo, sendo necessárias várias tentativas. Nesse caso, atuam também as energias do espírito reencarnante que, embora queira aproximar-se daquelas pessoas, reage instintivamente ao contato energético, que se torna insuportável para ele.
Pode acontecer que as pessoas com as quais o espírito se desentendeu no passado já a tenham perdoado - e aí elas estão livres, podendo seguir adiante sem precisar recebê-lo na família. Numa situação assim, pode reencarnar em meio a desconhecidos que precisem de ajuda. Ao ajudá-las, ele irá se libertar do remorso.
Quando o espírito progride, a noção da própria maldade lhe faz mal. Só poderá seguir adiante se conseguir livrar-se dela. Pois ninguém é vítima. Todos somos responsáveis pelas nossas escolhas. O respeito às leis cósmicas é fundamental para que nosso espírito prossiga na conquista do bem. Agir com inteligência é evitar sofrimento.




Mundos Regeneradores




Mundos Regeneradores

Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a Humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para Ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de
amor e de caridade que do seu seio emanam.

Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que uni mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. - Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

* * * Estude Kardec * * *




Semeadores de esperança





Semeadores de esperança

Possivelmente não terás pensado ainda no verbo formoso e grave a que
todos somos chamados: criar para o progresso.

O Criador, ao dotar-nos de razão, a nós, criaturas, conferiu-nos o
poder de imaginar, promover, originar, produzir.

Referimo-nos, frequentemente, à lei de causa e efeito. Sabemos que
ela funciona em termos de exatidão. Utilizamo-la, quase sempre, tão-só para
justificar sofrimentos, esquecendo-lhe a possibilidade de estabelecer
alegrias.

Causamos isso ou aquilo, geramos acontecimentos determinados.
Experimentemos essa força que nos é peculiar, na formação de circunstâncias
favoráveis aos homens.

Antes do comboio a vapor, a eletricidade já existia. Os transportes
arrastavam-se pela tração, mas foi preciso que alguém desejasse criar na
Terra a locomotiva, que se converteu a pouco e pouco no trem elétrico, a fim
de que a Civilização aprimorasse os sistemas de condução que prosseguem para
mais altas expressões evolutivas.

O firmamento era vasculhado pelos olhos humanos há milênios, mas foi
necessário que um astrônomo levantasse lentes, para que os povos recolhessem
as preciosas informações do Universo, que já havia antes deles.

O princípio é idêntico para a vida moral.

Precisamos hoje e em toda parte dos criadores de harmonia doméstica e
social, dos desenhistas de pensamentos certos, dos escultores de boas obras.

O tempo nos ensinará a entender a necessidade básica de se criarem
condições para o entendimento mútuo, como já se estabeleceram normas para o
trânsito fácil do automóvel.

Inventa em tua existência soluções de conforto, suscita motivos de
paz, traça diretrizes de melhoria, faze o que ainda não foi aproveitado na
realização da riqueza íntima de todos.

Provavelmente, estamos na atualidade em estágio obscuro de lições,
sob a situação imperiosa de ações passadas. Mas não nos será correto
esquecer que somos Inteligências com raciocínio claro e que, se antigamente
nos foi possível colocar em ação as causas que neste momento e neste local
nos infelicitam, retemos conosco a sublime faculdade de idear, planejar e
construir.

Ajamos na construtividade de Jesus, sejamos semeadores de esperança.

André Luiz (Waldo Vieira)

(De “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos
Espíritos Emmanuel e André Luiz)

Conhecimento de Si Mesmo



Questão 919 - Conhecimento de Si Mesmo

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

919. Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo".

919.a. Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: "Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos
Espíritos, onde nada pode ser ocultado?""Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado."O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes
e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida."Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse
repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos."SANTO AGOSTINHO.

Comentário de Allan KardecMuitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos.A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer máxima, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que são outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

Jesus na Sessão Espírita do Tabor



JESUS NA SESSÃO ESPÍRITA DO TABOR



O erro da crítica está no confundir o bom e o mau, o que muitas vezes sucede pela má-fé de alguns e pela ignorância do maior número.
(Allan Kardec).

