Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Amparadores Espirituais



(Matéria publicada na Revista Sexto Sentido N. 21 - maio de 2001).

Em entrevista especial à Revista Sexto Sentido, o professor Wagner Borges, especialista em projeção astral, fala de modo claro e objetivo sobre os Amparadores Espirituais - seres que auxiliam as pessoas na hora da morte - fornecendo detalhes impressionantes sobre a transição a que chamamos morte e as dimensões do outro lado da vida.

Nós sabemos que você faz parte de um grupo de Amparadores Espirituais no plano astral, que ajudam as pessoas na hora da morte. Quem são esses Amparadores e exatamente de que maneira eles, ou vocês agem?

- Os amparadores são um grupo de espíritos formado principalmente por orientais. São egípcios, chineses, tibetanos, pessoas que já lidaram com algo parecido aqui na Terra, em outras épocas, que desencarnaram e estão em um nível excelente. Quando o corpo espiritual se desprende do físico durante o sono ou na morte, ambos estão conectados por um campo energético, que é a aura. Nessa aura estão os chacras e os filamentos energéticos que saem desses chacras se juntam para formar uma ligação - a ligação do espírito com o corpo através do conhecido cordão de prata. Na hora do desprendimento definitivo ou morte, seres espirituais bondosos e evoluídos aparecem e desconectam esses filamentos para desprender o espírito, da mesma forma que um parteiro ajuda no nascimento de um bebê e no desligamento da ligação que é o cordão umbilical. Os seres desligam o cordão de prata e sobra um coto de cordão, só que não é no umbigo, mas na cabeça do corpo espiritual. Nesse momento, normalmente a pessoa apaga, como um mecanismo da consciência. Então ela é puxada para um vórtice, como se fosse uma passagem entre dimensões - por isso as pessoas que têm experiências de quase-morte falam sobre passar por um túnel de luz, que é uma abertura entre dimensões. Então, os Amparadores puxam a pessoa para fora do corpo e a ajudam a atravessar o buraco energético, fazendo com que ela saia na dimensão seguinte, que as pessoas chamam de plano espiritual ou plano astral. Normalmente, ela desperta algumas horas ou dias depois num hospital espiritual. Esses hospitais foram construídos por seres avançados, que elaboram formas mentais e as plasmam com o pensamento. São construções energéticas que, para os espíritos naquela freqüência, são tão sólidos quanto os objetos desta nossa dimensão terrestre. Os espíritos mais sutis atravessam esses ambientes porque são mais rarefeitos, mas naquela dimensão, para quem está lá, os objetos são tão densos quanto os daqui são para nós. A pessoa se vê num ambiente propício para a recepção de recém-desencarnados, onde o que sobrou do cordão de prata é então rompido.

A pessoa acorda num hospital extrafísico após a morte, não porque esteja doente, mas para romper essa conexão. Esses hospitais são locais de transição. Dali ela passa para a dimensão correspondente ao seu nível. Nossos pensamentos e emoções se plasmam energeticamente em nossa aura, em nosso corpo espiritual. Assim, nós somos a somatória do que pensamos, sentimos e fazemos durante a vida. A cada noite, quando nos desprendemos para fora do corpo físico, o corpo espiritual carrega a vibração de tudo que ocorreu naquele dia. Na hora da morte, a vibração do corpo espiritual é a soma de tudo que você pensou, sentiu e fez durante uma vida inteira.

Pode-se dizer que cada pessoa que desencarna carrega um campo vital contendo tudo o que ela é como resultado de tudo o que desenvolveu e fez em vida. Quem tem uma vibração ´x´ no corpo espiritual, após a morte é atraída para o plano extrafísico de uma dimensão ´x´, compatível com a vibração que ela porta.

O plano espiritual se divide em subdimensões. Muitos as dividem em sete níveis, outros em três. Os que dividem em três fazem da seguinte maneira: plano astral denso, plano astral médio e plano astral superior. No denso estariam as pessoas complicadas, seria o chamado umbral, o Inferno. O plano astral superior seria o Paraíso do Espiritismo. E o plano astral médio seria onde se encontram as pessoas mais ou menos, ou seja, iguais a nós, mais ou menos boas, mais ou menos complicadas. Em outras palavras, a maioria.

E o lugar que os espíritas chamam de Umbral?

- A palavra umbral significa muro, e é a divisória entre o plano terrestre e o plano astral mais avançado. Uma divisória vibracional, onde quem tem o corpo espiritual denso não atravessa, como uma peneira vibracional. Eu costumo dizer que Inferno e Paraíso são portáteis: você carrega dentro. Se está bem, o Paraíso está dentro de você. Se sai do corpo nessa condição, você é atraído por uma vibração semelhante a que existe em seu interior. A passagem para o Paraíso está dentro de nós. E o Inferno é a mesma coisa, é um estado íntimo. Veja uma pessoa cheia de auto-culpa e compare com aquela imagem clássica do diabo colocando alguém dentro da caldeira e espetando. A auto-culpa espeta mais do que qualquer diabo, porque nem é preciso o Inferno vir de fora: ele já está dentro e o diabo é você mesmo.

O Umbral é uma região muito pesada porque reflete o estado íntimo de quem lá está. Você encontra lugares que lembram abismos, cavernas escuras, tudo exteriorizado do subconsciente dos espíritos, como formas mentais. Quando você olha no fundo desses abismos vê que está cheio de espíritos, mas eles não voam, são densos. Você encontra favelas no plano espiritual, cidades medievais. Os espíritos vivem presos a formas mentais das quais, muitas vezes, é difícil escapar. São esses que os seres evoluídos buscam ajudar nessas dimensões.

E como eles fazem isso?

- Normalmente, resgatam os sofredores usando médiuns ou projetores astrais fora do corpo, utilizando a energia do cordão de prata para se tornarem mais densos e puxar as pessoas. É por isso que, desde os 15 anos, fui levado muitas vezes a esses ambientes para dar passes nos espíritos, fora do corpo. Você dá um passe e isso muda o padrão vibracional do corpo espiritual da pessoa. Tão logo isso acontece, os espíritos mais avançados, que não tinham acesso, conseguem pegar a pessoa e levar para um hospital extrafísico. Aí começa um tratamento energético, puramente de luz, para desintoxicar os chacras extrafísicos do corpo energético, e tratamento psicológico para fazer a pessoa encarar sua situação, conseguir se entender e sair daquele problema. E também é trabalho, terapia para que a pessoa saia daquilo sem ter auto-culpa, porque a auto-culpa segura a pessoa no passado. Ela precisa entender que Deus não condena ninguém.

Eu já passei por lugares desse Umbral em que era tudo escuro, e eu sentia que passava por cima de pessoas que se arrastavam. A única luz que tinha ali era a minha, um ser humano. E algumas pessoas se seguravam em mim e falavam, "Anjo, me tira daqui!". Eles achavam que eu era anjo porque tinha alguma luz.

E você não tinha como tirar essas pessoas de lá?

- Não, porque tinha ido tirar uma pessoa determinada. Eu estava direcionado para pegar uma e puxar. E também, vários daqueles que estão ali sofrendo e pedindo ajuda, se forem tirados daquele ambiente e levados para um lugar melhor, basta que se recuperem um pouquinho e já começam a aprontar. Esse pessoal precisa ralar um pouco para perceber que não se pode fazer ao outro aquilo que você não quer que façam com você. Não é uma punição divina, é causa e efeito. O que você fez para o outro fica marcado em você. Eu cresci no Rio, na Baixada Fluminense. Vários amigos meus morreram por causa de droga, outros porque se tornaram policiais e morreram em tiroteio com bandidos, cumprindo o dever, e outros se tornaram marginais. Um desses rapazes virou policial e fez parte de um grupo de extermínio de bandidos. Eu já tinha me mudado para São Paulo, e ele inclusive já não mora mais no Rio - deixou a polícia, nem sei onde está. Eu despertei fora do corpo no Rio de Janeiro, na rua do bairro onde cresci, e comecei a ouvir uma gritaria. Lá na ponta da rua começou a aparecer uma energia alaranjada, pesada, e de repente chega o rapaz correndo. Ele estava fora do corpo perseguido por um grupo de doze espíritos, com pedaços de pau nas mãos - tudo plasmado: facões, etc. Gritavam. "Pega, pega esse miserável!". E o sujeito estava projetado fora do corpo, ou seja, fora do corpo ele é perseguido pelos sujeitos que ele matou. Eles passaram correndo perto de mim e, quando ele passou, eu vi que estava cheio de buracos de bala, plasmado no corpo espiritual. Aí eu entendi uma coisa que o espírito André Luiz sempre falou nos seus livros: cada coisa que você faz para o outro fica marcada em você espiritualmente. Cada bala que ele tinha enfiado em alguém, a marca estava nele, porque a forma mental do ato ficou grudada nele. Se durante o sono ele já está assim, imagine na hora em que desencarnar. Ele vai ficar nesse plano astral denso por um bom tempo.

Lembra um pouco o filme Ghost.

- Muitas coisas ali são reais, e também o Sexto Sentido. Ou aquele filme Amor Além da Vida, com Robin Williams - aquela parte de formas mentais plasmadas. É a riqueza do filme. Aquela parte do Umbral, em que ele vai buscar a mulher suicida, é baseada na Divina Comédia do Dante Alighieri. Dante foi um grande projetor. Como vivia no século XIV, em Florença, Itália, ele não podia falar abertamente porque iria para a fogueira. Aí ele camuflou os relatos. Todas as pessoas que se projetam e já foram nesses planos pesados sabem que o Dante era um viajante astral, porque já viram coisas parecidas. É uma outra realidade, que a humanidade não conhece. Mas uma coisa é certa: não vale a pena fazer o mal. Não é que deus vai punir ou o Diabo vai pegar, mas você carrega de dentro de si tudo aquilo para fora e forma o ambiente. Todo algoz se transforma em vítima. O que Jesus ensinou sobre tentar fazer o bem, tentar ajudar os outros na medida do possível não foi à toa. Aquilo não tem nada de religioso - é código de vida.


AMPARADORES ESPIRITUAIS - PARTE II
(Segunda parte da matéria, publicada na Revista Sexto Sentido N. 22 - junho de 2001).

O especialista em projeção astral Wagner Borges conversou com a Revista Sexto Sentido sobre sua atuação como amparador espiritual, ajudando espíritos que encontram dificuldades para enfrentar a vida após a morte do corpo físico.

Você já presenciou alguns desencarnes?

- Sim. Eu já vi pessoas morrerem e servi como elemento de ajuda no desprendimento. Outro dia tive uma experiência. Vi um barco bem primitivo, cheio de africanos, que estava fugindo de alguma coisa. O barco virou e todos morreram afogados. Eu vi os espíritos saírem do corpo e, na hora, apareceu uma mulher hindu, desencarnada, que estendia as mãos e projetava luz, puxando os espíritos e enfiando-os dentro de um vórtice de energia. Eu já sabia que eles seriam recebidos do lado de lá. Mentalmente ela me disse que os seres humanos são cegos e não estão vendo esse amor, que os leva para o outro lado na hora certa. Que todo mundo recebe assistência.

