Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O câncer é uma enfermidade cármica?



1 – O câncer é uma enfermidade cármica?
Segundo informam os mentores espirituais, doenças graves, como o câncer, podem surgir por válvulas de escoamento de desajustes perispirituais, nascidos de nossos desatinos no passado, observada a lei de causa e efeito, que rege nossa evolução. Representam uma espécie de tratamento de beleza para o Espírito.

2 – O fumante inveterado, que fuma dois a três maços de cigarro por dia, dificilmente escapará do câncer no pulmão. Não haveria aí uma exceção?
Ainda aqui temos um princípio de causa e efeito, remontando não ao passado remoto, mas à existência presente. O carma do fumante inveterado será o câncer no pulmão. É um problema de uso. Se usamos mal a máquina física, submetendo-a a excessos e viciações, fatalmente colheremos as conseqüências dos desajustes que lhe estamos impondo.

3 – E no caso do fumante passivo? Hoje está demonstrado, estatisticamente, que há uma incidência significativa de câncer no pulmão em pessoas que “fumam” indiretamente, absorvendo a fumaça de ambientes saturados pelas baforadas dos viciados.
Incontáveis problemas de saúde surgem a partir das condições de vida na Terra, a começar pela poluição dos grandes centros urbanos, gerando não apenas o câncer, mas, também, moléstias do aparelho respiratório. Na atualidade há grande preocupação com a incidência de câncer de pele que é assustadora, em decorrência do desgaste da camada de ozônio, provocada também pela poluição. A relação de causa e efeito, nesses casos, está na indiferença e no desrespeito do homem com a Natureza.

4 – Diríamos que as vítimas de câncer motivado por essas contingências não estão resgatando dívidas?
Há uma tendência no meio espírita de associarmos enfermidade a problemas cármicos, oriundos de vidas passadas, quando, em boa parte, ela surge como um problema de uso. O corpo é uma máquina que tem suas necessidades e limitações. Se não o atendemos em suas necessidades, se não observamos suas limitações, a tendência é ficarmos doentes, como um motorista que terá problemas com seu automóvel se não cuidar bem dele.

5 – Dentro desse contexto, como explicar as tendências genéticas ao câncer? Filhos de pais que tiveram câncer têm uma possibilidade maior de contrair a doença, em virtude da herança genética.
A expressão tendência significa que nem todos os filhos de pais com câncer irão contrair a doença. Aqui entram o carma, as condições ambientes, os cuidados com o corpo. Se não há no perispírito do filho desajustes que favoreçam o câncer, se o ambiente em que vive é saudável, se cuida bem com o corpo, dificilmente contrairá a moléstia, ainda que ela conste de seu histórico familiar.

6 – Para muita gente o câncer equivale a um anúncio de morte próxima. Deixam-se dominar pela doença e efetivamente morrem. É uma postura correta?
Totalmente incorreta. Foi-se o tempo em que o câncer equivalia a um atestado de óbito. A Medicina evoluiu muito nessa especialidade. O que o paciente não pode é entregar-se ao desânimo. A vontade de viver é fundamental para o sucesso de qualquer tratamento.

7 – Uns morrem de câncer, outros o superam e recobram a saúde. Não haveria aí a fatalidade da morte. Para uns chegou a hora, para outros não?
Pensando assim seria o caso de renunciar a qualquer medicação, deixando tudo por conta do destino. O que se sabe é que os que renunciam ao tratamento raramente escapam da morte. Os que se tratam, guardando os cuidados necessários, ganham maior espaço para viver. Podemos ter câncer por problema cármico, mas não temos necessariamente que morrer vitimados por ele. Na atualidade, são notáveis os avanços da Medicina, contabilizando índices altos de cura, principalmente quando o mal é detectado no início.

8 – Nesse aspecto, como podemos situar a ação da Medicina?
A Medicina é a misericórdia de Deus, minorando nossos padecimentos, quando inevitáveis, curando nossos males, quando possível. Em linhas gerais ela sustenta-nos a vida, oferecendo-nos condições para uma existência saudável e produtiva, atendendo às finalidades da jornada humana.


Richard Simonetti

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Suicídio e o Espiritismo



O SUICÍDIO e o ESPIRITISMO

“O suicida, é um homem sem esperança, porque perdeu a fé… ou a deixou sobrepujar pela idéia, terrivelmente enganadora, de que a morte era o fim libertador!”

O termo suicídio define um comportamento ou ato que visa a antecipação da própria morte. Essencialmente, ele resulta de um processo em que a dor psicológica intensa, conseqüência de acontecimentos que tornam a vida dolorosa e/ou insuportável, em que deixam de existir quaisquer soluções que permitam escapar a um processo de introspecção, que deixa como única solução a morte do próprio indivíduo. Este processo desenvolve-se, regra geral, gradualmente num sentido negativo provocando um estado dicotômico em que passam a existir apenas duas soluções possíveis para um problema ou situação: viver ou morrer.