As religiões, quaisquer que sejam, jamais ganharam qualquer coisa por sustentar erros manifestos.
(Ary Lex)

O episódio é denominado, pelos biblicistas, de Transfiguração; embora tenha sido citado pelos Evangelhos Sinóticos ele não consta do de João; eis o que é dito na narrativa de Mateus:


Mt 17:1-9: “Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou à parte, sobre uma alta montanha. E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele. Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: 'Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias'. Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e uma voz, que saída da nuvem, disse: 'Este é meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o!' Os discípulos, ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão. Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: 'Levantai-vos e não tenhais medo'. Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho. Ao descerem do monte, Jesus ordenou-lhes: 'Não conteis a ninguém essa visão, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos'”. (Bíblia de Jerusalém, 1987).

Primeiramente, queremos deixar registrado que há algumas divergências nos textos bíblicos. Uma delas é a de que Mateus e Marcos dizem que tal acontecimento se deu “seis dias” depois (Mt 17,1; Mc 9,2), enquanto, a de Lucas afirma ter sido “oito dias” (Lc 9,28). Mais gritante ainda é o fato de Mateus e Lucas afirmarem que o rosto de Jesus foi que resplandeceu, ao passo que Marcos já diz ter sido o seu manto. Já Lucas é o único que menciona o assunto da conversa de Jesus com os espíritos Moisés e Elias, qual seja: “falavam de sua partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9,31); o silêncio dos outros dois nos causa estranheza. Isso tudo só vem depor contra a tese da inerrância bíblica, comum aos que se recusam a ver que os textos bíblicos muito têm de “inspiração” humana e pouco de divina.

Vejamos quais foram os três fenômenos mediúnicos acontecidos no relato.

Se Lucas descreveu corretamente os fenômenos, quando disse que “Pedro e os companheiros estavam pesados de sono. Ao despertarem, viram sua glória e os dois homens que estavam com ele.” (Lc 9,32), por esse “pesados de sono” podemos classificá-los como de efeitos físicos, tendo como doadores do ectoplasma os discípulos Pedro, Tiago e João. Esclareça-se que é comum, nos fenômenos de materialização, a produção de “uma nuvem luminosa” no momento em que o ectoplasma se exterioriza do médium que, na maioria das vezes, já se encontra em sono profundo, exatamente como essas duas particularidades estão relatadas no passo. Coincidentemente, esses três discípulos também estiveram com Jesus na cura da filha de Jairo, vista como se estivesse morta (Mc 5,21-24.35-43).

1º – Transfiguração:

Foi o que aconteceu com Jesus, quando seu perispírito envolveu seu corpo físico numa luz radiante, pondo em evidência sua elevada condição espiritual. É bem provável ter sido usado o ectoplasma de Pedro, Tiago e João, para se produzir esse fenômeno.

2º – Materialização:

Os dois protagonistas do evento foram Moisés e Elias, ao se materializarem para conversar com Jesus, fenômeno esse que pôde ser visto pelos três discípulos que o acompanhavam.

3º - Voz direta:

A voz que saiu da nuvem, certamente, trata-se de um fenômeno de voz direta, no qual algum ser espiritual se utilizando do ectoplasma, que se apresentava na forma de nuvem, produziu uma garganta ectoplasmática para dar sua mensagem, identificando a Jesus como o enviado de Deus, a quem todos deveriam ouvir.

Nestes tipos de fenômenos todos os que estiverem no ambiente ou local do acontecimento irão vê-los ou percebê-los, exatamente, porque se tratam de fenômenos de efeitos físicos.