Quem define a vinda desse ser, que chega para ajudar? Ele sabe o que vai acontecer com antecedência?

- Ela já sabe que vai acontecer. O processo de reencarnação não é aleatório. Existe uma organização extrafísica, com seres mais avançados que coordenam os processos daqueles que estão submetidos à roda reencarnatória. Vou dar um exemplo: quando você era pequeno, você não escolheu o colégio em que estudou - seu pai e sua mãe o levaram para lá. Depois, você cresceu e pôde escolher seu caminho. Quando uma consciência ainda não sabe o que é melhor para ela, seres mais avançados coordenam o processo até ela alcançar a maturidade para decidir o caminho. Então, esses seres fazem com que ela reencarne em países e situações adequados para aquela determinada alma aprender o que precisa. Às vezes, você vem para uma vida para aprender uma única característica que está faltando. Nós temos livre arbítrio e podemos, por exemplo, encurtar o tempo. O suicida é um exemplo disso. Ele vem com uma carga vital e acaba se suicidando. Vamos chamar a vida na Terra de ano letivo: o corpo é o uniforme, o planeta é a escola. Você é enviado para uma série, cada vida é uma série. Ao longo da vida certas coisas vão acontecer e não são livre arbítrio, mas experiências que esses professores preparam para que a pessoa aprenda algo. Mas existe o livre arbítrio. Dentro da sala de aula, o aluno não escolhe o currículo que vai estudar, mas, por exemplo, pode escolher fazer amizade com o colega ao lado ou não. Ele pode estudar mais ou menos. Pode quebrar a carteira ou não. A postura do aluno dentro da sala de aula é livre arbítrio - o currículo que o aluno vai estudar é programado. Como o aluno reage a esse currículo é livre arbítrio.

E os ciclos familiares? Dizem que ficamos reencarnando junto com as mesmas pessoas de um determinado ciclo até as pendências entre todas serem resolvidas.

- Depende - isso também é relativo. Existem milhares que reencarnam ao longo dos séculos e acabam se encontrando ao longo das vidas, mas têm muitas pessoas que ainda estamos conhecendo, que não vêm de uma vida passada. Alguns se perguntam: se há reencarnação, por que a população da Terra continua aumentando? Porque vêm pessoas de outros planetas para cá. Existem milhares de humanidades semelhantes à nossa, espalhadas pela galáxia, na mesma evolução que nós. Existem milhares de outras bem superiores, e milhares bem inferiores.

O que ocorre quando existe uma grande catástrofe, como terremotos?

- É uma espécie de carma coletivo. As pessoas são atraídas para o lugar. Por exemplo, se precisa passar pela experiência de morrer em um terremoto, você não vai nascer no Brasil, mas na Califórnia, nas Filipinas, no Japão, em países sujeitos a terremotos. O pessoal que programa isso do lado de lá vai encaixar a pessoa num lugar em que ela passe por aquela experiência. Isso já é direcionado. Quando ocorre a tragédia coletiva, o pessoal do lado de lá já sabe com antecedência e todos se preparam bem antes. Do mesmo jeito que existem bancos de sangue nos hospitais, existem bancos de energia do lado de lá. Como esses espíritos são sutis e as pessoas que estão desencarnando, muitas delas, estão em condições bastantes densas, vários meses antes eles começam a extrair energia de médiuns, de pessoas bondosas, de grupos ocultistas, espíritas, iogues. Eles captam essas energias sem ninguém saber e vão guardando dentro de aparelhos extrafísícos. Quando ocorre a tragédia, eles usam essa energia para romper os cordões de prata, porque são energias de seres humanos para seres humanos, mais compatíveis. Eu já vi isso do lado de lá. Esses seres espirituais que ajudam - os chamados amparadores, guias espirituais ou benfeitores - são pessoas, seres humanos desencarnados. Entre eles você vai encontrar desde gente quase igual a nós, do mesmo nível, pessoas bacanas, até aquele ser superavançado que nem mais parece gente como nós, mas uma criatura totalmente de luz.

E como alguém é recrutado para essa função?

- Na verdade, nós somos agentes interdimensionais e já fazíamos parte dessa equipe do lado de lá. Apenas reencarnamos para servir de suporte aos outros. A maioria dos sensitivos que conheço é dessa turma, e é por isso que a comunicação que tenho com eles é natural. Eu não acho que eles são superiores a mim, eles são meus colegas. Agora, é claro que vai ter um colega mais ou menos igual, um mais complicado e um mais avançado, como qualquer grupo de amigos. Você vai ter um amigo que é gênio, um amigo que é chato e um que é igual a você. Espíritos são apenas seres humanos extrafísicos, eles não são divindades. Por exemplo, eu não faço preces para espíritos. Quando ergo a mente em agradecimento, penso num Todo, numa Consciência Cósmica, e se eu tiver de pensar em alguém, penso em alguém como Buda, Jesus, não como foco religioso, mas como foco de inspiração, de exemplo.

Você tem um mentor?

- Tenho vários mentores. Existem sempre dois ou três que me acompanham há mais tempo. Um deles se chama Vyasa, um hindu, e é quem eu chamo de mentor de muitas coisas que escrevo. Esse é muito presente. Tem outro que aparece como um chinês. E, dependendo da atividade do momento, um ou outro é mais presente. Tecnicamente falando, guia espiritual é qualquer um que ajude você em algum caminho. Até o ser humano ao seu lado pode ser seu guia, se ele abre caminho para você. Mas, por melhores que sejam os guias, nenhum deles pode caminhar por nós. O que eles podem fazer é apontar caminhos, sugerir idéias. E os guias também não tiram obstáculos do caminho, porque esses obstáculos nos fazem crescer. Isso equivale a uma prova na qual o professor não pode dar as respostas ao aluno. O guia, que é um professor, um mestre extrafísico, não pode dar resposta de alguns dramas, porque você aprende mais na crise. Se o guia eliminasse a prova a pessoa não desenvolveria aquela qualidade. A função do guia, então, é tentar inspirar, para que você agüente o tranco da prova, para que sua paciência seja grande, para que seu amor não decaia, para que sua luz continue acesa, mesmo que tudo esteja em trevas à sua volta.

E quando o guia vê, por exemplo, que uma pessoa vai cometer suicídio?

- Ele tenta o máximo possível jogar ondas mentais para ajuda-la. Só que a pessoa costuma estar tão fechada em suas próprias formas mentais que fica impermeável. É a mesma coisa que tentar conversar com um bêbado. Ele não escuta. Eu costumo dizer que muitas pessoas estão embriagadas emocionalmente: elas não bebem álcool, mas bebem emoções pesadas, tão pesadas que a capacidade de discernimento desaparece. A pessoa é impermeável a tudo de bom que alguém tenda dizer para ela aqui mesmo, na Terra; imagine do lado de lá. Aí entram as leis de causa e efeito: a cada um segundo os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus atos. É a lei mais justa que conheço, na qual cada um recebe, lá na frente, aquilo que fez. Nós vamos semeando a pista em que iremos andar; alguns jogam pregos, e daqui a pouco começam a furar o pé nos pregos que jogaram. Mas existem pessoas que jogam flores.

Isso é causa e efeito, é carma, não tem nada a ver com punição. O umbral não é criação divina, é criação humana, porque esse plano é plasmado a partir das coisas trevosas que estão dentro de nós. Foi o ser humano trevoso que criou o plano astral pesado, da mesma forma que o ser humano avançado criou o plano astral avançado.

Existem idosos que desencarnam e seu espírito se manifesta para pessoas 20, 30 anos depois com a mesma aparência envelhecida. Outros parecem mais jovens. Por que?

- O corpo físico não reflete nosso estado íntimo. Por exemplo, eu posso estar mal, mas disfarçar e ficar rindo, e você não vai saber que estou mal. O corpo físico, o rosto é uma máscara que não reflete o que pensamos, por isso, podemos enganar uns aos outros. Quando você sai do corpo, o corpo espiritual reflete o que você pensa, de modo que não dá para enganar o seu estado íntimo. Até aqui, no plano físico, às vezes você vê um ancião e ele tem viço na expressão; outras vezes você vê um jovem e ele está apagado. Quando a pessoa deixa o corpo, o espírito que estava dentro dele, independente da idade, pode remoçar, porque seu estado íntimo é jovem e o corpo espiritual plasma uma imagem remoçada. Aquele que estava mal pode aparecer envelhecido, carregado.

Se a pessoa deixa o corpo com uma doença, ela pode continuar com a doença no astral?

- Pode continuar até se desprender do condicionamento da doença. Por exemplo, muitos cegos passaram tantos anos sem enxergar que acham que não conseguem ver. Então, às vezes é feito um trabalho psicológico para a pessoa perceber que não está cega e que aquilo é um condicionamento. Uma vez eu vi um desencarnado que voava numa cadeira de rodas. Ele não saía da cadeira porque passou 50 anos sentado em uma. Essa cadeira não era mais física, virou psíquica, era o apoio dele. O homem desencarnou e carregou a forma mental da cadeira de rodas. Depois de um tempo ele vai se descondicionar e passa a voar normalmente, mas às vezes a morte não quebra um condicionamento.

Mesmo depois do espírito ter passado por um hospital extrafísico, onde seu cordão astral é rompido, ele passa por um tratamento para se adaptar à nova realidade de sua existência sem corpo?

- Muitas vezes. O tratamento nos hospitais é energético, mas quem pode mudar sua consciência? Pode-se tentar mudar a energia, deixar a pessoa mais leve, mas ela mesma pode fazer esse processo ficar arrastado, lento. Sem falar daqueles que não aceitam ter morrido, devido a vários fatores. A pessoa se vê num corpo espiritual que reflete a aparência do físico; ela olha para si mesma e pensa que não morreu, porque está com o mesmo corpo, ou porque Jesus não apareceu como tinha sido prometido, ou porque achava que depois da morte ia ficar dormindo até o dia do Juízo Final. E, se perguntam a ela por que ninguém a vê, ela diz que estão todos cegos. A pessoa arranja mil e um motivos para não admitir o que aconteceu.

Imagine as pessoas que negam a morte a vida inteira - quando morrem elas não vão querer discutir isso e arranjam uma camuflagem psicológica, distorcendo a realidade. Uns falam que é um pesadelo, que vão acordar e descobrir que tudo aquilo não é verdade. Ou que os espíritos à sua volta são demônios, que estão torturando. A pessoa fica num estado de confusão e, às vezes, demora para melhorar. Mas uma coisa eu garanto: toda pessoa que está bem por dentro tem um processo muito mais rápido do lado de lá. E uma coisa com a qual as pessoas não podem se enganar: uma excelente pessoa pode morrer violentamente, atropelada, ou assassinada. O fato do corpo dela ter ficado em picadinhos embaixo de um carro não significa que ela esteja mal. Um segundo depois ela pode estar bem do lado de lá. E o fato de alguém morrer na cama, dormindo, não garante que ela vá estar bem do outro lado. Tem muito pilantra que morre dormindo. As pessoas se iludem com a aparência do cadáver. O gênero de morte não determina a qualidade da consciência, porque o que determina essa qualidade não é a morte e sim o que se fez em vida.