Concorrem para este comportamento fatores psicológicos diversos, entre os quais se destacam a depressão, o abuso de drogas ou álcool, doenças do foro psicológico, tais como esquizofrenia e distúrbio de stress pós-traumático, entre outros.

A Organização Mundial de Saúde estima em 150 milhões os deprimidos do mundo. É de notar que entre os mais acometidos, neste capítulo das depressões, se encontram os pastores evangélicos e os psiquiatras, entre os quais as taxas de suicídio são oito vezes maiores do que no resto da população. Estes números parecem indicar que, na realidade, ninguém salva ninguém e que as religiões ditas salvadoras nem a si mesmas se salvam.

Segundo a visão do sociólogo Émile Durkheim, podemos falar de três tipos de suicídio:

O egoísta –

é aquele que resultaria de uma individualização excessiva nas sociedades onde a moral se esforça para incutir no indivíduo a idéia do seu grande valor, fazendo com que a sua personalidade se sobreponha à coletiva. O egoísmo é tema estudado nas obras básicas da Doutrina Espírita em diversas oportunidades. Assim, no cap. XI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Emmanuel ensina que o egoísmo é a chaga da Humanidade, o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir as suas armas, suas forças e sua coragem. Coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, relaciona o egoísmo à perda de pessoas amadas, à vida de isolamento, às desigualdades sociais, às ingratidões, ao problema da fome e aos laços de família.

O altruísta –

é aquele praticado nos meios onde o indivíduo deve abrir mão da sua personalidade e ter espírito de abnegação e entrega de si às causas coletivas.

Por exemplo, o espírito militar, que exige que o indivíduo esteja desinteressado de si mesmo em função da defesa patriótica. Nesse particular a questão n.º 951 de O Livro dos Espíritos comenta que todo o sacrifício feito à custa da sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei da caridade. Ora, a vida sendo o bem terrestre ao qual o homem atribui maior valor, aquele que a renuncia para o bem do seu semelhante não comete um atentado: ele faz um sacrifício. Mas, antes de o cumprir, ele deve refletir se a sua vida não pode ser mais útil que a sua morte.

O anônimo –

é aquele que ocorre nos meios onde o progresso é e tem que ser rápido, levando a ambições e desejos ilimitados. O dever de progredir tira do homem a capacidade de viver dentro de situações limitadas, tira-lhe a capacidade de resignação e, conseqüentemente, tem-se o aumento dos descontentes e irrequietos. A doutrina espírita não poderia omitir-se face a este tema e são várias as obras básicas da Codificação que se debruçam sobre a resignação humana.

Fatores Desencadeadores e Sinais de Alerta

A tentativa de suicídio ou o suicídio em si não têm uma causa específica, mas sim um conjunto de fatores atuando sobre um indivíduo com transtornos emocionais graves. Na lista que se segue estão alguns dos fatores que podem agir como desencadeadores:

Crise de identidade
Baixa auto-estima
Distúrbios psiquiátricos (depressão)


Crises familiares (separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo de um dos pais, doença grave ou morte)
Falta de apoio no meio familiar
Perda de um familiar ou amigo querido
Crise disciplinar com os pais, na escola ou no trabalho
Situações de desapontamento, rejeição ou humilhação
Separação com o namorado ou cônjuge
Fracasso em alguma atividade valorizada
Exposição ao suicídio (meios de comunicação, família, comunidade…)
Falta de esperança
Abuso físico ou sexual
Abuso de drogas
Gravidez indesejada
Instrumentos disponíveis em casa (arma carregada, comprimidos para dormir…)

Sinais de alerta

A maioria das pessoas que tentam o suicídio ou o levam a termo, demonstram a sua intenção de alguma forma:

Sinais verbais:

Não quero viver mais.
A vida já não tem sentido.
Não vou criar mais problemas a ninguém.
Em breve o meu sofrimento vai acabar.
Gostaria de estar morto.
Ninguém se importa se estou vivo ou morto.

Planejamento:

Inventário dos bens.
Ritual de despedida ( cartas, e -mails, etc.)

Comportamentos na escola ou no trabalho:

Declínio na produção, absentismo, pouca concentração.
Comportamentos rebeldes repentinos.
Abordagem de temas sobre a morte
Perda de interesse em atividades antes agradáveis.

Comportamento interpessoal:

Abandono das relações habituais.
Mudanças repentinas nas relações.
Evita envolvimento com amigos e encontros sociais.

As pessoas que apresentavam um quadro depressivo e repentinamente melhoram devem ser observadas com atenção, principalmente se demonstram algumas atitudes acima descritas, como o inventário dos bens. Esta súbita alegria pode ser devida ao fato de que concluíram que não têm outra saída e encontraram a solução para os seus problemas: o suicídio.

O SUICÍDIO e as CRIANÇAS

O Suicídio e as Crianças

Existem três etapas diferentes na infância para a interpretação da morte:

· Até aos 5 anos a criança não tem a noção da morte definitiva, não reconhece que a morte envolve a total cessação da vida e não compreende a não reversibilidade da morte.

