Não te esqueças de que a solução para o problema que te angustia, está a caminho.

Nos tribunais da Divina Justiça, nenhum processo fica parado.

A tua petição, depois de examinada, será deferida de acordo com os teus méritos.

Não te aflijas, antecipando-te às providências que haverão de ser tomadas em favor de tua paz.

Nem agraves a tua situação, tornando inócuas, quando te alcancem, as deliberações em andamento.

Saber esperar é tão importante quanto saber agir.

Toda decisão precipitada acaba sendo uma solução pela metade para o problema que se pretende resolver.

A solução que demora a surgir ainda não encontrou, disponíveis, os elementos que a favoreçam.


Irmão José/Carlos A. Baccelli
livro "Vigiai e Orai"











Dez Maneiras de Amar a Nós Mesmos

1. Disciplinar os próprios impulsos.

2. Trabalhar, cada dia, produzindo o melhor que pudermos.

3. Atender aos bons conselhos que traçamos para os outros.

4. Aceitar, sem revolta, a crítica e a reprovação.

5. Esquecer as faltas alheias sem desculpar as nossas.

6. Evitar as conversações inúteis.

7. Receber no sofrimento o processo de nossa educação.

8. Calar diante da ofensa, retribuindo o mal com o bem.

9. Ajudar a todos, sem exigir qualquer pagamento de gratidão.

10. Repetir as lições edificantes, tantas vezes quantas se fizerem necessárias, perseverando no aperfeiçoamento de nós mesmos, sem desanimar e colocando-nos a serviço do Divino Mestre, hoje e sempre.







Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
mesmo sabendo que as rosas não falam...

Que eu não perca o OTIMISMO, mesmo sabendo que o futuro
que nos espera pode não ser tão alegre...

Que eu não perca a VONTADE DE VIVER, mesmo sabendo que a vida é,em muitos momentos, dolorosa...


Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
mesmo sabendo que, com as voltas do mundo,
eles acabam indo embora de nossas vidas...

Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
Mesmo sabendo que muitas delas são incapazes
de ver, reconhecer e retribuir, esta ajuda...

Que eu não perca o EQUILÍBRIO, mesmo sabendo
que inúmeras forças querem que eu caia...

Que eu não perca A VONTADE DE AMAR, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...

Que eu não perca a LUZ E O BRILHO NO OLHAR, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão os meus olhos...

Que eu não perca a GARRA, mesmo sabendo que a derrota e a perda

São dois adversários extremamente perigosos...

Que eu não perca a RAZÃO, mesmo sabendo

que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...

Que eu não perca o sentimento de JUSTIÇA, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu...

Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO, mesmo sabendo
que um dia os meus braços estarão fracos...

Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VIVER, mesmo sabendo

que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...

Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...


Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado...

Que eu não perca a vontade de SER GRANDE, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno...

E acima de tudo...

Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!

Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois...

A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS

E CONCRETIZADA NO AMOR!






Desencanto

Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.

E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,

Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.

E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.


Autor: Hermes Fontes
(psicografia de Chico Xavier )

Estudos Doutrinários

sábado, 28 de novembro de 2015

Três Lindos Casos de Chico Xavier



TENHA PACIÊNCIA, MEU FILHO 

Quando Dona Maria João do Deus desencarnou, em 29 de setembro do 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita do Cássia, velha amiga e madrinha da criança.

Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça.

Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de vara de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara êsse estranho processo do torturar.

O garôto chorava muito, permanecendo, horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar-se, porque a madrinha repetia, nervosa:

- Êste menino tem a diabo no corpo.

Um dia, lembrou-se a criança de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu nôvo lar.

Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais.

Quando terminou, oh! maravilha!

Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.

Chico, que ainda não lidara con as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte.

Abraçou-a, feliz; e gritou:

- Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora...

- Não posso, - disse a entidade, triste.

- Estou apanhando muito, mamãe!

Dona Maria acariciou-o e explicou:

- Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.

- Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo...

- Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos.

Em seguida, desapareceu.

O pequeno, aflito, chamou-a em vão.

Desde desse dia, no entanto, passou a receber o contacto de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas.

- Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, que não chora, nem mesmo a pescoção.

Porque a criança explicasse ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado".

E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filêtes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal!, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velha árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.

Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos.

O VALOR DA ORAÇÃO

A madrinha do Chico, por vêzes, passava tempos entregue a obsessão.

Assim é que, nessas fases, e exasperação dela era mais forte.

Em algumas ocasiões, por isso, condenava o menino a vários dias de fome.

Certa feita, já fazia três dias que a criança permanecia em completo jejum.

À tarde, na hora da prece, encontrou a mãezinha desencarnada que lhe perguntou o motivo da tristeza com a qual se apresentava.

- Então, a senhora não sabe, - explicou o Chico - tenho passado muita fome...

- Ora, você está reclamando muito, meu filho! - disse Dona Maria João de Deus - menino guloso tem sempre indigestão.

- Mas hoje bem que eu queria comer alguma coisa...

A mãezinha abraçou-o e recomendou:

- Continue no oração e espere um pouco.

O menino ficou repetindo as palavras do Pai Nosso e daí a instantes um grande cão da rua penetrou o quintal.

Aproximou-se dêle e deixou cair da bocarra um objeto escuro.

Era um jatobá saboroso...

Chico recolheu, alegre, o pesado fruto, ao mesmo tempo que reviu a mãezinha no seu lado, acrescentando.

- Misture o jatobá com água e você terá um bom alimento.

E, despedindo-se da criança, acentuou:

- Como você observa, meu fiiho, quando oramos com fé viva até um cão pode nos ajudar, em nome do Jesus.

O ANJO BOM

Dois anos do surras incessantes.

Dois anos vivera o Chico junto da madrinha.

Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de Deus, Chico implorou:

- Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?

o Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:

Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece a vontade de Deus...

- Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...

A Mãezinha consolou-o e explicou:

- Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.

E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:

- Mamãe, quando é que a anjo chegará?

- Espere, meu filho! - era a resposta de sempre.

Decorridos dois meses, a Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em segundas núpcias.

E Dona Cidália Batista, a segunda espôsa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas.

Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico.

Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos...

Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura a perguntou:

- Meu Deus, onde estava êste menino com a barriga deste jeito?

Chico, encorajado com a carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido.

A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:

- Você sabe quem sou, meu filho?

- Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...

E, desde então, entre as dois, brilhou a amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até a morte.

Chico Xavier

sábado, 21 de novembro de 2015

Felicidade na visão espírita



Ninguém diria em sã consciência que não deseja ser feliz.
Todos procuram, nos mais variados lugares e das mais diferentes formas.
Como já disse Divaldo Pereira Franco: “O grande desafio da criatura humana é a própria criatura humana”, ou seja, o nosso grande desafio somos nós mesmos, nosso autoconhecimento.
Sabemos que não somos somente aparência material, física. O ser humano é pré-existente ao corpo e a ele sobrevive. Através desse conceito é que conseguimos entender nossos enigmas, as problemáticas do inter-relacionamento, da dor, do desamor.
Allan Kardec, diz no Evangelho Segundo o Espiritismo, que a felicidade não é deste mundo. Não quis ele, afirmar que aqui é um vale de lágrimas, mas sim, que este mundo é uma escola. E como toda escola, existe a disciplina e quem não respeita estas disciplinas precisa ser reeducado, repete de ano, no nosso caso, precisa voltar, reencarnar, recomeçar.
A felicidade tem uma conotação diferente para cada criatura, de acordo com nível intelectual de cada um.
Por estarmos a maioria, ligados ao material, muitos condicionam a conquista da felicidade à aquisição de bens materiais, outros ancoram o sonho da felicidade na busca da fama, do sucesso, do poder, para outros a felicidade está associada à inexistência de problemas, e a lista prossegue sem fim.
Temos que lembrar que a vida não é um problema, é um desafio. Ela nos apresenta oportunidades de crescimento, nos setores que mais necessitamos. Por detrás dos problemas existem lições, desafios, tarefas. E a grande ventura tomará conta de nós quando vencermos os obstáculos que a vida nos apresenta.
Lembremo-nos da felicidade de Francisco de Assis, conquistada na humildade, na pobreza e no serviço ao próximo. O santo da humildade era moço rico, mas vivia amargurado na riqueza que possuía, só encontrou a paz depois que se entregou à riqueza do espírito. Não nos esqueçamos de Paulo de Tarso, que na condição de poderoso Saulo era infeliz, mas voltou a viver após o célebre encontro a felicidade pessoal. Gandhi encontrou a sua felicidade na luta pela paz. Madre Tereza e Irmã Dulce, apesar dos inúmeros padecimentos que sofreram, conseguiram encontrar a felicidade na felicidade que podiam proporcionar aos desvalidos do caminho. Como esquecer a permanente alegria de Chico Xavier ? E problemas na vida não lhe faltaram. Divaldo Pereira Franco, outro exemplo de felicidade por fazer outros felizes diz: “Quando nós começarmos a tornar a Terra dígna de viver, o Reino de Deus estará entre nós.” Portanto, a felicidade, nós a encontraremos na harmonização, no amor verdadeiro, na renúncia e no desprendimento. Nós a encontraremos ainda, dedicando-nos aos que sofrem, procurando amenizar-lhes as dores.
A felicidade não é deste mundo, mas começa aqui. Cabe a nós, seres inteligentes descobrir na Terra a razão fundamental da nossa existência. Será que estamos aqui para curtir a vida de maneira banal ou imoral? Portanto, enquanto não buscarmos o enriquecimento moral e espiritual, tudo nos parecerá sem sentido ou significado, tornando nossas encarnações um desafio recheado de desencanto e aflição. Buscando a felicidade em acontecimentos ou em algum bem material. E a felicidade não está fora de nós, ela é, antes de tudo, um estado de espírito. Ser feliz é nossa atitude diante da tarefa que viemos fazer na Terra, que é “progredir espiritualmente” e de preferência ajudando outros a progredirem.
Seremos felizes, materialmente, se nos contentarmos com o necessário para viver, superando as pressões da sociedade de consumo que, com seu incrível agente – a propaganda – induz-nos a desejar o supérfluo e a consumir até mesmo o que é nocivo, como o fumo e as bebidas alcoólicas.
A esse propósito vale lembrar Diógenes, famoso filósofo grego, que demonstrava um absoluto desprezo pelas convenções sociais e pelos bens materiais, em obediência plena às leis da Natureza.
Proclamava que para ser feliz o homem deve libertar-se do supérfluo, limitando-se ao essencial : andava descalço, vestia uma única túnica que possuía e dormia num tonel, que se tornou famoso em toda a Grécia.
Certa feita viu um garoto tomando água num riacho, a usar o côncavo das mãos. Então, exultou o filósofo: “Aí está, esse menino acaba de ensinar-me que ainda tenho objetos desnecessários.” – Assim, dispensou a caneca que usava, passando a utilizar-se das mãos.
Alexandre, o grande, senhor todo poderoso de seu tempo, curioso por conhecer aquele homem singular e desejando testar seu famoso desprendimento, aproximou-se dele em uma manhã fria de inverno, quando Diógenes aquecia-se ao sol. Então, Alexandre propôs-se a atender qualquer pedido seu. Que escolhesse o bem mais precioso, que enunciasse o capricho mais sofisticado e seria prontamente atendido.
Diógenes contemplou por alguns momentos o homem mais poderoso da Terra, senhor de vasto império. Depois, esboçando um sorriso, disse-lhe : “Quero apenas que não me tires o que não me podes dar. Estás diante do sol que me aquece. Afasta-te, pois . . .”Evidentemente não podemos levar Diógenes ao pé da letra, mesmo porque estamos longe do desprendimento total. Ele representa um exemplo de como podemos simplificar a existência, despindo-nos do materialismo, para que não haja impedimentos à nossa felicidade. E se, nós nos contentarmos com o necessário teremos condições para tratar de assuntos mais importantes, como a conquista moral. Porque, somos dotados de potencialidades criadoras que precisam ser exercitados permanentemente e tanto mais felizes seremos quanto maior o nosso empenho em cultivar os valores da Verdade e do Bem, da Justiça e da Sabedoria, do Amor e da Caridade, fazendo sempre o melhor. Gandhi disse: “Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão.” E Aristóteles disse: “A felicidade consiste em fazer o bem.” Divaldo P. Franco disse que aprendeu que a finalidade da vida é ser feliz através da felicidade proporcionada aos outros. E o apóstolo Paulo disse: “ Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão em necessidade, fechar-lhe o coração, como poderá permanecer nele o amor de Deus?”