Existem pessoas que, antes de deixar o corpo, começam a ver parentes já falecidos.

- Isso porque eles geralmente vêm ajudar, vêm puxar a pessoa para fora. Ainda mais alguém de idade, que já está adoentado, com os sentidos físicos amortecidos. Essa pessoa está tendo um adiantamento e, dias antes, já começa a ver o pessoal. Eu acho legal a pessoa se desprender consciente do processo, porque ela carrega essa certeza dentro dela e, nas próximas vidas, nasce encarando a questão da morte como algo natural.

Uma dica que eu dou para o leitor: se a pessoa porventura estiver saindo do corpo na hora da morte, e estiver consciente, ele vai ver seres a sua volta. Se vir algum vórtice energético, ela deve entrar, porque irá fazer uma passagem de dimensões tranqüila. Se ela não vir ninguém - porque, às vezes, devido à diferença vibracional nessa hora, o cordão de prata ainda não se rompeu; os seres estão ali, mas a pessoa não está vendo - , um conselho que eu dou é estender as mãos para a frente e projetar luz no centro da testa. O que acontece? O padrão dimensional do corpo espiritual dela muda e ela vê todo mundo ao redor.

E o que acontece depois que alguém desencarna, passa por um hospital e já se encontra adaptada a sua dimensão?

- Nessas dimensões existem cidades extrafísicas plasmadas por seres avançados, nas quais vivem comunidades de espíritos. Quando a pessoa sai do corpo, vê o ambiente imediato, o quarto, a cama. A próxima dimensão é o umbral, o plano astral mais pesado. Passando por ele, estão os hospitais extrafísicos e, a seguir, as cidades astrais. A pessoa não precisa passar por uma dimensão inferior para chegar à outra, porque é uma questão de sintonia. Não é um deslocamento espacial, mas um deslocamento de consciência.

Essas cidades, que existem sobre os lugares físicos, lembram os ambientes imediatos de onde a pessoa saiu. Por exemplo, uma cidade extrafísica por cima de São Paulo reflete uma realidade igual à de São Paulo. Os espíritos mantêm uma realidade igual paralela para que a pessoa se sinta ambientada logo que desencarna. Nessas cidades espirituais não existem problemas de dinheiro ou violência - é como se fosse a humanidade legal, projetada do lado de lá. É um ambiente humano, com nível igual ao nosso aqui, só que projetado do lado de lá. Então, as pessoas têm atividades de trabalho, lazer, como aqui, mas tudo simplificado e aprofundado. Ou seja, é o plano físico perfeito. Depois dessas cidades extrafísicas - em que a pessoa recupera a lembrança de vidas passadas, reaprende a voar, retoma ao seu nível -, ela passa para outra freqüência, mais compatível com seu estado interno. São os chamados lugares de estudo e aprendizado. Todo mundo que está ali sabe que teve outras vidas, lembra de tudo, sabe mexer com energia e já ajuda os outros. Nesses ambientes você ainda vê a divisão homem e mulher. Espírito não tem sexo, mas eles mantêm a identidade.

Influências dos Espíritos em Nossas Vidas



Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos Espíritos:

459. “Influem os espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?”

“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

Coloca ainda o Codificador:

“Essa influência é permanente e os que não se preocupam com os Espíritos, ou nem mesmo creem na sua existência, estão expostos a ela como os outros, e até mais do que os outros, por não disporem de meios de defesa”(LM, item 244).

“Seria errado pensar que é necessário ser médium para atrair os seres do mundo invisível. Eles povoam o espaço, estão constantemente ao nosso redor, nos acompanham, nos veem e observam, intrometem-se nas nossas reuniões, procuram-nos ou evitam-nos, conforme os atrairmos ou repelirmos”(LM item 232).

Assim, todos nós, de uma maneira ou de outra, estamos sujeitos à influência dos Espíritos desencarnados.

Classificação:

Influência Espiritual

(pelos efeitos)

Influência Espiritual Positiva Influência Espiritual Negativa

Influência Espiritual Positiva: Espíritos superiores: os bons e os propensos ao bem.

Influência Espiritual Negativa: Espíritos inferiores: os malfazejos e ignorantes do bem.

Influência Espiritual Positiva

Podemos colocar nessa categoria todas as influências de Espíritos bons, dos propensos ao bem e daqueles que querem, de alguma sorte, nos ajudar em nosso progresso espiritual. Como exemplo, podemos citar o nosso anjo da guarda, cuja missão é amparar-nos em nossa jornada evolutiva.

Influência Espiritual Negativa

Classificação:

Influência Espiritual Negativa

Natural Obsessão

Natural: Espíritos ignorantes de sua situação no mundo espiritual agindo sobre o encarnado sem intenção de prejudicá-lo.

Obsessão: Espíritos inferiores atuando deliberadamente sobre outro Espírito - encarnado ou não - querendo prejudicá-lo de alguma forma.
Natural

Muitos Espíritos, por ainda não estarem plenamente conscientes de sua situação no mundo espiritual, inclusive, alguns ainda julgando estarem vivos, acabam influenciando os encarnados mesmo sem terem algum interesse específico em prejudicá-los; ao se aproximarem dos que se encontram presos à matéria sentem um certo alívio, como se dividissem com eles suas dores e sofrimentos.

Acreditamos que alguns lugares especiais favorecem esse tipo de sintonia, como aqueles nos quais ocorrem mortes ou nos que há ou lidam com pessoas mortas, tais como: hospitais, funerárias, velórios, cemitérios, etc.

Obsessão

Definição:

Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê abraços neste mundo. A obsessão que é um dos efeitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.

Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. [...]. (KARDEC, A Gênese, p. 347).

(Houaiss: pulular: existir, ser ou concorrer em grande número; abundar, sobejar, fervilhar, formigar)

“A obsessão é uma espécie de enfermidade de ordem psíquica e emocional, que consiste num constrangimento das atividades de um Espírito pela ação de um outro”.

“A influência maléfica de um Espírito obsessor pode afetar a vida mental de uma pessoa, alterando suas emoções e raciocínios, chegando até mesmo a atingir seu corpo físico”.

“A influência espiritual só é qualificada como obsessão quando se observa uma perturbação constante. Se a influência verificada é apenas esporádica, ela não se caracterizará como uma obsessão. Somente os Espíritos maus e imperfeitos provocam obsessões, interferindo na vontade do indivíduo, fazendo com que ele tenha ações contrárias ao seu desejo natural”.

• Na visão do espírito Manuel Philomeno de Miranda:

“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada, de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.” (Divaldo Pereira Franco –Nos Bastidores da Obsessão).

Sabemos ser de longa data esse fenômeno de influência espiritual negativa, até mesmo na Bíblia vamos encontrar o seu registro. Vejamos por exemplo:

Mc 5,1-10: “Chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. Quando desembarcou um homem possesso de um espírito impuro, saindo dos sepulcros, logo foi ao seu encontro. Ele morava nos sepulcros e ninguém conseguia mantê-lo preso, nem mesmo com correntes, pois muitas vezes lhe haviam algemado os pés e as mãos e ele, arrebentava as correntes, quebrando as algemas, e ninguém o dominava. Passava o tempo inteiro nos sepulcros e sobre os montes, gritando e ferindo-se com pedras. Quando viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou com voz forte: ‘Que é que tens tu comigo Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Em nome de Deus não me atormentes!’ É que Jesus lhe tinha dito: ‘Espírito impuro, sai deste homem!’ Depois, ele lhe perguntou: ‘Qual é o teu nome?’ Respondeu-lhe: ‘Meu nome é legião, porque somos muitos’. Suplicava-lhe então, com insistência, que não o expulsasse daquela região”.

No Novo Testamento o termo demônio tem o significado de espírito impuro; vejamos:

É algo que, também, podemos encontrar em nosso dia a dia; citamos, como exemplo, um fato narrado num artigo publicado em agosto de 1995, pelo jornal Estado de Minas, na coluna “Um dia no Mundo”:

Fantasma

Um assassino se suicidou em uma prisão do Cairo para escapar do fantasma de sua vítima, que vinha assombrá-lo todas as noites. Mohammad El Kazaz, 30 anos, foi condenado a 15 anos de prisão por ter assassinado uma mulher após roubar seu dinheiro.

Sozinho em sua cela, confessava aos carcereiros que ouvia a voz de sua vítima, chamando-o para a morte. Não suportando mais a tortura, improvisou uma corda com suas roupas e se enforcou nas grades da cela.

Nos processos de desajustes considerados como provenientes de uma obsessão, quase sempre vamos encontrar sinais que podem caracterizar o fenômeno:

- sonhos ruins,
- pesadelos frequentes,
- indução ao vício,
- mundanismo,
- instintos de agressividade além do normal,
- desejo de abandonar a vida social ou familiar,
- ideia de suicídio,
- ruídos estranhos à volta do paciente,
- frequente visão de vultos,
- impressão de ouvir vozes.

Motivos que levam um espírito a praticar a obsessão

Kardec, em O Livro dos Médiuns, relaciona os motivos que acabam por desencadear uma obsessão:
• vingança que um Espírito leva a efeito procurando fazer justiça pelas próprias mãos.
• desejo de fazer o mal, pois, como sofre, o obsessor deseja estender a terceiros o seu padecimento, sentindo um certo prazer em humilhar o obsidiado.
• sentimento de inveja de vez que o malfeitor não consegue ficar indiferente à prosperidade de um dado encarnado, então passa a hostilizar a vítima, valendo-se de um momento de fraqueza desta última.
• invigilância do encarnado, que por seus atos, por suas palavras, sobretudo por seus pensamentos frívolos, como que atrai entidades sofredoras para gozar satisfações sensoriais menos dignas tal como vinham fazendo quando na carne. O sensual procura o sensual, depois da morte. O alcoólatra não perde o seu vício. O bandido permanece bandido.
• obsessão decorrente da eclosão das faculdades mediúnicas e o médium, por razões pessoais, se nega a aceitar o fato que se impõe. Não educando o seu mediunismo, não sabendo como controlá-lo, como canalizá-lo para o bem comum, acaba, o médium inexperiente, nas malhas das influências negativas de entidades malfazejas.
• Obsessão decorrente do mau emprego das faculdades supranormais da parte daqueles médiuns que, por falta de orientação doutrinária, fazem de seus recursos medianeiros simples fonte de renda, um meio de vida, ou um modo qualquer de auferir outros proveitos pessoais na comunidade, com isso abrindo as portas de seu psiquismo à penetração de entidades trevosas e infelizes.

Causas que levam um encarnado a sofrer uma obsessão

“A obsessão só se instala na mente do paciente quando o obsessor encontra fraquezas morais que possam ser exploradas. São pontos fracos que, naturalmente, todos nós temos, pela imperfeição que nos caracteriza. Deste modo, conclui-se que todos estamos sujeitos à obsessão”.