No texto vemos claramente que a pessoa a quem atribuem a informação de que a comunicação com os mortos “é abominável ao Senhor”, vem pessoalmente, depois de morto, participar de uma sessão espírita. Essa participação de Moisés e o fato de que Jesus ter tomado parte nela, já são o suficiente para nós não termos, a comunicação com os mortos como uma proibição divina, mas, sim, do próprio Moisés, fora, portanto da estreita visão dogmática, que a coloca como promanada do Criador. Vejamos o passo bíblico sobre isso, o qual dividiremos em dois trechos:
Dt 18,9-12: “Quando entrares na terra que Iahweh teu Deus te dará, não aprendas a imitar as abominações daquelas nações. Que em teu meio não se encontre alguém que queime seu filho ou sua filha, nem que faça presságio, oráculo, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou ainda que invoque os mortos; pois quem pratica essas coisas é abominável a Iahweh, e é por causa dessas abominações que Iahweh teu Deus as desalojará em teu favor.

Dt 18,13-14: “Tu serás íntegro para com Iahweh teu Deus. Eis que as nações que vais conquistar ouvem oráculos e adivinhos. Quanto a ti, isso não te é permitido por Iahweh teu Deus”.
A razão de o dividirmos se deve ao fato de que ninguém, que usa tais determinações contra o Espiritismo, é ético o suficiente para colocar os versículos 13 e 14, pelo simples motivo de que são eles que resumem tudo quanto Moisés estava querendo proibir seu povo de fazer; qualquer criança de maternal entende isso. Assim, fica claro que ele jamais condenou indiscriminadamente a comunicação com os mortos, como querem fazer crer os fanáticos, mas apenas aquelas que tinham por objetivo a adivinhação ou prognóstico de coisas futuras, de cunho meramente material. Um bom exemplo desse tipo de comunicação pode ser visto em 1Sm 28,3-25, quando Saul, primeiro rei de Israel, vai a Endor para, através da necromante, consultar-se com o espírito Samuel, sobre o que lhe aconteceria na guerra contra os filisteus, próxima a acontecer. Necromante é a pessoa que consulta os mortos para fins de adivinhação, exatamente o que havia sido proibido pelo legislador hebreu.

Por que temos certeza de que são ordenações de Moisés e não divinas? Pela simples razão de ser totalmente ilógico Deus ter criado leis naturais para que os mortos pudessem se comunicar com os “vivos” e isso ser, ao mesmo tempo, algo detestável a Ele; só mente de fanáticos pode absorver tal ideia.

Sobre essa proibição, veja-se o que Allan Kardec (1804-1869) tece de considerações:
Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força é que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? É preciso ser consequente. Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos.

Demais, é preciso expender os motivos que justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que ’o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos, como se infere destas palavras de Isaías: “O Espírito do Egito se aniquilará de si mesmo e eu precipitarei seu conselho; eles consultarão seus ídolos, seus adivinhos, seus pítons e seus mágicos”. (19:3). (KARDEC, 2007d, p. 167-168).
Um bom exemplo de que não cumprem rigorosamente a lei de Moisés é o fato de que não mais mandam seus filhos rebeldes para serem apedrejados pelos anciãos do povo à porta das cidades como bem recomenda o Dt 21,18-21; não se faz “réu de morte” os que trabalham aos sábados para cumprir o Ex 21,15; por que não se aplica a pena de morte nos casos citados em Ex 21,12-17?

Muitos contraditores não sabem (ou não querem saber?) que “Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação”. (KARDEC, 2007b, p. 360); em razão disso condenam o Espiritismo, supondo que suas práticas consistem somente de evocações, como se nunca ocorressem comunicações espontâneas. Achamos isso sem sentido algum, pois, por qualquer meio que venham os espíritos – espontaneamente ou atendendo a alguma evocação – só podem se comunicar porquanto houve uma permissão de Deus para tal. A não ser que julguemos os homens com poder suficiente de contrariar a vontade de Deus neste aspecto; então teria sentido a condenação das evocações.