(Richard Simonetti)

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Melindres




Definição:
Melindre: facilidade em se ofender, se magoar, suscetibilidade (tendência a ressentir-se das coisas mais insignificantes).


De onde surge?
Ele ataca sorrateiramente a todos aqueles que, invigilantes, dão valor maior a si mesmo do que o devido.
O amor próprio tem um limite.
Quando passamos a nos julgar superiores a nossos irmãos, avançamos para a vaidade, para o orgulho, para a falsa superioridade.
Ao atingir esse estágio perigoso, todas as idéias, observações ou palavras de nossos semelhantes que são contrárias ao nosso ponto de vista nos afetam muito.
Vem então o "melindre": não aceitamos ser contrariados, colocados de lado.
Não aceitamos opiniões diferentes, enchendo-nos de mágoas e de “não me toques”.
E o pior é que isso nos entristece, nos tira do equilíbrio, traz conseqüências físicas e afetam profundamente nosso relacionamento com pessoas queridas.

Por que há melindres?
“O orgulho leva a vos crer mais do que sois; a não poder sofrer uma comparação que possa vos rebaixar; a vos considerar, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, seja como espírito, seja como posição social, seja mesmo como superioridade pessoal, que o menor paralelo vos irrita e vos fere.”
(Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. 9 it. 9)


“A exaltação da personalidade leva o homem a considerar-se acima dos outros. Julgando-se com direitos superiores, melindra-se com o que quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus direitos. A importância, que por orgulho atribui à sua pessoa, naturalmente o torna egoísta.”
(Allan Kardec, Obras Póstumas – 1ª. Parte – Egoísmo e o orgulho)

“Há ainda aqueles cuja suscetibilidade é levada ao excesso; que se melindram com as mínimas coisas, mesmo com o lugar que lhes é destinado nas reuniões se não os põem em evidência(...).”
(Allan Kardec, discurso pronunciado nas reuniões gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux)

Suscetibilidade
É o nível da capacidade do sujeito em se sentir ofendido.

“Pode-se compreender o melindre pelo viés psicológico, como um artifício usado pelo ego para preservar sua própria identidade. (...) quando o ego se sente “ameaçado” (ou desestabilizado por algo ou alguém), reage através de um fechamento psíquico, de um retraimento emocional, visando preservar, numa atitude defensiva e imatura, as estruturas (orgulho, vaidade, ...) do próprio Eu.”
(Livro A convivência na Casa Espírita – Jerri Roberto Almeida)

“Pode-se compreender o melindre pelo viés psicológico, como um artifício usado pelo ego para preservar sua própria identidade. (...) quando o ego se sente “ameaçado” (ou desestabilizado por algo ou alguém), reage através de um fechamento psíquico, de um retraimento emocional, visando preservar, numa atitude defensiva e imatura, as estruturas (orgulho, vaidade, ...) do próprio Eu.”
(Livro A convivência na Casa Espírita – Jerri Roberto Almeida)

O melindre é causa de muitas discussões que poderiam ter sido evitadas.
Bastaria uma atitude de tolerância, de compreensão.
Todos nós, espíritos ainda imperfeitos vivendo na Terra, estamos sujeitos a ter atitudes e a falar palavras ofensivas a nossos irmãos, e que a tolerância mútua e o perdão podem transformar em coisas banais e sem importância os episódios que julgamos terríveis ofensas que nos fazem.

Há determinadas situações que podem tornar a pessoa mais suscetível aos melindres:
- Estresse;
- Separação conjugal;
- Problemas familiares ou financeiros;
- Desemprego;
- A experiência de uma frustração, etc.

O Melindre é o primeiro estágio de outros sentimentos que poderão se seguir:
- Mágoa;
- Ressentimento;
- Raiva;
- Agressividade;
- Vingança.

Quando sentir-se melindrado, questionar-se:
- Porque estou sentindo-me assim?
- O que está atrás disso?
- Orgulho?
- Desvalorização?
- Influência espiritual?

O que fazer?
“Não permita que suscetibilidades lhe conturbem o coração.
Dê aos outros a liberdade de pensar, tanto quanto você é livre para pensar como deseja.
Cada pessoa vê os problemas da vida em ângulo diferente.
Muita vez, uma opinião diversa da sua pode ser de grande auxílio em sua experiência ou negócio, se você se dispuser a estudá-la.
Melindres arrasam as melhores plantações de amizades.
Quem reclama, agrava as dificuldades.
Não cultive ressentimentos.
Melindrar-se, é um modo de perder as melhores situações.
Não se aborreça, coopere.
Quem vive de se ferir, acaba na condição de espinheiro”.
(Livro Sinal Verde – Chico Xavier – André Luiz)

Lutemos contra o melindre e o orgulho, colocando a tolerância antes de tudo, afinal muitos são os que toleram as nossas fraquezas e usando dos ensinamentos de Cristo para mudarmos, renovar nossos pensamentos e atitudes.

Sem melindres... Sem orgulho!