“Basicamente, a obsessão tem quatro causas: as morais, as relativas ao passado, as contaminações e as anímicas”.

a) As causas morais

As obsessões de causas morais são aquelas provocadas pela má conduta do indivíduo na vida cotidiana. Ao andarmos de mal com a vida e com as pessoas, estaremos sintonizando nossos pensamentos com os Espíritos inferiores e atraindo-os para perto de nós. Desse intercâmbio de influências poderá nascer uma obsessão.

Vícios mundanos, como o cigarro, a bebida em excesso, o cultivo do orgulho, do egoísmo, da maledicência, da violência, da avareza, da sensualidade doentia e da luxúria poderão ligar-nos a entidades espirituais infelizes que, mesmo desencarnadas, não se desapegaram dos prazeres materiais.

Esses Espíritos ligam-se aos "vivos" para satisfazerem seus desejos primitivos, tratando as pessoas como se fossem a extensão de seus interesses no plano material.

b) As causas relativas ao passado

As obsessões relativas ao passado são aquelas provenientes do processo de evolução a que todos os Espíritos estão sujeitos. Nas suas experiências reencarnatórias, por ignorância ou livre arbítrio, uma entidade pode cometer faltas graves em prejuízo do próximo. Se a desavença entre eles gerar ódio, o desentendimento poderá perdurar por encarnações a fio, despontando nos desafetos, brigas, desejos de vingança e perseguição. Casos assim podem dar origem a processos obsessivos tenazes.

Desencarnados, malfeitor e vítima continuam a alimentar os sentimentos de rancor de um para com o outro. Se um encarna,o outro pode persegui-lo, atormentando-o e vice-versa.

c) As contaminações

As contaminações obsessivas geralmente acontecem quando uma pessoafrequenta ou simplesmente passa por ambientes onde predomina a influência de Espíritos inferiores. Seitas estranhas, onde o ritualismo e o misticismo se fazem presentes; terreiros primitivos, onde se pratica a baixa magia; benzedeiras e mesmo centros espíritas mal orientados são focos onde podem aparecer contaminações obsessivas. Espíritos atrasados, ligados ao lugar onde a pessoa frequentou ou visitou, envolvem-se na sua vida mental, prejudicando-a. Ocorrem também situações em que as irradiações magnéticas vindas desses ambientes, causam-lhe transtornos fluídicos. A gravidade dos casos estará na razão direta da sintonia que os Espíritos inferiores estabelecerem com os pacientes.

d) Causa anímica ou auto-obsessão

As obsessões anímicas são causadas por uma influência mórbida residente na mente do próprio paciente. Por causa de vícios de comportamento, ele cultiva de forma doentia pensamentos que causam desequilíbrio em sua área emocional.

Muitas tendências auto-obsessivas são provenientes de experiências infelizes ligadas às vidas passadas do enfermo. Angústia, depressão, mania de perseguição ou carências inexplicadas podem fazer parte de processos auto-obsessivos.

O auto-obsediado costuma fechar-se em seus pensamentos negativos e não encontra forças para sair dessa situação constrangedora. Esse posicionamento mental atrai Espíritos doentios que, sintonizados na mesma faixa psíquica, agravam sua doença espiritual.

Qual é a fórmula infalível para não se sofrer obsessão por parte dos espíritos maus?

Fácil: Aproxime-se dos bons.

Características da Obsessão

Em O Livro dos Médiuns, Kardec trata especificamente do tema relacionado-o à questão da mediunidade onde coloca que a obsessão é um dos principais escolhos da mediunidade. Divide a obsessão em:

• Obsessão simples
• Fascinação
• Subjugação
• Possessão

Obsessão simples

“Obsessão simples tem lugar quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se imiscui, a seu malgrado, nas comunicações que recebe, lhe impede de se comunicar com outros Espíritos e se substitui àqueles que são evocados”.

Fascinação

“É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium, e que paralisa de alguma forma seu julgamento com respeito às comunicações”.

Subjugação

“É uma opressão que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o faz agir a seu malgrado.”...

“A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é solicitado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras, que por uma espécie de ilusão, crê sensatas; é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Ela se traduz no médium escrevente por uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. […]”.

Possessão

Kardec ressalta que “antigamente dava-se o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo de subjugação. Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todospodem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a ideia de assenhoreamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados”.

Porém, Kardec muda de opinião; na Revista Espírita, dez/1863, retifica o seu pensamento anterior, após ter uma prova de que há possessão física, sim. Vejamos o que ele narra:

UM CASO DE POSSESSÃO

Senhorita Julie

Dissemos que não havia possessos no sentido vulgar da palavra, mas subjugados; retornamos sobre esta afirmação muito absoluta, porque nos está demonstrado agora que pode ali haver possessão verdadeira, quer dizer, substituição, parcial no entanto, de um Espírito errante ao Espírito encarnado. Eis um primeiro fato que é a prova disto, e que apresenta o fenômeno em toda a sua simplicidade. […].

[...] Ele [o espírito] declara que, querendo conversar com seu antigo amigo, aproveitou de um momento em que o Espírito da Senhora A..., a sonâmbula, estava afastado de seu corpo, para se colocar em seu lugar. […].

P. Que fez durante esse tempo o Espírito da senhora A...? – R. Estava lá, ao lado, me olhava e ria de ver-me nesse vestuário. (KARDEC, Revista Espírita1863, p. 373-374).

Kardec volta a essa questão, agora em definitivo, em A Gênese, capítulo XIV, Os Fluidos, quando, tratando das obsessões, diz:

47 - Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como que teia e constrangido a proceder contra a sua vontade.

Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte.

A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. (Cap. XI, nº. 18.)

De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços, conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra; quem o haja conhecido em vida, reconhece-lhe a linguagem, a voz, os gestos e até a expressão da fisionomia.

48 - Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.

Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam de outro modo. Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o, se este não possui bastante força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo, já por estrangulação, já atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata os que o cercam; entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da loucura furiosa. (KARDEC, A Gênese)

Situações obsessivas

a) encarnado para encarnado

“Na obsessão telepática ficam configuradas as ocorrências mais comuns de influência negativa entre encarnados”. Por exemplo: uma pessoa que domina a outra, quer pela situação de força, quer por conhecimento, etc.

b) encarnado para desencarnado

Normalmente ocorre quando perdemos algum parente com o qual tivemos elevada estima. Ficamos a todo o momento “lembrando” dele, sem deixar com que ele, no mundo espiritual, possa continuar sua vida como espírito desencarnado.

c) desencarnado para encarnado

São os casos mais comuns, onde um Espírito, por motivo de vingança ou por um outro motivo, persegue de maneira insistente o encarnado, procurando prejudicá-lo de alguma forma.

d) desencarnado para desencarnado

O fato de passarmos para o plano espiritual não nos coloca em situação diferente da que tínhamos quando vivos, assim, por exemplo, duas pessoas que mantiveram relações de ódio continuam, no outro plano, alimentando esse sentimento em verdadeira guerra com o seu inimigo.

e) auto-obsessão

“O encarnado pode, assim, ser perseguido por si mesmo, devido às suas próprias criações mentais”. Por exemplo: ciúme exagerado, mania de doença, mania de estar sendo perseguido, remorso por algo que tenha feito no passado.

f) Obsessão recíproca

São situações de perseguição em que dois Espíritos nutrem ódio um pelo outro ou são escravos das mesmas paixões. Alguns casos podem ser classificados como verdadeira simbiose, onde um se alimenta dos desequilíbrios do outro. Pode acontecer entre encarnados e desencarnados.

Tratamento da obsessão

Kardec: “[...] não há nenhum procedimento material, sobretudo nenhuma fórmula, nenhuma palavra sacramental que tenha o poder de afastar os Espíritos obsessores”.

“As imperfeições morais do obsidiado, frequentemente, são um obstáculo à sua libertação”.

“Tendo em vista que todos os dramas obscuros da obsessão decorrem da mente enferma, é preciso que o obsediado renda-se ao bem, com isso, conseguirá a modificação do tônus mental do adversário, que se verá arrastado à própria renovação pelos seus exemplos de compreensão e renúncia, humildade e fé”.

André Luiz: “toda obsessão tem alicerces na reciprocidade”.

“A obsessão, como todas as enfermidades, pode ser curada através de tratamentos especializados. Para se tratar essa enfermidade espiritual, são necessários alguns procedimentos terapêuticos”:

1 – Quanto ao encarnado a) Conscientização

Deve-se conscientizar o paciente da situação de enfermo em que se encontra, para que, com sua força de vontade, possa ajudar-se na cura. Nenhum tratamento surtirá efeito se não contar com a vontade de quem precisa dele.

b) Reeducação

É preciso orientar o assistido sobre a necessidade de melhoria de sua conduta na vida diária. Que se esforce para evitar os vícios mais grosseiros e que procure controlar suas más tendências. Sem essa mudança de postura e de visão, dificilmente ficará livre das más influências, que predispõem aos processos obsessivos. Importante lembrar que os bons exemplos vindos de quem ministra a instrução é uma das grandes armas na luta contra a obsessão.

“... a renovação moral dos pacientes é condição fundamental para a melhoria efetiva dessa patologia da alma”.

c) Evangelização

Enfatizar sempre ao enfermo a necessidade de observar os ensinos morais do Evangelho de Jesus, roteiro seguro para libertação dos males do Espírito. Orientar a necessidade da frequência regular à casa espírita, até que sua enfermidade seja curada ou esteja sob controle. Estimular o hábito da prece, o mais poderoso auxílio no tratamento de obsedados.

d) Fluidoterapia

Submeter o paciente portador da obsessão a um tratamento fluídico-energético, através do passe espírita. São momentos em que as energias perdidas pela ação da enfermidade espiritual, poderão ser repostas e o obsediado, ficando livre dos fluidos malsãos de que estava impregnado, poderá pensar e tomar decisões com maior liberdade.

e) Água fluidificada

De grande importância no reequilíbrio do Ser, considerando que nela são introduzidos fluidos benéficos que prestarão sua contribuição.

f) Reequilíbrio familiar

Sempre que possível, a equipe responsável pelo tratamento do enfermo deverá orientar moralmente sua família que, em muitos casos, está envolvida direta ou indiretamente na problemática obsessiva. Além disso, o apoio e a compreensão dos familiares no processo de cura desta grave enfermidade espiritual é fundamental.

g) Tratamento médico

Nos casos em que o processo obsessivo apresentar-se com grave comprometimento psíquico, o paciente deverá receber assistência de um profissional habilitado, que lhe despenderá os cuidados necessários.

É importante enfatizar que não podemos interferir nas prescrições médicas, tampouco suspender medicamentos por conta própria.

2 – Quanto ao desencarnado a) Intercâmbio espiritual

Orientar moralmente o Espírito obsessor nas reuniões mediúnicas, evocando-o em médiuns preparados para esta tarefa, aconselhando-o a seguir outro caminho que não o da vingança, da mentira ou dos prazeres inferiores. Este trabalho de esclarecimento deve ser feito por pessoas com experiência e conhecimento da ciência espírita, a fim de atingir os resultados esperados.

b) Ascendência moral

Para se conseguir bons resultados nas tarefas de desobsessão, é preciso que a equipe de atendimento tenha ascendência moral sobre o Espírito obsessor e isso só é possível cultivando uma vida moral sadia. O falar sem exemplificação transforma-se em letra morta. Jesus expulsava os maus Espíritos apenas com o uso de sua autoridade moral. Disse que poderíamos fazer o mesmo.