· Entre os 5 e os 9 anos há uma forte tendência para personificar a morte. É compreendida como irreversível, porém não como inevitável.

· Só entre os 9 e os 10 anos a criança reconhece a morte como cessação das atividades do corpo e como inevitável. Somente na adolescência será capaz de apreender verdadeiramente o conceito de morte e o significado da vida.

Nos Estados Unidos da América (EUA) o suicídio é considerado como a 4ª causa mais freqüente de óbitos em adolescentes. A taxa de suicídios entre adolescentes nos EUA aumentou mais de quatro vezes da década de 50 à de 90. Nos anos 50, em cada 100 mil pessoas entre os 15 e os 19 anos apenas 2,7 se matavam por ano. Agora, esse número é de 11,1. Os índices de suicídio em jovens adultos (dos 20 aos 24 anos) duplicaram no mesmo período.

Segundo uma pesquisa efetuada pelo governo dos EUA, o aumento dos índices de suicídio entre os jovens ocorreu em todos os segmentos da população, contudo é possível constatar picos quando algum personagem famoso se mata e o fato recebe grande cobertura dos meios de comunicação.

“Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. Se te parecem insuportáveis as dores, lembra-te de Jesus, ora, aguarda e confia”.


SUICÍDIO
O LIVRO DOS ESPÍRITOS


O Suicídio e o Espiritismo

944. Tem o homem o direito de dispor da sua vida?

“Não, só a Deus assiste esse direito. O suicídio voluntário transforma-se numa transgressão desta lei.”

944 a) Não é sempre voluntário o suicídio?

“O louco que se mata não sabe o que faz.”

945. Que se deve pensar do suicídio que tem como causa o desgosto da vida?

“Insensatos! Por que não se esforçavam? A existência não lhes teria sido tão pesada.”

946. E do suicídio cujo fim é fugir, aquele que o comete, às misérias e às decepções deste mundo?

“Pobres espíritos, que não têm a coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que carecem de energia e de coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Ai, porém daqueles que esperam a salvação do que, na sua impiedade, chamam acaso, ou fortuna! O acaso, ou a fortuna, para me servir da linguagem deles, podem, com efeito, favorecê-los por um momento, mas para lhes fazer sentir mais tarde, cruelmente, a vacuidade dessas palavras.”

957. Quais são, em geral, em relação ao estado do Espírito, as conseqüências do suicídio?

“Muito diversas são as conseqüências do suicídio. Não há penas determinadas e, em todos os casos, correspondem sempre às causas que o produziram. Há, porém, uma conseqüência a que o suicida não pode escapar: é o desapontamento. Mas, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias. Alguns expiam a falta imediatamente, outros em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam”. (…)

A afinidade que permanece entre o Espírito e o corpo produz, nalguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo no Espírito, que, assim, a seu mau grado, sente os efeitos da decomposição, donde lhe resulta uma sensação cheia de angústias e de horror, estado esse que também pode durar pelo tempo que devia durar a vida que sofreu interrupção. Não é geral este efeito; mas, em caso algum, o suicida fica isento das conseqüências da sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia, de um modo ou de outro, a culpa em que incorreu.

Assim é que certos Espíritos, que foram muito desgraçados na Terra, disseram ter-se suicidado na existência precedente e submetido voluntariamente a novas provas para tentarem suportá-las com mais resignação. Em alguns verifica-se uma espécie de ligação à matéria, de que inutilmente procuram desembaraçar-se, a fim de voarem para mundos melhores, cujo acesso, porém, se lhes conserva interdito. A maior parte deles sofre o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois que só decepções encontram.

A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram que o suicídio não é uma falta, somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos revela.

Conclusão

Era de se esperar que, com o avanço da civilização, o homem tomasse consciência das verdades imutáveis e da razão por que estamos a viver, neste mundo, uma vida material. Isto não acontece no entanto, verificando-se a incidência de taxas de suicídio tanto mais elevadas, quanto mais evoluídas são as comunidades!

Este facto denuncia-nos que, na sua maioria, a causa está no afastamento de Deus da vida humana, na quebra do sentido e da necessidade de aperfeiçoamento e ainda no desconhecimento de que o sofrimento é o melhor meio que temos ao nosso alcance, para obtermos cada vez mais elevação espiritual, preferindo fazer com que o desânimo predomine, apoderando-se da vontade e conduzindo o homem à tresloucada resolução do suicídio, na esperança de que assim acabará tudo, deixando de sofrer, deleitando-se nesta enganosa libertação.

Como os homens estão enganados! E a surpresa não se fará esperar e será dolorosa, angustiante, porque em breve verificarão que a “morte” não é o fim absoluto, mas apenas o fim de uma etapa da vida… como se fosse o fim de um acto, da infinita cena da vida, que, para cada um, será uma comédia ou uma tragédia e esta o será sempre, para todos aqueles que recorram ao suicídio.