domingo, 15 de novembro de 2015

Resiliência e espiritismo



Resiliência e espiritismo

1. Resiliência.... A Rapidez de se Levantar Após a Queda
2. Deste modo, resiliência é a capacidade que oindivíduo possui em saber lidar com pressõese situações difíceis e adversas, sem prejuízode sua saúde física e de seu equilíbrioemocional.
3. COMODESENVOLVERE/OU AUMENTARA RESILIÊNCIA?
4. DAR LEITURA À TENSÃO MUSCULARAprender e adotar métodos práticos derelaxamento.Praticar esporte para aumentar o ânimo e adisposição.
5. AUTOCONFIANÇAAproveitar parte do tempo para ampliarconhecimentos, pois isto aumenta a autoconfiança;
6. CORAGEMAssumir riscos (ter coragem), pois não adiantabrigar com os problemas mas enfrentá-los para não ser destruído por eles.
7. CRIATIVIDADEUsar a criatividade e a imaginação paraquebrar a rotina e mudar seus hábitospara resolver situações imprevistas,adversas e delicadas
8. OTIMISMOTransformar-se em um otimistaincurável, visualizando sempre umfuturo bom e melhor. Certeza de quetudo passa e o melhor está por vir!
9. Bom humorApurar o senso de humor(desarmar os pessimistas).
10. ESPIRITUALIDADEConfiança em Deus, fé!Conhecimento da doutrina espírita!!!!
11. Vantangens de ser resila) Permitir nossa reciclagem pessoal atravésda renovação de nossas energias e dareintegração ou ajustamento à uma novarealidade;b) Fornecer a oportunidade de curar velhasferidas;c) Descobrir novas formas de lidar com avida e de nos organizarmos de modo maiseficaz;
12. d) Melhor preparação para lidarmos compressões;e) Fornecer meios de reduzir pressõesdesnecessárias, reconhecendo como sãocriadas e mantidas;f) Desenvolver a capacidade que cada umtem de se adequar e flexibilizar àssituações sem perder seus objetivos.
13. CARACTERÍSTICAS DA PESSOA RESILIENTEPara Frederic Flach, as características dapessoa resiliente são:* capacidade de aprender;* auto-respeito;* criatividade na solução de problemas;* habilidade em recuperar a auto- estima* independência de espírito: autonomia; liberdade e interdependência;
14. CARACTERÍSTICAS DA PESSOA RESILIENTE* habilidade de fazer emanter amigos; * disposição para sonhar;* bom senso de humor;* grande variedade deinteresse
15. O PROBLEMA NÃO É O PROBLEMA… O PROBLEMA É SUA ATITUDE COM RELAÇÃO AO PROBLEMA A chave está na forma como interpretamos asexperiências estressantes e difíceis na vida e no trabalho.O estresse depende de como cada pessoa trabalha suas próprias forças.Para uns, tudo é muito fácil de superar.Para outros, o impacto dos obstáculos e das dificuldades é quase insuportável.A diferença é definida pelo termo resiliência– a capacidade de se recobrar facilmente dos golpes sofridos.“O estresse não vem dos fatos da vida,mas do modo como os interpretamos”Professor Pietro Trabucchi.
16. PerguntasFale sobre um tempo em sua vida emque você sentia que era corajoso.Como as pessoas responderam? O que eles disseram?Como isso lhe fez sentir?Como sente agora?Você pode usar o que aprendeu agoradesta experiência?
17. Confie em Deus para ter ForçaOs ajudando a confiar em Deus para força provê uma avenida de paz para crianças. Os apresente a alguma Bíblia de chave promete neste aspecto: * Romanos 8:28: “Se Deus puder ser para nós, quem pode estar contra nós?” * Romanos 8:31: “Todas as coisas trabalham junto para bem a eles que amor Deus.”
18. Confie em Deus para ter Força• Filipenses 4:13: “eu posso fazer todas as coisas por Cristo que me fortalece.”* Mateus 19:26: “Com homens todas as coisas são impossíveis, mas com Deus todas as coisas são possíveis.”
19. Volta por cima (Noite Ilustrada)ChoreiNão procurei entenderTodos viram, fingiramPena de mim não precisavaAli onde eu choreiQualquer um choravaDar a volta por cima que eu deiQuero ver quem davaUm homem de moralNão fica no chãoNem quer que mulherLhe venha dar a mãoReconhece a quedaE não desanimaLevanta, sacode a poeiraE dá a volta por cimaReconhece a quedaE não desanimaLevanta, sacode a poeiraE dá a volta por cima.

sábado, 14 de novembro de 2015

Perseverai no bem e não vacileis



Mensagem de Bezerra de Menezes

Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais. Temos o direito de discrepar, de pensar de maneira diversa e o dever de discutir, de expor, mas não de dissentir.

Filhos e filhas do coração, guarde-nos na sua paz o Mestre incomparável.

Os ciclos da evolução sucedem-se invariavelmente obedecendo à planificação superior. Períodos de ascendência evolutiva caracterizados pelo conhecimento, períodos outros de maturidade para fixação dos postulados apreendidos. É inevitável que vivamos as crises existenciais decorrentes da situação moral em que se encontra o nosso planeta.

Reencarnastes-vos para contribuir com o momento da mudança de paradigmas do planeta de provas e de expiações para o mundo de regeneração. Assumistes o compromisso de divulgar Jesus Cristo conforme as lições insuperáveis do seu Evangelho.

A ciência e a tecnologia, a partir do século XVII, vêm realizando mister para o qual foram criadas pela Divindade esses paradigmas, mas o amor, experiência nova no mapa evolutivo das criaturas terrestres, não pode acompanhar esse desenvolvimento fascinante que, de um lado, proporciona comodidade, diminuição de aflições, facilidades no intercâmbio, aproximação dos sentimentos na construção do bem, mas sob outro aspecto, utilizados por mentes enfermas e corações aturdidos, têm sido os instrumentos da degradação das massas, da apropriação indébita das consciências, da vulgarização das propostas nobres do bem.

Alucinam-se aqueles que desejam controlar as inteligências humanas e proclamam o niilismo, assumindo a responsabilidade grave de diluir a fé nas almas já enfraquecidas, contribuindo para que se estabeleça o caos, através da perda de valores morais e de sentimentos de engrandecimento da alma. É necessário vigiar para depois orar em tranquilidade ante os recursos que se intrometem com objetivos nefandos na sementeira luminosa do conhecimento.

Olhamos uma sociedade que se degrada na luta infeliz do egocentrismo, do individualismo, da consumpção dos valores herdados da divina Providência e, não poucas vezes, a dúvida interroga as mentes mais saudáveis, “quando a sociedade será melhor?”, porque a grande mídia prefere a divulgação daquelas condições canhestras, exageradamente perniciosas, como as que devem ser vivenciadas pelas massas. Surgem comportamentos esdrúxulos, atitudes que chocam, e lentamente o desencanto e o medo passam a residir nos sentimentos antes audazes com a deserção de muitos lutadores empenhados na construção do reino de Deus.

Não temais o mal, nem os maus. As suas artimanhas têm a durabilidade da sua própria facécia, logo desaparecem assim que são arrebatados pelo túmulo os idealistas que despertam no Além com a consciência atormentada e o coração estiolado.

Perseverai no bem.

Unidos seremos resistência, fragmentados seremos vencidos em nossos objetivos essenciais. Temos o direito de discrepar, de pensar de maneira diversa e o dever de discutir, de expor, mas não de dissentir. Evocando o encontro de Jerusalém, quando as duas figuras exponenciais do Evangelho de Jesus, Pedro e Paulo, enfrentaram-se para debater paradigmas de alta relevância na divulgação do Evangelho límpido e cristalino que Jesus trouxe para todos, sem privilégios nem preconceitos, relembramos que foi o amor que venceu as opiniões divergentes e que em lágrimas fez que o primeiro concílio dos cristãos se transformasse na pedra angular da divulgação da verdade, depois que o Mestre retornou aos páramos divinos.

Mantende-vos coesos com a Codificação Espírita, que um dia influenciará o comportamento da sociedade terrestre. O Espiritismo não é uma filosofia para determinado número de criaturas, é uma mensagem de vida eterna para todos os seres humanos. E, ante a interrogação dos desafios que parecem apresentar uma humanidade em decadência, ponde a certeza de que a Barca terrestre continua sob o comando do nauta Jesus, e na sua marcha inexorável irá aportar no país da regeneração.

Dai-vos as mãos em qualquer circunstância.

Que a sensibilidade exacerbada, nascida na presunção ou nos dispositivos egóicos, não vos constitua impedimento ao trabalho de iluminar consciências.

Existem, filhas e filhos amados, mais relevantes ações do bem do que degradação e decadência. Sucede que o erro e o vício trombeteiam as suas ações, enquanto a virtude discreta e silenciosa aproveita das noites sem estrelas para se tornarem as lâmpadas divinas guiando para o momento supremo da libertação.

Sabemos das vossas lutas, dos vossos testemunhos silenciosos, das lágrimas vertidas ante o que desejais realizar e o que lograis fazer. Não poucas vezes, com os vossos guias espirituais, enxugamo-vos o pranto e apontamo-vos o rumo no oceano bravio a ser conquistado para serem encontradas as terras da promissão.

Não vacileis!

Utilizai-vos dos sublimes recursos da Doutrina, especialmente as reuniões mediúnicas para, através dessa ponte sublime, que liga um ao outro plano da vida, deslindardes os aranzéis das forças negativas que muitas vezes vos envolvem, disseminando nos sentimentos amarguras e decepções.

Não creiais que aquilo que não lograis seja negativa do Senhor; antes considerai que a dificuldade de agora é a melhor solução para as necessidades vigentes. Amanhã entendereis melhor o que hoje vos constitui incógnita.

Saudamo-vos, filhas e filhos da união, pelos resultados do nosso encontro anual, pela serenidade com que discutistes os temas em pauta.

Agradecemos a Deus a compreensão das necessidades locais, na Pátria do Cruzeiro, neste país continental, que deve restaurar o pensamento de Jesus e enviá-lo para a humanidade.

À Europa e aos Estados Unidos da América do Norte cabem as investigações mais profundas em quase todas as áreas do conhecimento. À nova Sulamérica, marcada pela dor, pelo sofrimento do irmão de África e do indígena ingênuo e nativo, compete o surgimento do bem com a contribuição da Europa e da Ásia, caracterizado pelo sentimento de amor. Seremos a demonstração viva de que a mais pulsante força do universo é o amor, porque Deus é amor, e através desse amor que vige em toda parte e em nós, podemos tolerar-nos e dar-nos as mãos para os objetivos que nos levarão à plenitude.

Exultai, porque o Senhor vigia e os seus embaixadores, os cocriadores do planeta que lhe têm a direção estão alertas e a programação em pauta está sendo executada mesmo que, por enquanto, não seja visível quanto gostaríamos.

Contribuí, pois, filhas e filhos da alma, com a vossa ternura, burilando as imperfeições do período primário da evolução e, transformando-as em sentimentos de entrega em nome da caridade fraternal que, em breve, se expandirá pela Terra toda, sem que haja a diferença dos superdesenvolvidos e dos miseráveis, quando então o lobo feroz estará na mesma fonte sorvendo a água ao lado do cordeiro pacífico.

Nesses dias que se aproximam, e de que fazeis parte, exultai com os corações voltados para Jesus e cantai hosanas.

Tendes o nome escrito no livro do reino dos Céus e esforçai-vos para que seja mantido diante da misericórdia inefável daquele que é o caminho para a verdade, que é o caminho para a vida: nosso Senhor Jesus Cristo!

Os Espíritos-espíritas trabalhadores da Casa de Ismael, mantenedora do lema Deus, Cristo e Caridade, aqui conosco, solicitam-nos para que lhes sejamos a voz pedindo: avante, anônimos seareiros da verdade, e amai até as últimas forças da vossa jornada no planeta abençoado!

Muita paz, filhas e filhos, são os votos do servidor e amigo de sempre,

Bezerra.

(*) Revista pelo autor espiritual.