Reuniões Mediúnicas

Objetivo: esclarecer os Espíritos de uma forma geral, incluindo os obsessores.

Plano físico: Coordenador da reunião, médiuns de psicofonia, médiuns vibracionais e orientador(es).

Plano espiritual: Espírito mentor da reunião, espíritos que irão realizar os trabalhos e os espíritos que serão ajudados.

Paulo da Silva Neto Sobrinho
Mar/2012
Referência bibliográfica
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, IDE, 27ª ed., 1993.
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, Lake, 24ª ed., 2006.
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, FEB, 90ª ed., 2007.
A Gênese, Allan Kardec, IDE, 4ª ed., 1993.
A Obsessão e seu Tratamento Espírita, Celso Martins, Edicel, 4ª ed., 1987.
Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo, Aurélio A. Valente, FEB, 6ª ed., 1987.
Estudando a Mediunidade, Martins Peralva, FEB, 12ª ed. 1987.
A Obsessão e suas Máscaras, Marlene R. S. Nobre, Fé, 5ª ed. 1998.
Estudos Espíritas do Evangelho, Therezinha Oliveira, EME, 1ª ed. 1997.
Possessão Espiritual, Dra. Edith Fiore, Pensamento, 9ª ed. 1995.



sábado, 11 de abril de 2015

Requisitos essenciais à prática mediúnica, Parte 1





Livro Aos Médiuns com Carinho, Cap. 11 – Mensagem Recebida no Lar de Teresa pelo Espírito Aurélio.
Muitas coisas são fundamentais ao desenvolvimento da mediunidade, este dom tão delicado e complexo que os homens recebem sem lhe dar o valor devido.

Entre os requisitos essenciais podemos destacar:,

1. A disciplina mental;
2. O hábito da oração;
3. A perseverança no estudo;
4. O devotamento ao bem do próximo;
5. O cumprimento das tarefas encetadas;
6. A melhoria paulatina do ambiente psíquico através da vigilância;
7. A apuração da sensibiliddae pelo exercício da meditação e do recolhimento.
Poderíamos enumerar outros tantos, mas tentaremos esclarecer cada um desses itens, estudando-os convosco.

Displina Mental – é a condição de não deixarmos que o pensamento se disperse. As pessoas desorganizadas, isto é, aquelas cuja mente borboleteia por vários assuntos ao mesmo tempo, incapacitadas de levar um raciocínio até o fim, dificilmente poderão captar bem uma mensagem.
Como conseguir disciplina mental? Formando o hábito de refletir em torno de um assunto, observando o princípio, o meio e o fim do mesmo.
Exercita-se, tomando uma frase do Evangelho e tecendo em torno dela um raciocínio constante.
A reflexão, a meditação e a busca do raciocínio completo, arrumam a mente, abrem espaços para que a inspiração de mais Alto circule livremente, preenchendo as lacunas e impedindo as brechas por onde penetram sugestões inferiores.
Figuremos um quarto em desalinho. Quem quiser circular dentro dele, decerto tropeçará a cada momento. É o que acontece quando encontramos a mente indisciplinada.
A nossa idéia tropeça nas criações desarvoradas do Médium, impedindo a limpidez da mensagem.

Hábito da Oração – A oração é como uma antena que propicia a emissão e a recepção das forças espirituais. Pela oração, o Médium não apenas solicita, mas louva e agradece, segundo os ensinos dos Espíritos Benfeitores que ditaram a Codificação. Sendo assim, sem o hábito da oração, o médium se assemelha a um potente aparelho, mas incapacitado para um perfeito funcionamento por lhe faltarem os implementos indispensáveis.

Perseverança no Estudo – Médium sem estudo lembra alguém que se deslumbra com a beleza do mar e nele se lança, sem saber nadar. Existem muitos deslumbrados com a Mediunidade que, por não conhecerem seus complexos mecanismos, nem se adestrarem, convenientemente, terminam envolvidos nas armadilhas dos planos inferiores.
A força mediúnica é neutra como a eletricidade; Usá-la, convenientemente, depende de estudo específico, para que se evitem choques desnecessários.
Figuremos uma pessoa interessada no reparo de uma tomada elétrica. Se ela não se preocupa em aprender a lidar com os fios, não se lembra de desligar a chave correspondente ou não tem cuidado ao manipular a fita isolante, pode provovar um incêndio ou, no mínimo, receber choques desastrosos.
Formulamos esta imagem, porque já estamos prevendo que alguns companheiros lembrarão de Médiuns, que, sem nenhum conhecimento doutrinário, realizaram tarefas preciosas no campo da caridade. Mas lembramos que esses Médiuns, para conseguirem tais resultados, embora não sejam esclarecidos intelectualmente, em sua maioria são almas simples que trazem “desligadas as chaves do orgulho e da vaidade” e usam a fita isolante do “desinteresse pessoal”, com que conseguem então livrar as possíveis armadilhas dos planos inferiores a que nos referimos anteriormente.
De outras vezes, são almas que, trazendo em seus arquivos espirituais o necessário conhecimento, dispõem-se a servir junto às camadas mais humildes das comunidades. Entretanto, são logo reconhecidas pela sabedoria de seus conceitos e orientações, embora a singeleza das palavras.
Lembremos que Jesus nos advertiu que “conheceríamos a árvore pelos seus frutos e que a árvore boa não dá maus frutos e a árvore má não pode dar frutos bons“

Requisitos essenciais à prática mediúnica parte 2



Livro Aos Médiuns com Carinho, Cap. 11 – Mensagem Recebida no Lar de Teresa pelo Espírito Aurélio.
Continuando o artigo anterior, lembramos quais são tais requisitos e continuamos o estudo a partir do item 5.

1. A disciplina mental;
2. O hábito da oração;
3. A perseverança no estudo;
4. O devotamento ao bem do próximo;
5. O cumprimento das tarefas encetadas;
6. A melhoria paulatina do ambiente psíquico através da vigilância;
7. A apuração da sensibiliddae pelo exercício da meditação e do recolhimento.
Devotamento ao bem do próximo – o desenvolvimento dos bens mediúnicos só se justifica, quando os mesmos são postos a serviço do Bem. Se desviados dos rumos da luz e da paz, transformam-se em fonte de perturbação, gerando pesadas responsabilidades para os Médiuns desavisados. Os efeitos destes desvios só Deus sabe como e quando serão reparados…

Cumprimento das tarefas encetadas – de um modo geral, quando o Médium inicia uma tarefa o faz repleto de entusiasmo e, por isso mesmo, guarda ansiedade quanto aos resultados. Faz-se mister compreender, no entanto, que a tarefa mediúnica é, antes de tudo, um preocesso de reeducação do Médium.
Na concentração para a doação fluídica, na disciplina mental para a psicografia ou na preparação para a psicofonia caridosa junto aos Espíritos enfermos, encontrará ele motivos para seu crescimento espiritual.
É importante lembrar que cada um dos Espíritos socorridos receberá os benefícios de acordo com sua capacidade de entendimento e seus méritos, por isso que, medir os resultados da tarefa realizada é algo que não deve preocupar o tarefeiro da Mediunidade.
Servir e passar!
Servir com perseverança e entregar os resultados ao Pai, que é o Supremo Doador de todas as Bênçãos.
Iniciar a tarefa, aprimorá-la e aprimorar-se através dela é o caminho a ser seguido.

Melhoria paulatina do ambiente psíquico através da vigilância – o ambiente psíquico do Médium é de fundamental importância no desempenho das tarefas para as quais for chamado. Isso porque, de um modo geral, essas tarefas são definidas levando-se em consideração o que ele é, o que ele sente, e o que ele é capaz de realizar em seu dia-a-dia.
Se ele é equilibrado, sente amor e tudo realiza com o cunho da boa vontade, seu ambiente psíquico, observado pelos benfeitores, poderá lhe proporcionar tarefas de mais responsabilidade junto a estes, tanto quanto aos Espíritos sofredores, os quais, em contato com as suas vibrações elevadas, serão altamente beneficiados em termos de pacificação, arrependimento e perdão.
Não ignoramos as dificuldades do Médium para manter seu ambiente psíquico em condições ideais, entretanto, a vigilância e a oração são forças que ele deverá manter sempre vivas, auxiliando-o na conquista de seu aperfeiçoamento moral e espiritual.
Quem ousaria trazer jóias em cofre, permanentemente, aberto?
A vigilância e a oração são as chaves que cerram a nossa mente e o nosso coração aos assaltos do mal seja qual for a forma sob a qual se apresentem.
“Guardai-vos dos cães“, recomenda Paulo em sua epísola aos Filipenses (3:2).
Melhorar paulatinamente o seu ambiente íntimo é dever de todo Médium que deseja servir com proveito, onde se encontre.

Apuração da sensibilidade pelo exercício da meditação e do recolhimento – os cinco sentidos que todo homem porta o colocam em contato com o mundo físico. Quanto mais apurados, mais servem para a realização dos objetivos a serem alcançados na vida. Uma visão e uma audição perfeitas propiciam possibilidades infinitas em quaisquer áreas de atividades materiais. A Mediunidade é o sexto sentido, permitindo à criatura humana o contato com o mundo espiritual. Mantê-lo em perfeito estado proporciona a possibilidade de o homem alcançar mais altos ideais de progresso no campo da espiritualidade.
Para tanto é necessário que o Médium exercite, através da meditação e do recolhimento, a apuração de sua sensibilidade, caminhando para a conquista da Mediunidade gloriosa. Assim, como devemos estar atentos quanto ao perfeito funcionamento de nossos sentidos físicos, buscando o médico e a medicação necessários para conservá-los de molde a sustentar o nosso relacionamento com o mundo, as pessoas e todas as coisas que nos cercam, também deveremos estar atentos ao perfeito funcionamento de nossos canais mediúnicos.
É dever do Médium, através do recolhimento, reabastecer sua alma, fortalecer seu Espírito, suavizar sua emoção e, através da meditação tranquila e persistente, sobre tudo o que lê, observar detalhes, marcando as lições novas. Importante, que se envolva pela prece em fluidos mais finos, em vibrações mais elevadas, que caracterizam os Espíritos Superiores.
Utilizando tais meios, ele expulsará os clichês negativos ou inócuos, fixará aqueles que a leitura cria em sua tela mental e, igualmente, assimilará as visões epirituais, as revelações, as intuições que o mundo espiritual lhe proporcionará.
Como vemos, queridos irmãos, o desenvolvimento de nossa Mediunidade, exigindo-nos uma postura de disciplina e vigilância, é um meio eficiente de nos fazer crescer para Deus.
Valorizemos este dom divino – talento que nos é emprestado pela Misericórdia do Pai – e trabalhemos por multiplicá-la porque ele é a porta de acesso às riquezas do Reino de Deus.