SUICÍDIO

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O Suicídio: Perguntas e Respostas

Quais as principais motivações que podem levar alguém ao suicídio nos dias de hoje?

A primeira delas é a falta da noção da Idéia de Deus. O restante é tudo conseqüência, como por exemplo, uma noção deturpada da vida após a morte. Hoje, como conseqüência destas duas idéias citadas acima, vemos as pessoas a procurar necessidades que as fazem sofrer por não atingir o padrão que os meios de comunicação e a sociedade impõem; estes cobram das criaturas que elas tenham determinado padrão de beleza, determinado padrão social, determinado padrão de cultura determinado padrão de pensamentos e se as pessoas não alcançam este padrão, entram num desânimo, num sentimento de menos valia, na depressão e daí, como lhes faltam o conhecimento da Idéia de Deus e de Suas Leis, para o suicídio faltam poucos passos, pois a noção de mundo espiritual também é frágil.

Todo aquele que se suicida sofre muito ao chegar ao plano espiritual, ou existe alguma excepção a esta regra?

Cada caso é um caso. Não podemos esquecer que mesmo o suicídio sendo um crime, as Leis de Deus usarão todos os nossos créditos que tenhamos no sentido do socorro. Por exemplo, pode existir uma pessoa que se tenha suicidado por qualquer razão, mas que traga alguns méritos, de ser um indivíduo trabalhador, honesto, de ter sido bom pai, de ter auxiliado as pessoas, até aquela data. É claro que este será visto de maneira diferente daquele que não traz nenhuma qualidade, pois ele próprio dificultará o socorro.

Ao reencarnar, absorvemos uma quantidade de fluido vital. O suicida antecipa a sua morte. Como se extingue, então, este fluido?

Com o passar do tempo, este fluido vai se extinguindo neles. Muitas vezes pode levar até anos. No Livro “Memórias de Um Suicida” vemos que os suicidas que estão na região chamada Vale dos Suicidas, que já é uma região de socorro, pois os suicidas ali estão a ser monitorizados, quando estes fluidos começam a extinguir-se, eles tornam-se capazes de perceber o socorro junto deles, e é nestas horas que são levados para ambientes hospitalares no Plano Espiritual. No livro citado, o Hospital Maria de Nazaré.

No caso de uma criança, por volta dos 12/13 anos, que consequências terá para ela o suicídio?

O erro é sempre um erro, mas a percepção desse erro estará na medida do entendimento daquele que errou, pois muitas das vezes a criança que se mata fá-lo sem a devida noção dos seus atos, até mesmo as leis humanas as olham de maneira diferente quando apreciam os seus erros e crimes.

O suicida carrega para outra vida a recordação “inconsciente” deste ato? Esta recordação pode fazer surgir, em algum momento da sua vida, este desejo novamente?

O suicida em determinada época já reencarnado, se trazia no mundo espiritual plena consciência após ser socorrido, traz com ele não só o mapa das expiações, conseqüência direta do suicídio, como também a necessidade da prova, e é nessas horas que encontra situações semelhantes àquela que o fizeram desistir da luta, procurando o suicídio. Embora não exista uma regra, o fato se dá quase sempre numa idade próxima daquela em que ocorreu o suicídio.

No suicídio inconsciente (tabagismo, alcoolismo) o espírito terá de sofrer-lhe também as consequências, embora minoradas. Como entender as penas deste?

Sofrerá as consequências de ter lesado determinadas partes do seu corpo, como também sofrerá as conseqüências morais de ter cedido as paixões que o levou ao vício.

Como ajudar uma pessoa que diz que pretende se suicidar? É indicado um tratamento com psicólogo para estes casos?

Há necessidade de se usar todos os recursos de que se puder dispor para cada caso específico. A psicologia será de grande auxílio, alguns casos será necessário até o auxílio da psiquiatria (nos casos de depressão) mas não podemos esquecer que o conhecimento da Doutrina Espírita, fortalecendo em nós a idéia de Deus e mostrando-nos que não vale a pena o suicídio como porta de saída, será sempre o antídoto perfeito contra o suicídio, principalmente porque poderemos valer-nos não só dos conhecimentos, da fluidoterapia que nos recompõem corpo e mente, como também nos indicará o trabalho do bem como elemento sustentador da nossa harmonia íntima. Diz Kardec, no livro A Viagem Espírita de 1862 da editora “O Clarim” que muitos poderiam rir das nossas crenças na Doutrina Espírita, mas jamais poderiam rir quando vissem homens transformados. O Espírito Hilário Silva no livro O Espírito de Verdade (FEB), conta-nos uma história, que ocorreu na França no tempo de Kardec, de um livreiro que manda para Kardec um livro ricamente encadernado e narra na dedicatória que estava prestes a suicidar-se, atirando-se ao rio Sena, quando tocou em algo que caiu no chão. Era O Livro dos Espíritos e na contracapa estava escrito: “Este livro salvou a minha vida”. Curioso, ele leu o livro e quando o remeteu a Kardec acrescentou: “Também salvou a minha.”