(Mensagem psicofônica ditada pelo Espírito Bezerra de Menezes ao médium Divaldo Pereira Franco no encerramento da reunião ordinária do Conselho Federativo Nacional, da FEB, realizada em Brasília, em 08 de novembro de 2015:

Médicos pesquisam influência do “passe” espírita para tratar a ansiedade


Médicos pesquisam influência do “passe” espírita para tratar a ansiedade
Pesquisa da Unesp estuda união entre tratamento espiritual e médico.
Trabalho é realizado por médicos da Associação Espírita de Botucatu (SP).
Um grupo de oito médicos da Associação Espírita de Médicos de Botucatu (SP) se reuniu para pesquisar a influência da terapêutica energética do “passe” espírita na redução da ansiedade. A técnica, originada das práticas de cura do cristianismo primitivo, consiste basicamente na imposição de mãos sobre uma pessoa, a fim de transferir boas energias e tratar o lado espiritual de quem recebe o “passe”.
A pesquisa teve início em 2014 e está em fase de desenvolvimento na Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB). De acordo com o médico infectologista Ricardo de Souza Cavalcante, a inspiração para a pesquisa surgiu de outro grupo de médicos, de São Paulo, que iniciou um estudo sobre a eficácia de uma técnica semelhante, o Reiki, de origem japonesa.
O estudo sobre o “passe” é feito com voluntários, não necessariamente espíritas ou praticantes de alguma religião, que não estejam fazendo nenhum tipo de tratamento psicológico ou psiquiátrico. “Primeiramente, nós fazemos uma avaliação médica para verificar se o voluntário tem realmente o diagnóstico de ansiedade. Se confirmado, o paciente passa a frequentar a sala de estudos uma vez por semana, durante oito semanas, para receber o 'passe' ”, explica Ricardo.
Ainda de acordo com o médico, antes de iniciar o tratamento, os participantes passam por um tempo de meditação e concentração. Música ambiente é utilizada para relaxar e, por 5 minutos, um terapeuta impõe as mãos sobre a cabeça, tórax e barriga do voluntário. São levados em conta, na análise, níveis de depressão, qualidade de vida e grau de espiritualidade do paciente.
Os voluntários respondem a um questionário ao final de cada sessão e, alguns deles, passam por exames de eletroencefalograma, para medir as variações das ondas cerebrais antes, durante e depois do procedimento.

Ciência e espiritualidade
Nas últimas décadas, muitos estudos científicos têm sido feitos a fim de demonstrar os benefícios de aliar o trabalho com a espiritualidade ao tratamento médico convencional.
“Houve uma separação histórica, mas eu acredito que essas coisas precisam caminhar juntas. O ser humano deve ser visto como um todo. Nós não somos só um amontoado de células. Temos, comprovadamente, um lado emocional, espiritual”, pontua Ricardo.
A dona de casa Silvia Helena Vieira da Silva, de 47 anos, é uma das voluntárias que participarão da pesquisa. Católica, ela acredita que as práticas espíritas podem colaborar para o bem-estar. “Nós estamos tão ansiosos, nos medicando tanto, que eu gostaria de experimentar algo que não fosse medicamento, até porque remédios atacam meu organismo. Se eu puder fugir, eu fujo”, declara Silvia, que sofre as consequências físicas da ansiedade.
“Nós que temos filhos, estamos sempre na expectativa de algo. É um convívio constante com a ansiedade. Quando ela aparece, meu intestino solta, sinto dores no estômago e na cabeça. Quero muito que esta iniciativa dê certo”, conta.
"Muitos voluntários estão participando da pesquisa. Eles precisaram demonstrar ter ansiedade e não esteja em tratamento psicológico pode participar. Nosso objetivo não é converter ninguém”, explica o médico.
Os interessados em participar da pesquisa podem obter informações pelo telefone (14) 3811- 6547.


Passe na Doutrina Espírita
De acordo com Leopoldo Zanardi, diretor de comunicação do Centro Espírita Amor e Caridade, de Bauru (SP), o “passe” trata-se de uma assistência espiritual, denominada de fluidoterapia, e que não anula a necessidade do tratamento médico. Este nome é dado por ser uma transferência de energias. “As mãos são colocadas de 10 a 15 centímetros acima da cabeça, não há toque físico. A Federação Espírita brasileira aconselha que as mãos sejam colocadas apenas sobre a cabeça”, conta Leopoldo.
Ele explica também que, na doutrina espírita, acredita-se que além das boas energias passadas pelo passista, existe também a atuação de espíritos que identificam e agem diretamente no problema de quem está recebendo o passe, seja ele físico, emocional ou espiritual. O procedimento pode ser individual (“passe simples”) ou em grupo (“passe conjugado” – 2 ou mais passistas realizam o procedimento). Mas quanto mais pessoas estiverem juntas, melhor, de acordo com Leopoldo.
No Centro Espírita, o passe simples pode ser tomado por qualquer um que desejar, sem a necessidade de entrevista. Mas, para aqueles que querem tratar algo específico, é necessário passar pelo atendimento, onde será identificada a necessidade de cada pessoa.
Em seguida a pessoa recebe um papel que dá direito a oito passes, que devem ser tomados uma vez por semana. Em ambos os casos, os pacientes entram em uma sala, após um período de oração do grupo mediúnico (responsável por aplicar os passes), sentam-se nas cadeiras e estendem as duas mãos para frente, como quem está para receber algo.
Os passistas, como também são chamados os membros do grupo mediúnico, impõe as mãos sobre a cabeça das pessoas, uma nova prece é anunciada e, após poucos minutos de silêncio, tudo está feito. Depois de dispensar as pessoas, os passistas fazem outra oração de agradecimento e encerram o procedimento. “É importante ressaltar que não se deve abrir mão do tratamento médico. Nós oferecemos uma assistência espiritual. Também não basta apenas 'tomar o passe’. É necessário assistir às palestras, mudar o pensamento, buscar ser melhor a cada dia. Dominar as más inclinações e fazer caridade. Precisamos estar em constante evolução”, completa Leopoldo.
Para a dona de casa Iole Angelo Cintra, de 46 anos, tomar os “passes” trouxe melhora para problemas de insônia e dor de cabeça que, segundo ela, tinham raiz espiritual.
“Eu não dormia direito à noite. Aqui no centro descobri que eu tinha ‘desdobramento’, que é uma espécie de mediunidade que me faz sair do meu corpo. Eu me via dormindo à noite e andava pela minha casa. Quando comecei a tomar os passes, as dores de cabeça sumiram e eu pude controlar mais esse desdobramento. O efeito do passe é ótimo, mas também depende da pessoa se esforçar para ser alguém melhor”, contou Iole.

Moisés e seus Dez Mandamentos foram a Primeira Revelação


O Evangelho Segundo o Espiritismo
Allan Kardec


Há duas partes Distintas na lei mosaica: a de Deus, promulgada sobre o Monte Sinal, e a lei civil ou disciplinar, estabelecida por Moisés. Uma é invariável, a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do povo, e se modifica com o tempo.

A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
I – Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás deuses estrangeiros diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem de coisa que haja nas águas debaixo da terra. Não adorarás nem lhes darás culto.
II – Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
III – Lembra-te de santificar o dia de sábado.
IV – Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra que o Senhor teu Deus te há de dar.
V – Não matarás.
VI – Não cometerás adultério.
VII – Não furtarás.
VIII – Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
IX – Não desejarás a mulher do próximo.
X – Não cobiçarás a casa do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem outra coisa alguma que lhe pertença.


Esta lei é de todos os tempos e de todos os países, e tem, por isso mesmo, um caráter divino. Todas as demais são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão do Egito. Para dar autoridade às leis, ele teve de lhes atribuir uma origem divina, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A Autoridade do homem devia apoiar-se sobre a autoridade de Deus. Mas só a idéia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos. É evidente que aquele que havia estabelecido em seus mandamentos: “não matarás” e “não farás mal ao teu próximo”, não poderia contradizer-se, ao fazer do extermínio um dever. As leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, portanto, um caráter essencialmente transitório.

Terrorismo na visão Espírita - Joanna de Ângelis



No livro Triunfo pessoal (psicografado por Divaldo Franco), Joanna de Angelis aborda a temática do terrorismo. Segundo ela, devido “à predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e o desbordar das paixões, o ser humano, em determinados estágios da evolução, mantém as heranças primevas, os instintos primários que sobrepujam os valiosos tesouros da inteligência, do discernimento, da razão, da consciência”.

“São eles que dão campo ao desenvolvimento da perversidade que não trepida em matar, de forma que a sua truculência emocional prevaleça.”

E segue:
“(…) A ausência dos sentimentos que engrandecem o indivíduo, o desvio para as estruturas esquizofrênicas, liberam as forças hediondas do primitivismo que se impõe pela tirania, abraçando o fanatismo que o caracteriza como primário, possuindo, a partir de então, um objetivo estimulador para dar campo ao que lhe é característica de evolução em nível inferior do processo de cultura e de emoção”.

“Pode, não poucas vezes, desenvolver a inteligência, adquirir conhecimento tecnológico, abraçando causas que parecem nobres, mas que somente constituem fugas do conflito perturbador para exibir a turbulência interior, a odiosidade que preserva no íntimo em relação aos demais com quem convive ou não e, por extensão, contra toda a sociedade”.

“(…) Em razão da estrutura psicológica mórbida, possui graves desvios da libido, invariavelmente atormentado nas suas manifestações, com severos distúrbios das funções sexuais, ocultando o vazio existencial na exorbitância dos instintos agressivos nos quais se compraz”.

“(…) Exilando-se em antros sórdidos onde se refugiam, repetindo o inconsciente pessoal que busca esconder-se por sentir-se inferior, incapaz de despertar qualquer interesse digno dos seus coevos, o terrorista é um psicopata congênito, mesmo que se expresse como portador de equilíbrio que bem disfarça, em razão as peculiaridades de toda uma existência de simulação, na qual esteve assinalado pela covardia e desespero íntimo de saber-se não aceito, que é o ressumar do conflito de inferioridade”.