O Devotado Médium



Livro Loucura e Obsessão, Cap. 22, Manoel Philomeno de Miranda – Divaldo Franco.

Mediunidade sem sacrifício e ministério do bem sem renúncia, são adornos da vaidade ou atividade desportiva na área da fé espírita. Como a maioria dos médiuns ainda prefere a bajulação dos distraídos e se permitem a competição pelos destaques entre os iludidos, vemos os companheiros dedicados padecendo sobrecargas pesadas que, inobstante, promove-os, espiritualmente, a cometimentos felizes o futuro.
A mediunidade, conforme sabemos, exige exercício disciplinado, sintonia com as Esferas Superiores, meditação constante, isto é, vida íntima ativa e bem direcionada, ao lado do conhecimento do seu mecanismo e estrutura, de modo a tornar-se faculdade superior da e para a vida.
Quem, portanto, se candidate ao seu ministério, disponha-se, adredemente, ao sacrifício e aos silêncios homéricos ante os acusadores gratuitos e adversários espontâneos que, além dos inimigos do Bem, são os invejosos, os competidores malogrados e os censuradores habituais…
O tempo que seria gasto na defesa deverá ser aplicado na perseverança do trabalho e na auto-iluminação, compreendendo e desculpando os seus opositores, sabendo que tal lhe acontece porque, além de ser devedor, necessita desses estímulos, sem os quais, talvez, parasse a meio do caminho.
Quantos indivíduos que, por motivos fúteis, deixam de cumprir com os deveres assumidos? No campo da mediunidade espírita, quantos trabalhadores que se omitem, que desertam ou que faltam ao dever sob pretextos irrelevantes? E não são poucos os adeptos que desanimam ante os resultados mediúnicos, que lhes parecem tardar, sem o esforço contínuo que lhes assinale o Espírito de serviço ou a dedicação que lhes caracterize a atividade.

Mediunismo



O Espírito Klaus esclarece o irmão José Lázaro a respeito das novas obras mediúnicas que têm chegado à Terra a respeito da Transição Planetária…

— Caro amigo, nesse processo de transição planetária, há uma intervenção “mais direta” – digo uma interversão positiva – de espíritos pertencentes a outros mundos em favor da Terra?

Utilizando-se da fraqueza que lhe é peculiar, respondeu-me:

— Esteja sempre atento em relação ao que envia via mediúnica para os encarnados. Comumente, estão sempre desejosos de novas revelações do plano espiritual e se esquecem do que é mais premente, a própria evolução.

Não é por outro motivo que as obras literárias mediúnicas – pelo menos as sérias – antes de “irem daqui para lá”, passam por análise de nossos superiores.

Diante do comentário de Klaus, emendei outra questão, antes mesmo que ele respondesse a primeira pergunta:

— Os nossos irmãos encarnados, com base no que o senhor afirma, podem crer que, do lado de cá da vida também, há uma preocupação com a pureza doutrinária?

— Caro amigo, os espíritas em particular, infelizmente, distorceram o real significado dessa expressão. Via de regra, em vez da expressão pureza doutrinária contribuir no que tange à organização do movimento espírita, acabou se tomando sinônimo de celeumas.

No que diz respeito especificamente ao movimento espírita, nossos irmãos espiritistas caíram na armadilha das inteligências do mal. Temos observado, com tristeza, uma espécie de cisão no movimento espírita. De um lado os que repelem com ênfase as chamadas novas metodologias, considerando tudo que é “supostamente” novo como algo antidoutrinário. De outro lado, os espíritas mais ousados, com novos métodos de trabalho e que acabam considerando os mais ortodoxos como sendo espíritas ultrapassados.

— Estão ambos equivocados, não é mesmo?

— É um paradoxo esse tipo de rivalidade no movimento espírita. Vivemos um momento singular da evolução do orbe terrestre, em que os espíritos superiores nos conclamam à união. E muitos espíritas permanecem “duelando” para tentarem provar que estão com a razão.

Entre os espíritas mais conservadores e os mais modernos – se é que posso me expressar assim – creio que estão com razão aqueles que:

- Analisando com honestidade as próprias mazelas, não se animam a rebater críticas que venham a receber;

- Fazem aparte que lhes cabe, compreendendo que cada um faz o que pode, dentro do grau de maturidade que tenha alcançado;

- Procuram amar incondicionalmente, fazendo uso da indulgência, da compreensão e do perdão;

- Estão sempre prontos a servir na seara do Cristo.

O resto é “briga de egos”, desejo de chamar atenção para si, prepotência, arrogância. Contendas que têm como sentimento básico o orgulho.

- O senhor afirmou que os espíritos superiores analisam cuidadosamente as obras literárias escritas por autores desencarnados, antes que os mesmo as enviem para a Terra. O senhor usou a expressão “pelo menos as obras sérias”. Isso significa que há muitos obras mediúnicas que não são sérias?

- Não podemos analisar a questão apenas sob a ótica religiosa. Tudo o que os escritores encarnados colocam no papel, originalmente, parte daqui para lá. Ou seja, a mente do escritor encarnado sintoniza com um espírito na mesma faixa vibratória e juntos dão origem a escritos nem sempre nobres. Livros que estimulam a descrença em Deus, livretos de piadas deprimentes, livros que apresentam propostas esdrúxulas. Sem falar ainda das letras degradantes de algumas músicas e marchas de carnaval. Notadamente, não são obras literárias serias.

— E em relação ao livro religioso, mais especificamente o livro espírita?

— Muitos espíritos reencarnam com a tarefa do livro, seja mediúnico ou não. Via de regra, estão vinculados a equipes de espíritos que elaboram uma programação, incluindo quantidade de livros que deverão ser escritos e qual a proposta dos livros.

Contudo, muitos médiuns de psicografia e escritores (que também são médiuns) no decorrer da encarnação, podem “fugir” à programação preestabelecida.

— E por que fariam isso?

— Invariavelmente, os motivos são:

DINHEIRO: Quando as cifras são colocadas acima do ideal, tudo está perdido. Muitos médiuns, depois de um tempo, notando que o livro pode lhes proporcionar certas facilidades financeiras, acabam priorizando “valores materiais” em detrimento da colaboração espiritual em benefício das massas. Vendem livros bem mais caros e acabam se comprometendo;

PRESSA: Nada na natureza acontece de uma hora para a outra. Tudo é fruto de esforço, trabalho e perseverança. Muitos médiuns, por pressa e consequentemente despreparo, começam antes do tempo previsto pela espiritualidade. Não desejam passar pelas fases de burilamento do espírito. Querem escrever e lançar livro a todo custo. Fatalmente, acabam por abortar a tarefa, uma vez que ainda não estavam preparados para a mesma. Escrever ou psicografar livros não é tão-somente colocar no papel as ideias e divulgá-las ao povo. É sobretudo estar “preparado” para o preço deste trabalho.

DESEJO DE APARECER: Aqui entra em cena a vaidade. Por causa dela, muitos médiuns querem escrever apenas sobre novidades, desejam ser interpretes de novas revelações. Querem escrever o que até o presente momento nenhum médium escreveu. Pura arrogância. Não que isso não aconteça. As verdades da vida espiritual aos poucos vão se desdobrando aos encarnados. Destarte, muitos médiuns em muitas obras mediúnicas trazem aos encarnados certas verdades ainda não citadas em nenhum livro. Não obstante, essa não deve ser a preocupação precípua do médium (fazer revelações). Mesmo porque muitas supostas revelações, nada mais são que verdades muito antigas, agora apresentadas com uma “roupagem” mais atual.

Por exemplo muitos livros na atualidade, falam da alteridade, da chamada inteligência mediúnica, dos universos paralelos, etc… Assuntos que não são exatamente “novos”, mas adaptados para facilitar a compreensão.

Em síntese, é isso.

Livro Então Virá o Fim…, cap. 2, Espíritos José Lázaro e Klaus – psicografia de Agnaldo Paviani.


Justificando desacertos



Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente, mas, na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem (Efésios, 4:29.)
Paulo de Tarso agiu com absoluta justeza quando aconselhou seus companheiros de Éfeso: “Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente”. As palavras possuem um caráter sagrado. Há muitas criaturas que as utilizam modificando-lhes o verdadeiro sentido e alterando-lhes os traços essenciais. Nossas expressões apresentam qualidade superior quando precedem conceitos, ideias e planos sublimes da vida.

Todavia, “na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem”. Em nossas conversações podemos manifestar as mais altas aspirações de religiosidade; portanto, devemos nos servir dela utilizando o verbo que edifica e esclarece todos em nossa volta.

Tudo que não se entende, tudo que não se quer admitir tudo aquilo que se quer negar, é justificado, de modo repetitivo por meio de um antigo chavão: “É a vontade de Deus!”.

Em outras palavras, reiteramos constantemente essa frase estereotipada que, por ser usada de forma maquinal e indiscriminada, perde totalmente seu valor de expressão, tornando-se vã. Por sinal, este é um dos mandamentos das antigas escrituras: “Não pronunciarás em vão o nome de teu Deus”1.

Utilizamo-la para não assumir compromissos de mudança e, igualmente, como álibis filosóficos, evasivas cármicas ou auto-absolvição quando não queremos ser responsabilizados por atos e atitudes.

A expressão “É a vontade de Deus!” quase sempre é empregada para abonar nossos disparates, para dar explicações capengas para os nossos comportamentos inadequados ou para validar decisões equivocadas e precipitadas.

Essa frase feita é uma “salvação auspiciosa” que supostamente tudo cura: “Foi Deus que quis assim!”. E nós nos perguntamos: “Foi mesmo?”.

Todos temos tendência para fugir da realidade, desviando a mente para outros entretenimentos. O escapismo vige em nossos meios sociais e religiosos.

Ignoramos as relações dos seres vivos entre si ou com os meios orgânico e inorgânico com os quais interagem; por isso S destruímos matas e florestas, poluímos as águas do Planeta, H contaminamos a atmosfera com gases letais. m E, como consequência, grandes calamidades acontecem: secas horríveis, estiagens, ventanias devastadoras, ciclones destruidores, excesso de chuvas, subidas de maré, desabamentos causados por grandes enchentes. E depois repetimos tranquilos e inconscientes: “Não temos nada a ver com isso; é a vontade de Deus”, ou mesmo, “Tudo isso faz parte deste mundo de provas e expiações”.

Não somos moralizados, somos moralistas. Nossa concepção de moral é separada da singularidade dos indivíduos, ignora a distinção e a complexidade de cada ocasião e é baseada em preceitos tradicionais e preconceituosos.

A verdadeira ética considera as diferenças e as mudanças contínuas dos seres, e não se fecha numa visão unilateral; legitima, acima de tudo, o bem comum e os valores universais. Por estarmos distanciados da ética, não conseguimos avaliar com justiça e honestidade o que acontece ao nosso redor.