Em nosso livro Os espíritos comunicam-se na Igreja Católica, apresentamos várias provas de que os espíritos só se manifestam com a permissão de Deus. Delas fazemos questão de ressaltar o que disse o espírito André a seu pai, o advogado Lino Sardos Albertine (1915-2005), através de uma médium que ele procurara para entrar em contato com seu filho, quando lhe perguntou o porquê havia morrido tão cedo: “[...] André disse-nos ter nascido para executar uma missão especial, isto é, fornecer as provas da existência da vida após a morte, de modo que muitas pessoas acreditem mais em Deus e respeitem a sua lei. […] (ALBERTINI, 1989, p. 24-25, grifo nosso). Não fosse a intolerância religiosa, André não teria morrido em vão.

Querem alguns mal-informados detratores estabelecer uma relação direta entre Espiritismo e feitiçaria, a resposta a fanáticos desse tipo, já foi dada por Kardec:
Acusam-no de parentesco com a magia e a feitiçaria; […] Certamente, a distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a que existe entre a Astronomia e a Astrologia, a Química e a Alquimia. Confundi-las é provar que de nenhuma se sabe patavina. (KARDEC, 2007e, p. 31-32).

Só a malevolência e uma rematada má-fé puderam confundir o Espiritismo com a magia e a feitiçaria, quando aquele repudia o fim, as práticas, as fórmulas e as palavras místicas destas. Alguns chegaram mesmo a comparar as reuniões espíritas às assembleias do sabbat, nas quais se espera o soar da meia-noite, para que os fantasmas apareçam. (KARDEC, 2001, p. 70-71).

Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo valor os fenômenos possíveis, sem sair das leis naturais. (KARDEC, 2001, p. 104).
Custa-nos acreditar que, em pleno século XXI, ainda encontremos pessoas com a capacidade mental de julgar que Espiritismo e feitiçaria são a mesma coisa, dada a quantidade de obras espíritas disponíveis; inclusive, na Internet, pode-se ler muitas delas de graça.

É por demais curioso o fato de que Jesus, depois do acontecimento, não disse para os discípulos não fazerem o que Ele estava fazendo – conversando com mortos -, mas, apenas, pediu-lhes que só contassem o ocorrido após sua ressurreição. E por que justamente após a Sua ressurreição? Resposta: justamente para comprovar a existência da comunicação dos espíritos com os vivos, e mostrar que a Sua presença, depois da morte, era semelhante à de Moisés e à de Elias, ocorridas no momento da “transfiguração”; veja-se que a própria manifestação de Jesus, após a Sua morte física, já prova que os mortos podem se comunicar: “Ainda a eles, apresentou-se vivo depois de sua paixão, com muitas provas incontestáveis: durante quarenta dias apareceu-lhes e lhes falou do que concerne ao Reino de Deus” (At 1,3). “Apresentou-se vivo”, é claro, porquanto a morte só atinge ao corpo físico; jamais ao Espírito imortal. Lembram-se de quando ele apareceu a Saulo? O intrépido perseguidor dos cristãos ficou cego por três dias, demonstrando que a luz produzida pelo perispírito de Jesus O qualifica como um espírito da mais elevada estirpe.

Convite à Tolerância





Convite à Tolerância


"Mas para que os não escandalizemos..." (Mateus: capítulo 17º, versículo 27.)

A calúnia vil se origina comumente na suspeita sordida.

O incêndio que lavra com voracidade é fruto, às vezes, de uma fagulha indisciplinada.

A cólera devastadora surge, não raro, da contínua irreflexão.

A seara feliz tem começo no grão.

O gesto estóico que salva vidas nasce na piedade fraternal.

A molécula, o átomo, a célula de tão insignificante aparência são, no entanto, os elementos básicos encontrados em toda parte.

Também a gota de leite e o bálsamo medicamentoso, o trapo e a moeda singela, o alfabeto e o Evangelho ofertados lentamente aos que transitam pelos caminhos do mundo, de pequena monta, são essenciais à felicidade de todos.