“Naturalmente, como decorrência da sua insânia, pode fomentar o surgimento de outros portadores dos mesmos sentimentos de perversidade, trabalhando a infância e a juventude – materiais humanos muito próprios – mediante os processos de lavagem cerebral, induzindo a ódios irracionais e necessidade de destruição, que se iniciam pela perda do sentido existencial, que somente possui significado até o momento de alcançar a sua meta destrutiva”.
“(…) Caso se permitisse terapia própria, o terrorista desenvolveria o sentimento de amor nele existente, mas não cuidado, conseguindo ultrapassar o nível de hediondez para o da fraternidade, saindo da consciência de sono para outro patamar de lucidez, de despertamento”.

“(…) Ainda nesse caso, defronta-se um Self em manifestação primitiva, com todas as expressões de beleza soterradas no inconsciente pessoal, que se transferem de uma existência física para outra sob ódio incoercível, em razão de alguma injustiça ou calamidade vivenciada e não absorvida pela razão”.

“O amor que a Humanidade lhe ofereça será a terapia mais segura para diminuir-lhe a angústia. Ao invés do revide pelo ódio, que mais lhe aguça os instintos repressores, o amor alcança-o suavemente e deixa de lhe vitalizar o ressentimento contra a sociedade, que o torna herói de fancaria, insignificante, mas hediondo, atormentado e desditoso”.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ensine as crianças, o valor das coisas, não o preço.





Ensine às crianças a serem felizes, e não ricas. Deixe-as saber que o valor de uma pessoa não é o que ela tem ou é por fora, mas por dentro. Ensine-as a desenvolverem boas estratégias e habilidades que irão ajudá-las a compreenderem o mundo.

Este ensinamento de valores e emoções será a base de seu sucesso como indivíduo e como sociedade. Assim, se uma criança pode estabelecer limites e respeitar a si mesma, saberá fazer o mesmo com os demais.

Portanto, se queremos colher devemos semear no tempo certo.

Para isso, podemos aproveitar seu pouco conhecimento e não prejudicar sua inocência; por exemplo, para uma criança que ainda não compreende a gestão do dinheiro, vale mais a pena uma moeda do que uma cédula. Por quê? Porque moedas as divertem, podem rodar, simular uma compra, etc.

Em outras palavras, tudo o que faz as crianças felizes são as coisas que as fornecem carinho, diversão e sustento. Somos nós que lhes ensinamos que que o valor está no preço e não em intenções, possibilidades ou afeto.

Obviamente, geralmente fazemos sem querer, damos mais importância ou relevância para o que julgamos como poderoso, bonito ou “divertido”.

Em última análise, o objetivo é que a criança entenda que as pessoas é que tem valor em sua vida, não seus pertences. Da mesma forma, devem entender que o mais importante por trás de tudo o que têm é a intenção e esforço.
Felicidade não tem nada a ver com coisas materiais

É difícil não cometer erros ao longo do caminho, quando vivemos em um mundo que se move muito quando se trata de dinheiro. No entanto, partimos da premissa de que todos nós queremos que elas sejam felizes acima de tudo, o que é uma grande vantagem na educação e valores emocional.

Assim, como a verdadeira felicidade é alcançada com carinho, experiências compartilhadas, amor e compreensão, é essencial ajudarmos nossos filhos a darem tudo de si para entender que as recompensas estão no interior.

Oferecemos algumas ideias simples para incentivá-los a aprender com o valor das pequenas coisas:
1. Elabore uma caixa de tesouros da rua

É muito importante que a criança tenha uma caixa com coisas que acham atraentesem suas caminhadas nas ruas e parques. Assim, a idéia é que tenham um lugar no qual recolher os paus, pedras, pinhas, folhas que chamaram sua atenção.

Neste sentido, isso ajuda-as não apenas no nível sensorial, mas cognitivo. Você pode fazer artesanato, construir contos ou histórias, inventar jogos … as possibilidades estão ao alcance da sua mão.
2. Quando quiser dar um presente, que seja manual

Estamos tão acostumados a ir à loja para comprar coisas, que nem mesmo cartões postais ou de aniversário são feitos à mão. Os trabalhos manuais nos ajudam a acabar com esse vício materialista, premiando sempre o esforço através de gratidão e felicidade dos outros.
3. Personalize as coisas com um toque pessoal

O desenvolvimento de um estilo pessoal torna cada coisa única, irrepetível e insubstituível. Isto é, se um brinquedo estragar poderá ser substituído, mas o significado não será o mesmo.
Chaves para inspirar o valor do esforço

– A criança deve “conquistar” prêmios. Não adequado comprar por comprar (ou dar por dar) simplesmente porque queremos, porque nos pedem ou porque sentimos vontade. Tudo deve adquirir um significado mais positivo além do material.

– Pregar o exemplos. Se as crianças verem que você se esforça e que valoriza o que merece, entenderam que é algo positivo e praticarão mais facilmente.

– Faça com que se sintam bem e recompense os seus esforços. Ou seja, simplifique os valores e os coloque como protagonistas sempre que puder, pois ao sentirem identificação, o aprendizado será melhor.

– Sempre é positivo incorporar histórias, pois são ferramentas muito úteis na implementação de valores e fazê-las pensarem e adaptarem os seus sentimentos para si e para o mundo real.

“Lembre-se que se não estamos felizes com o que temos, não seremos felizes com o que nos falta, pois o verdadeiro valor e a melhor recompensa está naquilo que pertence à nossa essência e guardado no armário do nosso coração.”



OS EFEITOS DA NECRÓPSIA (autópsia) NOS ESPÍRITOS (Psicografia: Divaldo Pereira Franco)



“O Mentor permaneceu na Enfermaria, pelo período em que tinha curso a necrópsia para a identificação da causa mortis e outros comportamentos legais.
‘Observamos que os Espíritos, mesmos distanciados dos corpos que se faziam examinados, retratavam as ocorrências que os afetavam, provocando sensações cruciantes.
‘O motorista, por ser incurso em maior responsabilidade, manteve-se em sono agitado por todo o tempo.
‘Devido às fortes vinculações com a matéria, experimentava as dores que lhe advinham da autópsia de que o corpo era objeto. Embora contido por enfermeiros diligentes sofreu cortes e serração, profundos golpes nos tecidos e costuras...
‘Recordemos que se encontrava sob amparo, não ficando, todavia, isento à responsabilidade pelos erros que a juventude extravagante lhe facultara.
‘Em autópsia, muitos Espíritos que se deixaram dominar pelos apetites grosseiros e se ficam apenas no corpo, quando não fazem jus a assistência especializada, enlouquecem de dor, demorando-se sob os efeitos lentos do processo a que foram submetidos os seus despojos.
‘Desse modo, cada um dos jovens, apesar de todos haverem desencarnado juntos, no mesmo momento, experimentava sensações de acordo com os títulos que conduziam, de beneficência e amor, de extravagância e truculência.
‘Correspondendo à hora do reconhecimento e translado dos corpos pelos familiares para as providências da inumação cadavérica, acompanhamos o despertar de quase todos, sob os duros apelos dos pais e irmãos, partindo, semi-hebetados, para os atender...
(...) ‘As nossas providências de socorro não geram clima de privilégio, nem protecionismo injustificável. Cada um respira a psicosfera que gera no campo mental. Todos somos as aspirações que cultivamos, os labores que produzimos.
A cruz, porém, é intransferível, de cada qual. Podemos ajudar a diminuir-lhe o peso, não a transferi-la de ombros.
‘A agitação era geral. Podíamos observar que rápidas flechadas de forte teor vibratório os alcançavam, fazendo-os estremecer, estorcegar.
‘O motorista subitamente apresentou uma facies de loucura, ergue-se, trêmulo, respondendo algo com palavras desconexas e como que envolto pelo fio de densa energia que o alcançava, pareceu sugado, desaparecendo...
‘- Foi atender – elucidou Dr. Bezerra – aos que o chamam sob chuvas de blasfêmias e acusações impróprias.
‘A família soube, pela Polícia, que ele havia ingerido alta dose de drogas, o que parecia responder pelo acidente, provocando, a informação, mágoa e revolta nos pais.
‘Em continuação, mais dois se evadiram do local de amparo obedecendo ao impositivo evangélico: “Onde estiver o tesouro, aí estará o coração”.
‘Fábio e outro amigo, porque não se encontrassem muito comprometidos com os vícios e viessem de uma estrutura familiar mais digna, foram poupados à presença do cadáver e às cenas fortes que se desenrolaram antes e durante a inumação dos corpos.
‘Não se furtariam, é certo, ao mecanismo de recuperação, apesar da ajuda da antiga mãezinha, que o reembalava nos braços, na condição de avó.
‘Desperta-se, cada dia, com os recursos morais com que se repousa, à noite.
‘Além do corpo, cada Espírito acorda conforme o amanhecer que preparou para si mesmo.
(p. 94 a 96)
Fonte:  Missionários da Luz

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Evolução Espiritual de Longo Prazo




Evolução Espiritual de Longo Prazo

Na obra “Loucura e Obsessão” [1], o médico Manoel Philomeno de Miranda questiona o Dr. Bezerra de Menezes sobre o contexto que levou um menino, denominado Aderson, a sofrer com o autismo. Em dado momento, Miranda pergunta ao Mentor:

“— E ele se curará?”Tal questionamento chama a atenção acerca de o que consideramos cura. Sem uma noção mais ampla acerca do que seja a cura, podemos enfrentar a desencarnação de um ente querido e nos revoltar por tê-lo “perdido”, mesmo com nossas orações mais fervorosas.