No entanto, quando indivíduos agem desonestamente, em benefício próprio ou de outrem, espoliando instituições e pessoas humildes, lesando o patrimônio público e privado, ficamos surpresos e perplexos e declaramos: “A lei divina os fará resgatar individual ou coletivamente”. Também nessa frase está implícita a vã utilização do nome de Deus.

Somos incapazes de tomar decisões sozinhos, o que nos leva a transferir nossas responsabilidades a um parceiro afetivo ou a outros familiares. Manipulamos as pessoas, fazemos complôs ou tramas secretas, superprotegemos filhos, mimando-os, e vivemos dependurados em relacionamentos passionais.

Em decorrência disso, podemos sofrer sérios desarranjos emocionais e/ou psicológicos, bem como lançar mão das mais diversas viciações como forma de compensar a pressão do desequilíbrio interno. No entanto, quando isso ocorre, tratamos o problema como se não tivéssemos absolutamente nada a ver. com ele. Alegamos: “É a lei divina agindo, são cobranças do passado delituoso, atraindo obsessores e outros Espíritos infelizes”. Isso para não dizer: “É a vontade de Deus!”.

Escolhemos nos consorciar precipitadamente ou agimos impensadamente quando firmamos um vínculo conjugal. No amor romântico, formamos ideias, imagens e devaneio servindo-nos de descrições fantasiosas e sonhadoras, e, quando elegemos alguém como par, dizemos: “Encontrei minha alma gêmea”.

Depois de algum tempo (meses ou anos) de relacionamento diário, quando cessa a fase do doce encanto e aparecem as arestas e os desencontros, logo invalidamos a primeira afirmativa: “Não era não minha metade eterna, mas um ‘débito do passado’ ”.

Quando declaramos que o parceiro afetivo é “alma gêmea”, pressupomos ser uma indicação da vontade de Deus, mas, quando afirmamos que a relação conjugal é “débito do passado”, julgamos ser uma imposição da vontade de Deus.

Assim, tudo fica fora do nosso âmbito de ação e continuamos desconsiderando nossa capacidade de agir e decidir, não admitindo nenhuma responsabilidade sobre nossas escolhas. A responsabilidade por pensar, optar e determinar não é um processo automático.

Não somos marionetes movidas por meio de cordéis e manuseadas ocultamente por forças misteriosas e fora de nosso alcance. Estamos sempre escolhendo onde, como e com quem viver.

Precisamos lembrar que livre-arbítrio significa capacidade de pensar e agir. Vontade é sinônimo de arbítrio – um poder de ação essencial em nossa vida.

Somos insensatos se não assumimos responsabilidade pela própria vida. Aceitar nossos erros é sinal de amadurecimento interior; negá-los, ou justificá-los ilusoriamente como “vontade de Deus”, é infantilidade espiritual.

“Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente”. Frases e expressões podem preceder concepções e ideias que nos permitem entender ou distorcer a realidade.

Livro Um Modo de Entender Uma Nova Forma de Viver, cap. 20, Espírito Hammed – psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto.

Abramos o Entendimento




Nos nossos tempos de discórdias e lutas políticas e religiosas, em que a Ciência e a ortodoxia estão em guerra, quiseram demonstrar aos homens de boa vontade, de todas as opiniões, de todos os campos, de todas as crenças, assim como a todos os pensadores verdadeiramente livres e do largo descortina, que há um terreno neutro, o do Espiritualismo experimental, onde nos podemos encontrar, dando-nos mutuamente as mãos. Não mais dogmas! Não mais mistérios! Abramos o entendimento a todos os sopros do espírito, bebamos em todas as fontes do passado e do presente. Digamos que em todas as doutrinas há parcelas da verdade; nenhuma, porém, encerra completamente, porque a verdade, em sua plenitude, é mais vasta do que o espírito humano.
É somente no acordo das boas vontades, nos corações sinceros, nos espíritos livres e desinteressados que se realizarão a harmonia do pensamento e a conquista da maior soma de verdade assimilável para o homem da Terra, no atual período histórico.
Dia virá em que todos hão de compreender que não há antítese entre a Ciência e a verdadeira Religião. Há apenas mal entendidos. A antítese se dá entre a Ciência e ortodoxia, o que nos é provado pelas recentes descobertas da Ciência, que nos aproximam sensivelmente das doutrinas sagradas do Oriente e da Gália, no que diz respeito à unidade do mundo e à evolução da vida. Por isso é que podemos afirmar que, prosseguindo a sua marcha paralela na grande estrada dos séculos, a Ciência e a crença virão forçosamente a encontrar-se um dia, pois que indênticos são ambos os alvos que acabarão por se penetrar reciprocamente. A Ciência será análise; a Religião virá a ser a síntese. Nelas unificar-se-ão o mundo dos fatos e o mundo das causas, os dois termos da inteligência humana vincular-se-ão, rasgar-se-á o vel do Invisível; a obra divina aparecerá a todos os olhares em seu majestoso esplendor!

Livro O Problema do Ser do Destino e da Dor, Parte 1, Cap. 2 – León Denis

A Evolução da Alma, por León Denis



A alma, dissemos, vem de Deus, é, em nós, o princípio da inteligência e da vida. Essência misteriosa, escapa à análise, como tudo quanto dimana do Absoluto. Criada por amor, criada para amar, tão mesquinha que pode ser encerrada numa forma acanhada e frágil, tão grande que, com um impulso do seu pensamento, abrange o Infinito, a alma é uma partícula da essência divina projetada no mundo material.
Desde a hora em que caiu na matéria, qual foi o caminho que seguiu para remontar até ao ponto atual da sua carreira? Precisou de passar vias escuras, revestir formas, anumar organismos que deixava ao sair de cada existência, como se faz com um vestuário inútil. Todos estes corpos de carne pereceram, o sopro dos destinos dispersou-lhes as cinzas, mas a alma persiste e permanece na sua perpetuidade, prossegue sua marcha ascendente, percorre as inumeráveis estações da sua viagem e dirige-se para um fim grande e apetecível, um fim que é a perfeição.
A alma contém, no estado virtual, todos os gérmens dos seus desenvolvimentos futuros. É destinada a conhecer, adquirir e possuir tudo. Como, pois, poderia ela conseguir tudo isso numa única existência? A vida é curta, e longe está da perfeição! Poderia a alma, numa vida única, desenvolver o seu entendimento, esclarecer a razão, fortificar a consciência, assimilar todos os elementos da sabedoria, da santidade, do gênio? Para realizar os seus fins, tem de percorrer, no tempo e no espaço, um campo sem limites. É passando por inúmeras transformações, no fim de milhares de séculos, que o mineral grosseiro se converte em diamante puro, refratando mil cintilações. Sucede o mesmo com a alma humana.
O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizar por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. Se há na Terra menos alegria que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio.
Pouco a pouco, a alma se eleva e, conforme vai subindo, nela se vai acumulando uma soma sempre crescente de saber e virtude; sente-se mais estreitamente ligada aos seus semelhantes; comunica mais intimamente com o seu meio social e planetário. Elevando-se cada vez mais, não tarda a ligar-se por laços pujantes às sociedades do Espaço e depois do Ser Universal.
Assim, a vida do ser consciente é uma vida de solidariedade e liberdade. Livre dentro dos limites que lhe assinalam as leis eternas, faz-se arquiteto do seu destino. O seu adiantamento é obra sua. Nenhuma fatalidade o oprime, salvo a dos próprios atos, cujas consequências nele recaem; mas não pode desenvolver-se e medrar senão na vida coletiva com o recurso de cada um e em proveito de todos. Quanto mais sobe, tanto mais se sente viver e sofrer em todos e por todos. Na necessidade de elevar a si mesmo, atrai a si, para fazê-los chegar ao estado espiritual, todos os seres humanos que povoam os mundos onde viveram. Quer fazer por eles o que por ele fizeram seus irmãos mais velhos, os grandes Espíritos que o guiaram na sua marcha.
A lei de justiça requer que, por sua vez, sejam emancipadas, libertadas da vida inferior todas as almas. Todo ser que chega à plenitude da consciência deve trabalhar para preparar aos seus irmãos uma vida suportável, um estado social que só comporte a soma de males inevitáveis. Esses males, necessários ao funcionamento da lei de educação geral, nunca deixaram de existir em nosso mundo, representam uma das condições da vida terrestre. A matéria é o obstáculo útil; provoca o esforço e desenvolve a vontade; contribui para a ascensão dos seres, impondo-lhes necessidades que os obrigam a trabalhar. Como, sem a dor, havíamos de conhecer a alegria; sem a sombra, apreciar a luz; sem a privação, saborear o bem adquirido, a satisfação alcançada? Eis aqui a razão por que encontramos dificuldades de toda sorte em nós e em volta de nós.

Livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor, Parte 1, Cap. 9 – León Denis.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Saulo de Tarso às portas de Damasco



- Saulo!… Saulo!… Por que me persegues?
O moço tarsense não sabia que estava instintivamente de joelhos. Sem poder definir o que se passava, comprimiu o coração numa atitude desesperada. Incoercível sentimento de veneração apossou-se inteiramente dele. Que significava aquilo? De quem o vulto divino que entrevia no painel do firmamento aberto e cuja presença lhe inundava o coração precípite de emoções desconhecidas?
- Quem sois vós, Senhor?
Aureolado de uma doçura balsâmica e um tom de inconcebível doçura, o Senhor respondeu:
- Eu sou Jesus!…
Diante dos olhos tinha, agora, aquele Cristo magnânimo e incompreendido! … A história maravilhosa de sua ressurreição não era um recurso lendário para fortificar as energias do povo. Sim, ele, Saulo, via-o ali no esplendor de suas glórias divinas… Experimentou invencível vergonha do seu passado cruel. Uma torrente de lágrimas impetuosas lavava-lhe o coração…
Foi quando notou que Jesus se aproximava e, contemplando-o carinhosamente, o Mestre tocou-lhe os ombros com ternura, dizendo com inflexão paternal:
- Não recalcitres contra os aguilhões!…
O moço de Tarso soluçava. Ante a expressão doce e persuasiva do Messias Nazareno, considerava o tempo perdido em caminhos escabrosos e ingratos. Doravante necessitava reformar o patrimônio dos pensamentos mais íntimos; a visão de Jesus ressucitado, aos seus olhos mortais, renovava-lhe integralmente as concepções religiosas… Ele, Saulo, era a ovelha perdida no resvaladouro das teorias escaldantes e destruidoras. Jesus era o pastor amigo que se dignava fechar os olhos para os espinheiros ingratos a fim de salvá-lo carinhosamente. Num ápice o jovem rabino considerou a extensão daquele gesto de amor… Ali mesmo no santuário augusto do espírito, fez o protesto de entregar-se a Jesus para sempre. Recordou, de súbito, as provações rígidas e dolorosas. A idéia de um lar morrera com Abigail, sua falecida noiva. Sentia-se só e acabrunhado. Doravante, porém, entregar-se-ia ao Cristo, como simples escravo de seu amor. E tudo envidaria para provar-lhe que sabia compreender o seu sacrifício, amparando-o na senda escura das iniquidades humanas, naquele instante decisivo de seu destino. Banhado em pranto, como nunca lhe acontecera na vida, fez, ali mesmo, a sua primeira profissão de fé.
- Senhor, que quereis que eu faça?
Aquela alma resoluta, mesmo no transe de uma capitulação incondicional, humilhada e ferida em seus princípios mais estimáveis, dava mostras de sua nobreza e lealdade. Encontrando a revelação maior, em face do amor que Jesus lhe demonstrava solícito, Saulo de Tarso não escolhe tarefas para serví-lo, na renovação de seus esforços de homem. Entregando-se-lhe de alma e corpo, como se fora ínfimo servo, interroga com humildade o que desejava o Mestre da sua cooperação.