DEPOIMENTOS de SUICIDAS

Camilo Castelo Branco, in Memórias de um Suicida (Ivone A. Pereira)

“(…) O vale dos leprosos, lugar repulsivo da antiga Jerusalém de tantas emocionantes tradições, e que no orbe terráqueo evoca o último grau da abjeção e do sofrimento humano, seria consolador estágio de repouso comparado ao local que tento descrever. Pelo menos, ali existiria solidariedade entre os renegados! Os de sexo diferente chegavam mesmo a amar-se! Adotavam em boas amizades, irmanando-se no seio da dor para suavizá-la! Criavam a sua sociedade, divertiam-se, prestavam-se favores, dormiam e sonhavam que eram felizes!

Mas no presídio de que vos quero dar contas nada disso era possível, porque as lágrimas que se choravam ali eram ardentes demais para se permitirem outras atenções que não fossem as derivadas da sua própria intensidade!

No vale dos leprosos havia a magnitude compensadora do Sol para retemperar os corações! Existia o ar fresco das madrugadas com seus orvalhos regeneradores! Poderia o preceito ali detido contemplar uma faixa do céu azul! … Seguir, com o olhar enternecido, bandos de andorinhas ou de pombos que passassem em revoada! (…)

Mas na caverna onde padeci o martírio que me surpreendeu além do túmulo, nada disso havia!

Aqui, era a dor que nada consola a desgraça que nenhum favor ameniza a tragédia que idéia alguma tranqüilizadora vem orvalhar de esperança! Não há céu, não há luz, não há sol, não há perfume, não há tréguas!”

Antero de Quental

“Ah! Que se soubessem por que preço pagamos a libertação pelo suicídio, ninguém se suicidaria!

Os maiores martírios da Terra são doces consolações em comparação com os mais suaves sofrimentos de um suicida!

E é porque Deus castigue? Não, é porque tem de ser.

É da lei. É fatal como é da lei girar a Terra no seu eixo, e as estrelas na sua órbita.

Esse sofrimento não é cego e igual. É harmônico, equitativo, justo, como é justo, equitativo e harmônico tudo o que obedece à lei imutável do Universo, que Deus firmou com a sua vontade e perfeição.
E nós, aí na Terra, a querermos apreciar com a nossa inteligência microscópica a grandeza do infinito!
É querermos iluminar o mundo na treva de uma noite, com a luz de uma lamparina!

Avalias tu, ou alguém, o que é o infinito?

Se avaliares, terás apreciado Deus e a sua obra!”