Primeiramente, não “perdemos” ninguém, pois pessoa alguma é propriedade nossa. Consideremos, também, que a pessoa desencarnada não está perdida — está sempre ao alcance e amparo de seu Espírito protetor. Agora, analisemos a questão do termo “cura”.

No idioma latim, cura significa “cuidado”, “atenção”, “zelo”. A expressão latina medici cura, utilizada pelo enciclopedista Aulus Celsus [2] no século I d.C., é traduzida por “cuidado médico”, começando aí a associação de “cura” com “tratamento da saúde”. O teólogo Leonardo Boff orienta [3] que cura, cuja forma latina mais antiga se escrevia coera, “era usada num contexto de relações de amor e de amizade. Expressava a atitude de cuidado, de desvelo, de preocupação e de inquietação pela pessoa amada ou por um objeto de estimação”.

Atentando para o significado original de “cura”, pode-se concluir que “curar-se” significa “cuidar de si” — ou seja, darmos atenção à nossa essência. E qual a nossa essência: somos um corpo ou um Espírito temporariamente animando um corpo? Independente de sermos espiritualistas ou materialistas, todos somos Espíritos imortais, e não meros conjuntos de genes e tecidos que se agruparam “por acaso” e desaparecerão quando nosso corpo carnal não mais tiver vida.

Neste sentido, “curar-se” não é um cuidado que outros possam prestar a nós, mas sim uma atenção e evolução íntimas, de dentro para fora. Curar-se é, por meio de boas obras, orientadas ao Bem de nosso semelhante, fazermos as pazes com nossa consciência, local onde se encontram as Leis Divinas, conforme citado à questão 621 de “O Livro dos Espíritos” [4]. Cuidar bem de nós mesmos implica dar atenção à nossa evolução espiritual, em vez de um foco apenas material. É nos amarmos de fato, nos permitindo evoluir moral e intelectualmente. Sabendo nos amar e nos respeitar, aprendemos a amar e respeitar nossos semelhantes.

Uma só vida corporal, usualmente não muito mais do que 100 anos terrestres, não nos permite aprender tudo que há de lições morais e intelectuais na Terra. Como não há seres privilegiados na Criação, Deus nos oferta a bênção da pluralidade de existências corpóreas, uma série de “provas sem consulta”, ou com consulta limitada ao Plano Espiritual, para aferirmos a aquisição de conhecimentos morais e intelectuais cada vez mais elevados, aprendidos nas encarnações e nos períodos entre as mesmas.

Assim nos orientam os Espíritos da falange do Consolador, às questões 166, 166-a e 167:

166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
a) — Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”

167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”
A vitória sobre um mau hábito; a aquisição de uma virtude; a reparação de um erro e todas conquistas espirituais podem não ser visualizadas em sua plenitude no breve tempo de uma existência corpórea. Isso não significa que a evolução não exista ou não esteja em progresso.



Um exemplo de processo de superação de uma ofensa recebida, ao longo de um de cinco reencarnações e quatro períodos na erraticidade (tempo entre reencarnações). Podemos superar dificuldades em muito menos etapas; só depende de nós.

Plantando em bom terreno e cuidando bem da semente, em algumas décadas, teremos uma árvore. Não veremos de imediato, na semente, a árvore: precisamos cuidar da semeadura e aguardar, com fé e perseverança. Semeando valores nobres em todas as provas de nossas vidas, em algumas décadas, ou talvez em alguns séculos ou milênios (tempo muito pequeno em comparação aos ciclos de vida do Universo), teremos atingido patamares de maturidade espiritual que, de imediato ou em alguns poucos anos, não teríamos condições de vislumbrar ou valorizar.

O próprio Universo se transforma e evolui ao longo de trilhões de anos, em ciclos de expansão e retraimento. Somos parte dessa Criação, e também somos fadados a nos transformar e evoluir ao longo de incontáveis ciclos de idas e vindas a planos de matéria densa e sutil. Como lemos em “O Livro dos Espíritos” (por exemplo, às questões 194, 365 e 781), jamais regredimos. O que parece um retrocesso é, antes, um ponto de melhoria antes desconhecido, ou que não tínhamos disposição e/ou maturidade para tratar.

Assim, sempre é tempo de recomeçar, aprender, evoluir. Instruídos à questão 195 de “O Livro dos Espíritos”, compreendemos ser um erro adiar para outro tempo o que nos caiba fazer agora. Mesmo assim, em qualquer época de nossas vidas, temos condições de, ao desejarmos algo aprender ou ao constatarmos um erro cometido, iniciar nosso plano de curto, médio e longo prazo para essa apreender essa lição.

Vejamos algumas lições do Espírito São Luís acerca do arrependimento, à questão 1007 de “O Livro dos Espíritos” e na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Haverá Espíritos que nunca se arrependem?
‘Há os de arrependimento muito tardio; porém, pretender-se que nunca se melhorarão fora negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode tornar-se homem.’” [4]

“Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.” [5]
A constatação de um ponto a melhorar, e o consequente arrependimento por um proceder inadequado, são os primeiros passos para nossa evolução. Contudo, apenas o arrependimento, em si, não soluciona a questão. Por mais sincero seja o arrependimento, e por mais intensa a fé abraçada, se não houver obras, ou seja, ações objetivas em prol do Bem de nosso semelhante, motivadas pelo aprendizado na nova atitude, não consolidaremos nosso aprendizado e nosso amadurecimento. Lemos à questão 1002 de “O Livro dos Espíritos”:

“Que deve fazer aquele que, em artigo de morte, reconhece suas faltas, quando já não tem tempo de as reparar? Basta-lhe nesse caso arrepender-se?
‘O arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve. Diante dele não se desdobra o futuro, que jamais se lhe tranca?’”
O que a constatação de um erro, cometido por nós ou contra nós, não pode trazer, são as angustiantes e improdutivas emoções do remorso e da revolta. Essas são verdadeiras barreiras à nossa evolução, por impedirem, respectivamente, de perdoarmos a nós mesmos e ao nosso semelhante. Novamente, é uma questão de bem cuidar, ou seja, de curar a nós e o próximo.

Em dois trechos da brilhante obra “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz ilustra o severo impacto negativo que o remorso traz ao nosso mundo íntimo:

“Obliterados os núcleos energéticos da alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente, pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo, conforme os princípios de responsabilidade a se lhe delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração, em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica, o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa intervenção dos agentes do amor divino, que, habitualmente, lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação necessária, pela qual retomará ao aprendizado prático das lições em que faliu.” [6]

“A recordação dessa ou daquela falta grave, mormente daquelas que jazem recalcadas no espírito, sem que o desabafo e a corrigenda funcionem por válvulas de alívio às chagas ocultas do arrependimento, cria na mente um estado anômalo que podemos classificar de ‘zona de remorso’, em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma, com reflexo permanente na parte do veículo fisiopsicossomático ligada à lembrança das pessoas e circunstâncias associadas ao erro de nossa autoria.
(...)
É assim que o remorso provoca distonias diversas em nossas forças recônditas, desarticulando as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade, entendendo-se, ainda, que essas desarmonias são, algumas vezes, singularmente agravadas pelo assédio vindicativo dos seres a quem ferimos, quando imanizados a nós em processos de obsessão. Todavia, ainda mesmo quando sejamos perdoados pelas vítimas de nossa insânia, detemos conosco os resíduos mentais da culpa, qual depósito de lodo no fundo de calma piscina, e que, um dia, virão à tona de nossa existência, para a necessária expunção, à medida que se nos acentue o devotamento à higiene moral.” [7]
Preciosos relatos de autores espirituais nos informam sobre o lento e gradual processo de evolução, para aprendizado e reparação de erros, que se opera ao longo de diversos processos reencarnatórios. Além da obra “Evolução em Dois Mundos”, acima citada, relacionamos, a título de exemplos, as obras “Entre a Terra e o Céu” e “Memórias de um Suicida”.

A lentidão de tais processos de reforma íntima não se deve a nenhuma morosidade do Plano Espiritual, mas às nossas próprias limitações em estudar, apreender e aplicar novas lições, especialmente no campo da evolução moral. Dispomos de muitos bons exemplos de dedicação ao próximo para seguir e acelerar nossa melhoria. Allan Kardec, à questão 625 de “O Livro dos Espíritos”, pergunta qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo, recebendo a resposta mais breve e, talvez, mais profunda da referida obra: Jesus. Não se trata de nenhum ato de fanatismo, mas de fé raciocinada. Exemplificando a caridade incondicional e o desapego à vida material, Jesus nos apresenta um roteiro lógico e exequível de amadurecimento espiritual. Relembrando o versículo 06 do Salmo 82 e indo além, Jesus nos orienta:

“Não está escrito na vossa Lei: Eu disse que vós sois deuses?” (João 10:34)

“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, esse fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores (...)” (João 14:12)

Podemos, agora, compreender melhor por que Bezerra de Menezes respondeu à questão citada ao início desta postagem, no livro “Loucura e Obsessão”, nos seguintes termos:

“— Os desígnios de Deus — respondeu, reflexionando — são inescrutáveis. Caso não recupere todas as suas funções, para a atual existência, melhorará as condições para os próximos cometimentos. Deveremos examinar a Vida sob o ponto de vista global e não angular, de uma única experiência física, como a atual. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado do Espírito, é justo que pensemos na sua felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como sendo uma ponte entre os dois períodos e não a situação única a vivenciar. Destas atitudes resulta o porvir com todas as suas implicações. Assim, lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora.” [1]

Focos de desequilíbrio espiritual



Focos de desequilíbrio espiritual

Nossa higiene corporal nos previne de doenças que danifiquem nosso corpo denso por décadas. Nossa atitude mental nos protege de contaminações que se demorem em nosso corpo perispiritual por milênios.