A tolerância, também, aplicada indistintamente entre todos e em qualquer lugar, é lição viva de fé e elevação, que não pode ser desdenhada.

Tolerar, no entanto, não significa conivir.

Desculpar o êrro não é concordar com ele.

Entender e perdoar a ofensa, não representa ratificá-la.

Indispensável, não entrar em área de atrito, quando podes contornar o mal aparente a favor do bem real.

Tolerância é caridade em começo. Exercitando-a, em regime de continuidade, defrontarás com os excelentes resultados do bem onde estejas, com quem convivas.

Condescendência para com os direitos alheios, não produzindo choque, não escandalizando, seguindo os mesmos caminhos de todos com atitude correta na busca dos alvos dignificantes, é relevante testemunho de tolerância.

Jesus, o perene Instrutor, convidado a pagar o tributo, aquiesceu, elucidando: "para os não escandalizarmos", cumprindo, assim, com os deveres junto a César para melhor desincumbir-se dos sublimes compromissos para com Deus.

FRANCO, Divaldo Pereira. Convites da Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 56.

* * * Estude Kardec * * *

Consciência e corrigenda




Consciência e corrigenda


Singular abatimento paulatinamente dominava a elegante senhora.

Cercada pelo carinho de largo círculo de relações e comodamente
instalada, a dama apresentava-se angustiada, inquieta, registrando
singulares anomalias físicas e psíquicas, antes ignoradas.

Receando agravar-se o estranho sofrimento, resolveu visitar um
psiquiatra de renome, espírita que, segundo várias pessoas, realizava
milagres.

— Não sei a razão do meu atual estado — começou a consulente com
desenvoltura, enunciando as síndromes várias da pertinaz aflição.

O esculápio escutou-a com serenidade, cenho franzido, gentil.

Após interrogações necessárias a uma anamnese completa quanto
possível, esclareceu, delicado:

— Compete-me usar de franqueza, a fim de projetar luz no seu
problema. Assim, rogando-lhe desculpas, solicito igualmente, a mesma
lealdade.

— A senhora não teria abortado recentemente?

A pergunta honesta, endereçada com algum constrangimento, surpreendeu
a senhora, que retrucou:

— Sou viúva há mais de cinco anos, doutor, e mantenho uma vida
honrada, respeitando a memória de meu esposo.

— Contudo, o seu caso me parece típico... Procure recordar-se...
Andes da desencarnação do esposo... Às vezes as consequências são tardias...

— Nunca, nunca eu me submeteria a tal. Não tive a honra de ser mãe,
conquanto o desejasse ardentemente...

— Confesso-lhe a minha estranheza, porque essa sintomatologia é de
ordem espiritual, mui complexa...

Houve um silêncio incômodo. O médico demonstrava embaraço.

— A senhora tem religião? — Indagou.

— Não exatamente — respondeu — Hoje sou livre-pensadora...

— Qual a sua profissão?

— Sou obstetra prática e, para ser-lhe franca, somente por
sentimentos humanitários, para salvar moçoilas inexperientes e senhoras
doidivanas, já pratiquei nelas 150 abortos, ou melhor para ser exata: 152.
Tenho tudo catalogado, a caráter, com verdadeiro zelo.

— ... Aí está a causa da sua enfermidade. Remorso inconsciente,
sintonia com as suas vítimas e obsessão sendo instalada com segurança cujas
consequências serão imprevisíveis... É necessário voltar-se para Deus e
despertar...

... — Mas eu aqui venho — revidou, ofendida, a cliente, — ouvir um
psiquiatra não um religioso... De religião, para mim, chega!

E saiu, revoltada.

*

Todos os males procedem do espírito graças aos erros praticados, que
ressurgem como necessários corretivos para o despertamento dos infratores.

Quão poucos, ainda, estão dispostos à reparação e ao enobrecimento
pessoal!

Acautela-te, portanto.

Ignotus

(De “Sementeira da Fraternidade”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos
Espíritos)

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