Sexo, Espiritualidade e Espíritismo


Parece que nunca a relação entre sexo e espiritualidade tem sido tão discutida pelas diferentes vertentes espirituais, religiosas e esotéricas do mundo. Para termos uma visão do tema dentro da perspectiva espírita, conversamos com Wladimir Lisso, diretor da área de Assistência Espiritual FEESP (Federação Espírita do Estado de São Paulo).
Segundo nos explicam os especialistas no assunto, quando as primeiras manifestações espirituais surgiram ou se desenvolveram em nossa civilização, elas estavam diretamente relacionadas com os ciclos da natureza e da terra da fertilidade. Nas chamadas religiões pagãs, o aspecto sexual estava presente nos rituais, mas em tempos mais recentes várias religiões cristãs, como o catolicismo, esconderam ou evitaram as questões relacionadas a sexo.
Hoje em dia, com o sexo sendo apresentado em todo lugar e com uma espécie de “retorno” das “religiões pagãs”, a discussão voltou a estar na linha de frente das questões ligadas à espiritualidade. E não seria diferente com o Espiritismo, que discute a questão abertamente há muito tempo.
Wlademir Lisso, que recentemente publicou seu livro ”Temas Atuais na Visão Espírita Volume I”, é um dos pesquisadores e estudiosos que vem discutindo o tema em profundidade. A seguir, ele responde a algumas perguntas elaboradas pela Espiritismo & Ciência.
Qual a relação entre sexo e espiritualidade?
Uma das dificuldades que o espírita enfrenta no entendimento do sexo está na visão espírita do conceito de sexualidade, que assume dimensões universais, pois define a força sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos de vida.
A ignorância leva à concentração da idéia de sexualidade apenas na sua manifestação no ato sexual, do ponto de vista biológico, restringindo a um comportamento específico a função cósmica da sexualidade como força criadora do Espírito.
Em “O Livro dos Espíritos”, em resposta à questão “Os espíritos têm sexo?”, os Espíritos esclarecem: “Não como entendeis, porque o sexo dependem da constituição orgânica...”
Os Espíritos se referem à citada visão limitada de sexo que desenvolvemos quando encarnados, concentrada no ato biológico, tendo em vista que assume preponderância o erotismo – parte das forças sexuais manifestada no fluido vital. Entretanto, à luz da Doutrina Espírita, “a obra do universo é filha de Deus. O sexo, portanto, como qualidade positiva ou passiva dos princípios e dos seres, é manifestação cósmica em todos os círculos evolutivos, até que atinjamos o campo da harmonia perfeita, onde essas qualidades equilibram-se no seio da divindade” (Missionários da Luz, André Luiz).
O condicionamento criado pela mídia nos leva a situar o sexo exclusivamente nos órgãos sexuais. Entretanto, o sexo nesse sentido restrito é apenas uma das inúmeras manifestações da energia sexual, que “... é princípio universal e acha-se inserido em toda a manifestação do universo” (Missionários da Luz, André Luiz).
As forças sexuais são a base da criação do Espírito em todos os planos da vida e em todos os períodos de desenvolvimento da matéria orgânica durante a reencarnação.
Determinam não só os trabalhos em geral, as obras de todos tipos (artísticas, científicas, sociais etc), como também a permuta de forças positivas entre seres que se amam, através da atuação da lei de sintonia que, a partir dos sentimentos afins, estabelece a ligação entre os seres por exteriorização nas ondas mentais e, conseqüentemente, na ação. O ato sexual, do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Como se dá a união entre o sexo e a espiritualidade? Quando estamos nos referindo ao sexo ato biológico que liga dois seres como decorrência da atração gerada pela libido sexual, ou até por outras razões, como ocorre no caso de prostituição, é importante para nós espíritas estabelecermos que o ato em si é apenas uma das manifestações da sexualidade.
Fundamental desmistificar o sexo que significa “... o esforço para compreender a força sexual, a fim de usá-la com dignidade e proveito próprio” (Amor, Casamento & Família, Jaci Régis), tal significando que o equilíbrio virá quando conseguirmos finalmente exteriorizar, através do ato sexual, apenas o amor que já sentimos em relação ao parceiro ou parceira; sendo que, no momento atual, na maioria dos casos o que impulsiona o ato sexual é a satisfação de paixões de natureza física, a partir de um “jogo” de exteriorizações entre parceiros que, geralmente, não correspondem a uma realidade fundamentada nos sentimentos que cultivam no seu campo do “sentir”.
A idéia de que as mulheres usam o sexo para conseguir amor e os homens usam o amor para conseguir sexo, mostra bem as visões diferenciadas sobre a sexualidade, com o ato sexual gerando, em inúmeros casos, não um encontro de vibrações harmônicas que traria equilíbrio, inclusive espiritual, devido às trocas de fluidos positivos, mas uma “distonia” em que os sentimentos estão em conflito, embora aparentemente harmonizados no sexo biológico.
Na visão espírita, sexo define-se como “... atributo não apenas respeitável, mas profundamente santo da natureza, exigindo educação e controle” (Vida e Sexo, Emmanuel).
Entenda-se que educação e controle significam o exercício das funções sexuais, entre as quais a biológica, dentro do princípio moral básico do “amar ao próximo como a nós mesmos”, refreando nossos impulsos e buscando os laços de afetividade e lealdade que devem estar presentes em todas as relações humanas, e principalmente na relação sexual que estabelecemos no nosso campo de vida.
A manifestação da sexualidade – força criadora do Espírito – no ato sexual físico é a conseqüência dos sentimentos que movem o pensamento e a ação. São os sentimentos que encadeiam a atuação da lei de ação e reação, com suas características específicas que estabelecem os atenuantes e agravantes em todas as suas manifestações.
Por que o sexo foi tão perseguido por várias religiões ao longo da história?