A Ciência terrestre reconhece, desde o século XIX, a necessidade de assepsiar ferimentos e instrumental cirúrgico, a fim de evitarem-se focos de doenças, invisíveis ao olho humano, mas de efeitos severos à saúde física. Esse importante avanço na prevenção de doenças se deve à teoria microbiológica da doença, fundamentada pelo cientista Louis Pasteur no século XIX, aliada ao invento do microscópio, datado do final do século XVI.

Ou seja, antes da invenção do microscópio, no ano de 1590, a existência de micro-organismos seria tachada de crendice infundada, mesmo que se percebessem os efeitos de infecções por bactérias há milhares de anos. Anteriormente às demonstrações, ocorridas na década de 1860, da relação entre micro-organismos e doenças, a Humanidade não levaria a sério avisos sobre o cuidado com a higiene e sobre os devastadores efeitos que formas de vida tão pequenas trazem ao corpo humano.

Também no século XIX, Allan Kardec, codificando a Doutrina Espírita, demonstra, por análise científica, os efeitos do plano espiritual sobre o de matéria densa, bem como a coerência de milhares de comunicações mediúnicas. No livro “O que é o Espiritismo”, recomendado pelo próprio Kardec para iniciarmos o estudo da Doutrina Espírita, o Codificador compartilha conosco as palavras de um médico, antes incrédulo e depois adepto da Doutrina dos Espíritos:


“Antes de inventar-se o microscópio, alguém suspeitava da existência desses milhares de animálculos, que causam tantos estragos à economia? Onde a impossibilidade material de haver no espaço seres que escapem aos nossos sentidos? Teremos, porventura, a ridícula pretensão de saber tudo, e de dizer que Deus nada mais nos pode revelar?” [1]
Um ferimento não tratado é foco de infecções no corpo. De forma análoga, pensamentos, palavras ou atitudes incompatíveis com o Bem de nosso semelhante são compartilhadas por inteligências com os mesmos propósitos desarmônicos, as quais se juntam a nós para colaborar nesses maus projetos. Independente de crença ou de possuir-se ou não mediunidade ostensiva, tais inteligências vivem tanto no plano de matéria densa como no plano de matéria quintessenciada.


Vejamos um exemplo, relatado em “O Livro dos Médiuns”, obra lançada em 15 de janeiro de 1861 e que completou 150 anos há poucos dias. Em pequena localidade, duas irmãs, as quais nunca haviam ouvido falar em Espiritismo, tinham suas roupas depredadas e espalhadas pela casa e até pelos telhados, ainda que tivessem sido guardadas à chave. Muito tempo após o início dessas ocorrências, elas tiveram a indicação de procurar Kardec. O Codificador recebeu, do Plano Espiritual, a seguinte mensagem a respeito dos eventos:


“O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos Espíritos seus protetores que não as abandonem. Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para praticarem o amor do próximo e a caridade. Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua; pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o Espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo descobrirão quem ele é.
Entretanto, se, conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau Espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeito de atos repreensíveis, ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição.” [2]
Kardec, ponderando o teor da mensagem acima, entende ser dura demais para transmitir às irmãs da forma como fora recebida. Os Espíritos orientaram-no com a seguinte resposta:


“Devo dizer o que digo e como digo, porque as pessoas de quem se trata têm o hábito de supor que nenhum mal fazem com a língua, quando o fazem muitíssimo. Por isso, preciso é ferir-lhes o Espírito, de maneira que lhes sirva de advertência séria.” [2]
Das lições acima apresentadas pelo Plano Espiritual, podemos chegar às seguintes conclusões:

Uma enfermidade moral, no caso a maledicência, se tornou um “foco infeccioso” para a ação de um Espírito temporariamente focado na má vibração da vingança;
Se, ao perceber a adversidade, as irmãs tivessem mudado de atitude para ações em prol do Bem, igualmente permitiriam a companhia de Espíritos com esse foco. Ações, palavras e pensamentos voltados ao Bem do próximo vibram em frequência superior àqueles voltados aos interesses personalistas e materialistas. Devido a frequências superiores possuírem maior energia do que as frequências inferiores, a presença de Bons Espíritos impediria a ação da entidade vingativa;
Não adianta chamarmos “caça-fantasmas”, exorcistas ou executar quaisquer rituais externos. Seria análogo a afastarmos moscas e larvas de uma ferida, sem a desinfetarmos e medicarmos: a lesão só fará piorar. Repelimos más influências externas com efetividade quando modificamos internamente nossa atitude espiritual;
Jamais saiamos por aí acusando quem quer que seja de estar em qualquer sofrimento moral porque é uma pessoa má e está cheia de maus Espíritos à sua volta. Toda a mensagem do Evangelho se destina à busca de nossa reforma íntima, e não para sairmos à caça de imperfeições alheias. Lembremos o sábio conselho de Jesus em Lucas 06:37:
“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.”
Ponderemos, como Kardec, o teor de qualquer conselho que pensemos levar a alguém, seja mediúnico ou anímico. Cuidado para não utilizarmos uma comunicação agressiva e devastadora, disfarçada de sinceridade. Ponderemos o prudente conselho de André Luiz:
“Se você acredita que franqueza rude pode ajudar a alguém, observe o que ocorre com a planta a que você atire água fervente.” [3]

Referências
[1] KARDEC, Allan. “O Que É o Espiritismo”. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2009. Capítulo I, segundo diálogo — O cético.
[2] KARDEC, Allan. "O Livro dos Médiuns". 55ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1987. Segunda parte, capítulo XXIII, item 252.
[3] XAVIER, Francisco Cândido. “Respostas da Vida”. Pelo Espírito André Luiz. 30.ed. São Paulo, SP: Grupo de Ideal Espírita André Luiz, 2009. Capítulo 16.

A Influência de “Maus” Espíritos






A Influência de “Maus” Espíritos


“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”(Carta de Paulo aos Romanos 12:21)
Para analisarmos se há meios de neutralizar a influência de “maus” Espíritos, devemos compreender a que se refere quando tachamos um Espírito de “mau”. De posse desse entendimento, podemos estabelecer as medidas de modificação interna para evitar más influências. Não busquemos fora de nós, em “culpados” externos, as causas e os remédios para nossos desafios. O caminho está em efetuar nossa evolução moral, seja para resolver o que podemos, seja para confiar em Deus e nos resignarmos ao que presentemente se encontre fora de nosso alcance.

Através das respostas a diversas questões de “O Livro dos Espíritos” [1], concluímos que ninguém inicia sua existência intrinsecamente bom ou mau (questão 115); que ninguém retrograda (questão 118); que ninguém é fadado ao mal — pelo contrário, todos os seres são destinados a evoluir, ao bem, mesmo que isso leve inúmeros séculos para se concretizar (questões 116 e 125), e que são os próprios Espíritos que se melhoram (questão 114). Possuímos um guia de procedimento no bem em nossa consciência (questão 621), a qual podemos, voluntária e temporariamente, “entorpecer”, mas que torna a nos aconselhar quando nos dispusermos a ouvi-la [2].

Lembramos que, em “O Livro dos Espíritos”, entre os itens 96 e 113, Allan Kardec apresenta uma escala didática das ordens de Espíritos, parametrizada pelas conquistas morais e intelectuais dos seres. Entendamos, porém, que se trata de uma referência didática, e não de um instrumento para rotular pessoa alguma. Não cometamos o erro de “pendurar um cartaz no pescoço” de qualquer ser, tachando-o de “Espírito leviano” (item 103 da obra citada) porque, em nosso entender, apresentou uma atitude irrefletida; ou rotulando-o como “Espírito de sabedoria” (item 110 do mesmo livro) ao ver nele uma boa ação. Todos nós somos Espíritos em processo de aperfeiçoamento; estamos sujeitos a alternar atitudes bondosas e elevadas com atitudes menos felizes, e não gostaríamos de ser rotulados de “maus” Espíritos por momentos pontuais infelizes de nossa história. Espíritos sábios não precisam de elogios; e os que nos pareçam ainda não comprometidos com o bem (não dispomos de elementos suficientes para julgar ninguém), não precisam de um rótulo, precisam de orientação, paciência e preces para ouvirem as boas inspirações que sempre recebem, como todo filho de Deus que todos somos.


Portanto, há Espíritos que temporariamente escolheram abster-se de praticar o bem; não há “senhores das trevas”, destinados ao mal desde sua criação e destinados ao mal eterno. O que pode haver são oponentes, Espíritos com os quais, ao longo de nossas vidas, criaram-se animosidades, as quais cumpre a nós fazer nossa parte para sanar, pelo exemplo na prática do bem, não somente e diretamente a esses oponentes, mas a todos que estiverem ao nosso alcance. É da palavra semítica šṭn, significando adversário ou acusador, que advêm os termos shatán, do hebraico, traduzido como aquele que acusa, inclusive em termos jurídicos, num tribunal; shaytán, do árabe, o qual tem os significados de adversário ou acusador, bem como de serpente; e diábolos, do grego, procedente do verbo dia-ballö, possuindo um significado semelhante de oposição ou confronto.

Esse entendimento é importante para não encararmos uma influência negativa como um inimigo, mas como uma emanação de um Espírito necessitado de esclarecimento e de aceitar oportunidades de evolução moral. Influenciamos e somos influenciados, o tempo todo, pelos pensamentos, palavras e ações nossos e alheios. Neste sentido é que todos somos médiuns.

Allan Kardec propôs à questão 469 de “O Livro dos Espíritos”, por que meios podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos, respondida pelos Espíritos da Falange do Consolador prometido por Jesus com as seguintes palavras: “Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. Desconfiai especialmente dos que vos exaltam o orgulho, pois que esses vos assaltam pelo lado fraco. Essa a razão por que Jesus, na oração dominical, vos ensinou a dizer: ‘Senhor! não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.’”