Paulo e Estêvão, Emmanuel – Chico Xavier

Lema de Paulo: Ama, Trabalha, Espera e Perdoa



Saulo de Tarso havia sido abandonado pelos amigos e pelo próprio pai após afirmar que era seguidor de Cristo Jesus. Estava só no mundo e pôs-se a dormir sob uma árvore. Em seguida, teve um sonho com a amada noiva, Abigail, que falecera meses antes…

“O ex-rabino (Saulo) desejaria prolongar a deliciosa visão para o resto da vida, manter-se junto dela para sempre; contudo, a entidade querida esboçava um gesto amoroso de adeus. Esforçou-se, então, por catalogar apressadamente suas necessidades espirituais, desejoso de ouvi-la relativamente aos problemas que o defrontavam. Ansioso de aproveitar as mínimas parcelas daquele glorioso, fugaz minuto, Saulo alinhava mentalmente grande número de perguntas. Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo?

- Ama! – respondeu Abigail espontaneamente.

Mas como proceder de modo a enriquecermos na virtude divina? Jesus aconselha o amor aos próprios inimigos. Entretanto, considerava quão difícil deveria ser semelhante realização. Penoso testemunhar dedicação, sem o real entendimento dos outros. Como fazer para que a alma alcançasse tão elevada expressão de esforço com Jesus-Cristo?

- Trabalha! – esclareceu a noiva amada, sorrindo bondosamente.

Abigail tinha razão. Era necessário realizar a obra do aperfeiçoamento interior. Desejava ardentemente fazê-lo. Para isso insulara-se no deserto, por mais de mil dias consecutivos. Todavia, voltando ao ambiente do esforço coletivo, em cooperação com antigos companheiros, acalentava sadias esperanças que se converteram em dolorosas perplexidades. Que providência adotar contra o desânimo destruidor?

-Espera! – disse ela, ainda num gesto de terna solicitude, como quem desejava esclarecer que a alma deve estar pronta a atender ao programa divino em qualquer circunstância, extreme de caprichos pessoais.

Ouvindo-a, Saulo considerou que a esperança fora sempre a companheira dos seus dias mais ásperos. Saberia aguardar o porvir com as bênçãos do Altíssimo. Confiaria na sua miserircódia. Não desdenharia as oportunidades do serviço redentor. Mas… os homens? Em toda parte medrava a confusão nos espíritos. Reconhecia que, de fato, a concordância geral em torno dos ensinamentos do Mestre Divino representava uma realização das mais difíceis, no desdobramento do evangelho; mas, além disso, as criaturas pareciam igualmente desinteressadas da verdade e da luz. … Como conciliar as grandiosas lições do Evangelho com a indiferença dos homens?
Abigail apertou-lhe as mãos com mais ternura a indicar as despedidas, e acentuou docemente:

-Perdoa!…

Em seguida, seu vulto luminoso pareceu diluir-se como se fosse feito de fragmentos de aurora.

Experimentando uma paz até então desconhecida, Saulo acreditou que renascia naquele momento para uma existência muito diversa. Singular serenidade tocava-lhe o espírito. Uma compreensão diferente felicitava-o para o reinício da jornada no mundo. Guardaria o lema de Abigail, para sempre. O amor, o trabalho, a esperança e o perdão seriam seus companheiros inseparáveis. Cheio de dedicação por todos os seres, aguardaria as oportunidades que Jesus lhe concedesse, abstendo-se de provocar situações, e, nesse ponto, saberia tolerar a ignorância ou a fraqueza alheias, ciente de que também ele carregava um passado condenável, que, nada obstante, merecera a compaixão do Cristo.

Paulo e Estêvão, Emmanuel – Chico Xavier

Durante o sono




Durante o repouso físico, nossos Espíritos procuram ou são levados aos ambientes com os quais se mantenham afinizados, junto de entidades que comungam das mesmas inclinações e desejos.

Se somos dotados de sentimentos nobres, buscaremos ou seremos levados a lugares tais. Se somos envolvidos por sentimentos inferiores, encontraremos os lugares igualmente inferiorizados que nos recebem como convidados e nos quais teremos sempre a companhia adequada ao que buscamos.

E não faltam, nas regiões astrais, nas dimensões espirituais que renteiam a superfície da Terra, os ambientes degenerados nos quais os Espíritos de igual teor se permitem as mesmas emoções baixas dos mais baixos níveis da animalidade irracional.

Tanto quanto a Terra está povoada de lugares conhecidos como boates ou “inferninhos”, nome sugestivo que se refere ao tipo de vibrações ali desenvolvidas, o ambiente que lhe é imediatamente sucessivo na dimensão fluídica do mundo invisível também guarda extrema similaridade aos mais inferiores ideais do ser humano, não faltando, também, as correspondentes boates e “inferninhos”, sempre visitados por criaturas ainda mais degeneradas do que aquelas que frequentam tais lugares na Terra.

Nos ambientes da dimensão vibratória inferior, as almas que para lá são atraídas ou que os buscam como exercício do prazer viciado, se apresentam conforme o estado de desequilíbrio mental e emocional, o que as transforma, muitas vezes, em seres grotescos e deformados, exalando atmosfera pestilenta que produziria sensações de repulsa no mais vicioso dos frequentadores encarnados desse tipo de diversão nas noites da Terra.

Boa parte das entidades, no entanto, vivendo na atmosfera mental que lhes é própria, cristalizada nas formas-pensamento com as quais se vê a si mesma, não se incomoda com os que lhe são circunstantes, uma vez que se trata de seres hipnotizados pelos vícios, sendo-lhes suficiente a imagem mental que fazem, muitos deles incapazes de se verem na expressão real de suas formas degeneradas.

Ficam no mesmo ambiente e, às vezes, sequer se percebem ou se enxergam, buscando fixarem-se apenas na companhia daquele entes que levaram consigo até ali para os momentos de envolvimento íntimo e licenciosidade, os homens e mulheres encarnados que se acham projetados no mundo espiritual por causa do sono físico.

E nesses ambientes permissivos, desenvolvem-se os processos de hipnose viciosa, de interferência na vontade, de desenvolvimento de tendências sexuais conflitantes, de desajustamentos íntimos, de quedas morais, de traições afetivas, sempre tendo como motivação, a prática da sexualidade promíscua, a infelicidade afetiva, a carência, a cobiça, a sensualidade dos pensamentos, a vaidade, com a finalidade da simples aventura ou visando a produção das reações estranhas quando o encarnado regresse ao corpo carnal, ao amanhecer de um novo dia.

Se cada um dos leitores tivesse ideia do que pode lhes acontecer durante uma noite de sono mal preparada, a maioria certamente se recusaria a dormir, preferindo levar uma vida de zumbis a arriscar-se nas aventuras assustadoras quando o padrão de pensamentos e sentimentos de nosso Espírito se sintoniza com as baixas camadas vibratórias do mundo.

Estas notícias têm a finalidade de informar que, se cada um desejar outro tipo de ambiente, bastará acessar os mecanismos internos de uma vida elevada, vivenciada nas vinte e quatro horas de cada dia e, certamente, outra será a receptividade que cada um de nós terá ao despertarmos espiritualmente do lado de lá, durante o sono físico.

Saber disciplinar-se é o grande segredo para melhor viver todas as experiências da vida. Conhecer as leis do Espírito representa a sábia escolha para aqueles que não queiram se assustar com a surpresa estarrecedora que terão ao abrirem os olhos do Espírito e terem que gritar, assustados:

- COMO É QUE EU VIM PARAR AQUI?

Livro Despedindo-se da Terra, cap. 8, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.

Não é problema meu…




Lucas, 10, 25-37

25 E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
29 Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
35 E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

Amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o seu coração e com todas as suas forças representa o compromisso do filho grato em relação ao Pai Generoso. Quem Ama a Deus dessa forma, não se ocupa em ferir seus semelhantes, em prejudicá-los nos negócios, em tomar o que não lhe pertence, em cobrar mais do que deve, em atuar de maneira clandestina e oculta em prejuízo de quem quer que seja. Isso já seria suficiente para iluminar a alma de todos os filhos conscientes e garantir-lhes a Salvação. No entanto, Jesus agrega que esse Amor ao Pai deve ser dirigido ao nosso semelhante da mesma forma como nos amamos. E para não haver dúvida na compreensão sobre quem é o nosso próximo, o Diretor da Escola Terrena compara os diversos comportamentos diante de um sofredor.

O Sacerdote (ministro da religião) e o Levita (ministro das leis) conheciam as escrituras, mas desprezavam os deveres daí decorrentes, por causa de seu egoísmo e orgulho. Perdidos pelos defeitos do mundo, se fizeram cegos ao sofrimento do irmão, esquecendo-se de que ao referir-se à palavra “próximo”, Jesus não demonstrava quem é que necessitava de ajuda, mas, sim, quem se encontrava na condição de oferecê-la.

Certamente que é fácil observar, nos aflitos, os próximos que necessitam. Todavia, é muito difícil que aquele que esteja na condição de oferecer algo se veja como o próximo do que sofre.

- Isso é problema da prefeitura…

- Eu já pago meus impostos, o governo que resolva…

- Chamem os bombeiros, eles é que têm o dever de resolver isso, afinal, são pagos pra fazer estas coisas…

- Eu não sou médico nem farmácia pra aliviar a dor ou fornecer remédios…

- O problema da fome do mundo tem que ser resolvido pelos ricos da Terra…

Todas estas são frases que muitas pessoas falam porque, fugindo da condição evangélica de se reconhecerem como PRÓXIMOS daqueles que estão aflitos, não querem ter o trabalho de Amar.

Alguém bate à porta pedindo o socorro de um prato de comida, depois que você terminou de lavar toda a louça e guardar tudo nos armários…:

- passe mais tarde, agora não tenho nada…

Algum infeliz que pede a sua atenção ao telefone para um desabafo…:

- Ah! Pelo amor de Deus, justo agora que me deitei um pouquinho pra descansar… diga que não estou…

Algum amigo doente esperando por sua visita no leito de dor do hospital:

- Amanhã eu vou… hoje estou cheio de compromissos… e quem sabe até lá ele já voltou para casa…

Como é fácil a pessoa reconhecer o próximo que sofre…

Mas como é difícil aprender a lição de se reconhecer como O PRÓXIMO daquele que sofre.

Livro Herdeiros do Novo Mundo, cap. 43, Espírito Lúcius – psicografia de André Luiz Ruiz.

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