O sexo foi tratado de forma diferenciada pelas várias civilizações que predominaram ao longo de nossa história. Na Grécia antiga, havia uma visão mais liberal, inclusive no que se refere à homossexualidade, embora já se observasse nessa civilização o preconceito em relação aos homossexuais do sexo masculino que tinham trejeitos femininos.
No Ocidente, a religião que adquiriu predomínio na nossa era, o catolicismo se desenvolveu no sentido de manter os adeptos sob controle, e obviamente perceberam que o sexo envolvia um aspecto do ser humano no qual as falhas eram freqüentes.
Somente no século 19 teve início um movimento maior de maior liberação, quando o assunto começou a ser abordado na psicanálise. Contudo, em todo o mundo, até os anos 1950, ainda não se abordava o tema, sendo praticamente inexistente qualquer tipo de educação em família, até em países de maior evolução material como nos Estados Unidos.
Vimos as perseguições como uma forma utilizada para se manter o “pecador” sob controle, inclusive explorando suas tendências sexuais para a venda de benefícios como as indulgências, o que gerou – já que praticado pela religião predominante – um condicionamento cultural que ainda se observa até os nossos dias.
Em que o sexo pode ajudar no desenvolvimento da espiritualidade? E em que o sexo pode prejudicar esse desenvolvimento?
Conforme já dissemos antes, as forças sexuais são a base da criação do Espírito, e o ato sexual do ponto de vista biológico é apenas uma das formas de sua manifestação.
Nesse aspecto, todos os seres humanos são passíveis de cometer erros no exercício da sua sexualidade – sejam heterossexuais, homossexuais ou bissexuais -, de acordo com os sentimentos que os movem para a prática do sexo, que nada mais é do que a conseqüência da exteriorização do Espírito, através do cérebro, dos sentimentos que cultiva na sua base.
A ciência identifica no cérebro humano o principal órgão sexual. O Espiritismo concentra nas forças criadoras do Espírito todas as modificações que se observam no cérebro humano gerando as manifestações do sexo através dos órgãos sexuais.
Do ponto de vista espiritual, por exemplo, destacamos a infidelidade, que é a manifestação de um sentimento negativo através do pensamento e ação. É a satisfação do instinto primitivo de realização através da matéria de um desejo.
Isso leva o ser humano a mentir não somente para a esposa, mas também para os filhos e toda a família. Em face às leis divinas, isso encadeia o processo de reações negativas que, necessariamente, ensejam reajustes que podem se manifestar em vidas sucessivas de dor e sofrimento, nas quais a pessoa aprenderá o necessário respeito à dignidade humana, o que falta nas relações sociais em que existe a mentira, a dissimulação, a falsidade.
Embora se esteja diante de um comportamento que decorre do estágio evolutivo da humanidade espiritual que está ligada a um mundo de provas e expiações, como espíritas não podemos deixar de lado a necessidade de nos educar e educar as pessoas que estão caminhando conosco na existência, e a melhor forma para isso será sempre o exemplo de adequação do nosso comportamento às leis morais trazidas por Jesus ao cenário da Terra.
A prática do sexo, em todas as suas formas, há que vir da manifestação de sentimentos qualificados pelo amor, gerando respeito. Da mesma forma que representa poderosa ferramenta de evolução, também pode representar poderosa ferramenta na assunção de novas necessidades de reajustes entre Espíritos, face à Lei de Ação e Reação.
Por que algumas tendências espirituais optam pela castidade?
A castidade envolve a sublimação do sexo, ou seja, o ato de redirecionar as forças sexuais criadoras para outras atividades que não a prática do ato biológico do sexo.
A sublimação, no sentido de se direcionar as forças sexuais para criações em outros planos, depende de educação; e é alternativa válida, não obrigatória, seja para heterossexuais ou homossexuais. Entretanto, trata-se de um processo de educação, já que temos as experiências desastrosas da sublimação imposta na religião gerando os estupros e a pedofilia por toda a parte.
A alternativa para a sublimação, em todos os casos, é o sexo praticamente com responsabilidade e respeito, seja heterossexual ou homossexual, já que, como cita André Luiz, não deixa de ser também uma fonte transitória de prazer, e todos temos o direito de sermos felizes, apesar das diferenças.
O sexo relacionado à espiritualidade tem alguma diferença do sexo nas relações naturais do ser humano, no seu dia-a-dia?
Conforme já citamos, sexualidade é o móvel da criação em todos os planos de vida. Quando estamos interagindo com a matéria no corpo físico, nossa visão é limitada ao sexo do ponto de vista biológico.
No futuro, nossa evolução levará à eliminação da polaridade sexual – sexos diferentes – que, neste momento, é essencial para as experiências que necessitamos para nosso progresso. A diversidade que observamos neste momento, inclusive em sexualidade, tenderá a desaparecer quando tivermos no Espírito um único ser em equillíbrio energético.
Em O Espiritismo e os Problemas Humanos, os autores Deolindo Amorim e Hermínio Miranda observam que “... em espíritos de elevada condição evolutiva... não há mais predominância de uma polarização sobre a outra, e sim um redirecionamento na utilização da energia como um todo”.
À luz da Doutrina Espírita, a evolução da humanidade como um todo, levando nosso mundo para o plano de mundos regenerados, exige a erradicação dos grandes problemas que no momento constituem obstáculo à transição no campo do progresso. Regeneração virá quando a humanidade – no que diz respeito ao uso das forças sexuais –, conseguir direcioná–las para as realizações edificantes do ponto de vista espiritual, estabelecendo através de relações monogâmicas a atividade sexual, do ponto de vista biológico, fundamentada na sintonia entre os sentimentos mútuos daqueles que se unem para uma vida comum.
A regeneração virá quando o direcionamento das forças sexuais, à luz dos princípios espíritas, eliminar do nosso plano de vida a prostituição – o que não depende somente das prostitutas, mas principalmente daqueles que delas se utilizam como se fossem as depositárias de suas paixões inferiores que não conseguem governar.
A regeneração face ao sexo virá quando o ser humano vir nas crianças os Espíritos Encarnados – que realmente são -, que são colocados no nosso caminho não para seus corpos físicos serem usados na exploração sexual, mas para que se direcionem seus caminhos para a educação do Espírito, visando ao exercício das suas faculdades na construção da sua felicidade.
A masturbação exerce algum papel sob o ponto de vista espiritual?
A masturbação, vista no passado como ‘pecado’, gerando até em pessoas do sexo masculino “cintos” para evitar a prática, tem na atualidade uma visão diferenciada. Segundo os especialistas, é a forma de sexo mais praticada no mundo por homens e mulheres. Do ponto de vista espiritual, e por ignorância, citam-se processos de obsessão, com o que não concordamos absolutamente, por se tratar de manifestação da ‘fantasia’ que trazemos na memória.
O fato é que em todas as manifestações do sexo – a própria ciência conclui -, o processo se inicia no cérebro – para nós, no Espírito – até se manifestar nos órgãos sexuais, e as formas do sexo.
A masturbação hoje é vista como forma de libertação de partículas orgânicas que, se não liberadas, podem até trazer prejuízos à saúde.
Como forma de sexo, cabem as mesmas regras para o sexo em geral, que são controle e equilíbrio na sua prática para que não se transforme em vício, gerando dispersão da força criadora espiritual.
Qual é o papel da homossexualidade – masculina e feminina – neste quadro de desenvolvimento espiritual?
Em matéria de preconceito, inicialmente, cumpre-se estabelecer sua definição, que consiste em opinião ou conceito formado antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. É também julgamento ou opinião sem levar em conta argumentos contrários.
O preconceito manifesta-se na sociedade contemporânea sob diversas faces, entre elas as citadas em interessante obra “12 Faces do Preconceito”, de autores diversos, abordando mulheres, raças, idosos, obesidade, baixa estatura, anti-semitismo, deficientes, migrantes e, entre eles, preconceitos relacionados com sexo.
Geralmente, os preconceitos têm origem na nossa ignorância sobre a diversidade característica de um mundo de provas e expiações como o nosso. No nosso atual estágio de progresso, a diversidade gera diferenças de corpos, situações sociais, econômicas, regionais etc., tendo em vista as diferenças que existem em relação a graus evolutivos entre espíritos que formam nossa humanidade espiritual.
A igualdade se manifesta no processo da criação e as diferenças decorrem das várias fases do nosso progresso até que, em estágios de maior evolução, a semelhança entre espíritos acentua-se gradativamente pelo entendimento das Leis de Divinas e consciência da necessidade de seu cumprimento, estabelecendo uma rota única através do universo.
Preconceitos geram dor, sofrimento e reencarnações compulsórias em grupos de minoria, vítimas no passado da nossa ignorância, gerando a necessidade de educação e desenvolvimento da eqüidade nas relações humanas em geral.
Diante de nossos semelhantes é forçoso admitir que não somos todos iguais, seja em relação ao Espírito, seja em relação à matéria. Entretanto, eqüidade significa essencialmente que, respeitadas as diferenças que existem entre os seres humanos, todos temos direitos iguais.
Na visão espírita, a sexualidade assume dimensões universais, pois caracteriza a energia sexual como sendo a base de criação do Espírito em todos os planos da vida. Observamos presentes, na criança e no jovem, os sentimentos homofóbicos que geram perseguições e violência contra homossexuais e prostitutas, o que não se justifica a não ser pela nossa ausência de conhecimento.
A ciência, em geral, busca explicações sobre a homossexualidade, sem encontrá–las seja na genética, na sociologia ou na psicologia.
Em relação à diversidade, é fundamental compreender o relacionamento com pessoas que sentem, pensam e se comportam de maneiras diversas das nossas, o que não significa que estejamos certos e as demais pessoas, erradas. Há sempre acertos e erros.
Nos comportamentos diferenciados em relação ao sexo, lembremos a lição extraordinária de Emmanuel, convidando-nos a não “atirarmos a primeira pedra...”, pois “... não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria a Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão” (Vida e Sexo, Emmanuel).
O homossexualismo, longe de ser uma aberração, é uma forma de lapidação para o Espírito que se encontra incurso em determinado ângulo de reparação evolutiva da mesma.
A qualidade de vida de pessoas que vivem em grupos minoritários vai depender basicamente da educação dos grupos de maioria. Em matéria de homossexualismo, podemos dizer que a qualidade de vida dos homossexuais depende da educação dos heterossexuais.
Aos Espíritas cabe negar os preconceitos sem medo. André Luiz, em “Sexo e Destino”, esclarece que: “... no mundo porvindouro os irmãos reencarnados, tanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade no mesmo nível de dignidade humana...” Alerta que se trata de “erro lamentável supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis condições humanas, sendo possa servir de templo às manifestações afetivas”, e convida o indivíduo a fugir das aberrações e dos excessos que podem ser praticados, seja qual for a forma de comportamento sexual (heterossexualidade e homossexualidade), mas “... é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no universo para amarem e serem amados”.
Ninguém é homossexual porque quer ou aprendeu a ser. Ser diferente nem sempre é errado. Preconceito é sinônimo de ignorância.
Reencarnações que visam à contenção de impulsos e práticas, principalmente quando de livre escolha do Espírito reencarnante, são manifestações de auto-consciência que buscam a harmonia com as leis através das provas e expiações.


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