Jamais ficamos desamparados pelos Espíritos que trabalham pelo nosso bem. Pela manutenção de um foco elevado em nossos pensamentos, especialmente pela prece, sempre recebemos seu auxílio. A esse respeito, Kardec pondera [3]: “Se os Espíritos inspiram de maneira oculta, é para deixar ao homem o livre-arbítrio e a responsabilidade de seus atos. Se receber inspiração de um Espírito mau, pode estar certo de receber, ao mesmo tempo, a de um bom, pois Deus jamais deixa o homem sem defesa contra as más sugestões. Cabe a ele pesar e decidir conforme a sua consciência.”

Assim, o recurso que temos à nossa disposição para neutralizar essa influência é a prática da caridade, em todas as suas facetas, seja material, seja moral; manter os pensamentos voltados para o bem em qualquer situação; e por fim, confiando em Deus, que nos protege de tantas outras influências e acontecimentos dos quais nem temos a menor noção.

Mais uma vez, o autoconhecimento, exposto à questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, é necessário. Expliquemos: os Espíritos inferiores, em nos influenciando, desejam estimular as imperfeições que ainda possuímos. Se temos conhecimento de nossas imperfeições e estamos empenhados em combatê-las, será mais difícil sucumbirmos a essas influenciações.
Referências:

[1] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Questões 96 a 112, 114 a 116, 118, 125, 469, 621 e 919.
[2] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 97ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Capítulo XIII, item 10.
[3] KARDEC, Allan. “Revista Espírita de março de 1864”. São Paulo, SP: IDE, 1993. “Uma Rainha Médium”.

O Céu e o inferno




O Céu e o inferno


“O Reino de Deus não vem com aparência visível. Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! porque o reino de Deus está dentro de vós.” (Lucas 17:20-21)

Céu
Allan Kardec, em sua obra “O Céu e o Inferno” [1], explica que o termo céu vem do grego coilos, passando para o latim cœlum, ambas as palavras significando “côncavo”. Na Antiguidade, cria-se que o Universo girava em esferas com a Terra em seu centro, sendo cada esfera vista de nosso Planeta como um côncavo. Nosso entendimento sobre a posição da Terra frente ao Universo muito já se modificou; amadureçamos, também, nossa visão de mundo sobre o que sejam céu e inferno.

Paraíso
A metáfora de o céu ser um local do Universo destinado aos escolhidos por Deus tem frequente associação ao termo paraíso. Em sua origem, porém, tanto o termo céu como paraíso não significavam isso. O pesquisador Carlos Torres Pastorino [2] pondera, a respeito da palavra paraíso:
“A palavra PARAÍSO, transcrição do persa pairi-daêza, é encontrada várias vezes no Antigo Testamento, com o sentido de ‘jardim plantado’, de ‘bosque’ ou ‘pomar’ amenos, mas sempre no solo da Terra, e não flutuando entre as nuvens. (...) Em outros passos no Antigo Testamento encontramos o termo parádeisos como local físico de deleite ameno: (...) “Os teus renovos são um pomar [parádeisos] de romãs, com frutos preciosos (...)” (Cânticos 04:13)
Percebemos, nessa passagem de Cânticos, a associação entre os frutos do trabalho de uma pessoa (seus renovos) e uma ambiência harmônica à sua volta, a começar em seu mundo interior.

Felicidade
“Estar no Céu” é, portanto, um estado de harmonia espiritual, sempre condicionado ao Bem que praticarmos, independente de nossa localização. Essa é a aplicação prática do ensino constante do Salmo 62 e depois corroborado por Jesus:
“A cada um segundo as suas obras.” (Salmos 62:12; Mateus 16:27)
A respeito da relação entre felicidade, prática constante do Bem e evolução, Kardec pondera:
“A felicidade está na razão direta do progresso realizado (...). Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem-na eles em toda parte em que se encontram, seja à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no Espaço. (...) A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa (...). A vida espiritual em todos os seus graus é, ao contrário, uma constante atividade, mas atividade isenta de fadigas.” [3]

Onde está o Céu?
O Codificador da Doutrina Espírita conclui a respeito dessa questão:
“Em toda parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam. (...) Comparados à Terra, esses mundos são verdadeiros paraísos (...). Sendo a Terra um mundo inferior destinado à purificação dos Espíritos imperfeitos, está nisso a razão do mal que aí predomina, até que praza a Deus fazer dela morada de Espíritos mais adiantados.” [4]
À medida que evoluímos moral e intelectualmente, trabalhamos para conquistar o acesso a mundos mais adiantados, nos quais novas e superiores lições nos aguardam. Não obstante, o Céu é um estado de harmonia íntima: onde quer que estejamos, com nossa consciência tranquila pela prática de todo o Bem ao nosso semelhante que estiver ao nosso alcance, bem como buscando a sintonia com a Espiritualidade Superior pela prece, sempre estaremos num paraíso, ou seja, nosso ambiente espiritual estará tranquilo como um jardim ameno.
A respeito dos diferentes graus evolutivos de mundos, aconselhamos a leitura de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no seu capítulo III (“Há muitas moradas na casa de meu Pai”), itens 03 a 05 (“Diferentes categorias de mundos habitados”). [5]

O “mundo inferior”
A expressão acima vem do latim infernum, também significando “profundezas”. A elevação de pensamento proporcionada pelo Bem se inicia no Espírito. De forma análoga, o rebaixamento vibratório pela ausência da prática do Bem é um estado de desarmonia no mundo interior, refletindo, também, no ambiente em que a pessoa se localiza, por afinidade com outros Espíritos em condição similar de pensamento, palavras e atos.

Causa e efeito
Na Antiguidade, não havia uma noção clara sobre a existência de um mundo espiritual; só se entendia o que fosse do mundo físico, e, assim, também físicas deveriam ser as consequências de quaisquer atos nossos. Na análise de Allan Kardec, lemos:
“Desde todas as épocas o homem acreditou, por intuição, que a vida futura seria feliz ou infeliz, conforme o bem ou o mal praticado neste mundo. (...) o homem primitivo naturalmente moldou o seu futuro pelo presente (...). Não estando ainda desenvolvido o sentido que mais tarde o levaria a compreender o mundo espiritual, não podia conceber senão penas materiais; e assim, com pequenas diferenças de forma, os infernos de todas as religiões se assemelham.” [6]
Nossa visão de mundo evoluiu; já nos é possível compreender a transcendência da vida. Tratemos, então, de também evoluir nossa visão de mundo acerca da lei de causa e efeito. Eliminando a causa de dores morais, ou seja, buscando constantemente a prática da Lei Divina e nos mantendo em paz com a consciência, local onde encontra-se inscrita a Lei de Deus (“O Livro dos Espíritos”, questão 621), eliminam-se, também, as causas de quaisquer sofrimentos, incluindo as dores físicas, as quais cessarão quando não mais precisarmos desses alertas para nossa retificação moral.

Inferno e medo
A figura de um local do Universo destinado a abrigar os que “ofenderam a Deus”, bem como a existência de um ou mais seres com poder para se opor a Deus e “roubar-lhe” almas, são ideias contrárias à do Criador infinitamente justo, inteligente e bom. Toda a Sua criação, tanto o espaço como os Espíritos, estão em constante evolução. Apesar disso, essas imagens têm sido, há muito tempo, utilizadas também como instrumentos para incutir medo e obter controle sobre as pessoas. Isso não é eficaz, não é caridoso e é desnecessário; não necessitamos de instrumentos de opressão para nos impelir à evolução. Esse tipo de recurso tem relação com a Humanidade primitiva, como analisa Kardec:

“(...) o homem é comumente mais sensível ao mal que ao bem; este lhe parece natural, ao passo que aquele mais o afeta. Nem por outra razão se explica, nos cultos primitivos, as cerimônias sempre mais numerosas em honra ao poder maléfico: o temor suplanta o reconhecimento.” [7]Eis um desafio importante à nossa Humanidade atual, vivendo em um planeta em transição para mundo de Espíritos regenerados. Em vez de buscarmos o Bem, ainda precisamos temer o mal para contermos e eliminarmos nossas más tendências? Está na hora de o reconhecimento e busca pela prática do Bem ser-nos muito mais relevante do que o temor do mal.
O uso de figuras diabólicas como instrumento de controle pelo medo é ilustrado por André Luiz, no livro “Ação e Reação” [8], relatando a situação de uma mulher atormentada com a figura de um “demônio”, divulgada em livro do século XIX com a concordância de autoridades religiosas. Além de ser uma publicação não caridosa, esses tipos de imagem são utilizados por Espíritos temporariamente focados no mal, os quais podem modificar seu perispírito, seu corpo de matéria sutil, modelável pelo pensamento, e assumir essas formas assustadoras, implicando sofrimentos como o relatado nessa obra.
Devemos, também, ponderar que a ameaça do inferno não é eficaz para todos os encarnados. Esse recurso é especialmente inútil para os materialistas e para os mais intensamente ligados ao mal. Podemos concluir isso através do depoimento, trazido por via mediúnica, de Jacques Latour, um criminoso condenado à morte, a qual não temia por crer que, quando morresse, tudo acabaria, inclusive qualquer cobrança por seus erros — o que se verificou totalmente diferente de suas expectativas, pois a vida continua. Nas palavras de Jacques Latour:

“(...) Ora; um grande malfeitor não é um Espírito pusilânime, e o temor de um polícia é para ele mais real que a descrição dos tormentos do inferno. (...) Como insinuar (...) que uma alma, isto é, uma coisa imaterial, possa sofrer ao contato do fogo material? (...) por isso tantos e tantos criminosos se riem desses painéis fantásticos do inferno. O mesmo, porém, não se dá quanto à dor moral do condenado, após a morte física. Orai para que o desespero não se aposse de mim.” [9]
Do medo para a caridade
A Doutrina Espírita é o Consolador prometido por Jesus. Consolar é a união de dois termos do latim: cum + solis, ou seja, com + sol. O Sol é nossa referência de energia vital e calor; daí a expressão consolar ter o significado de levar iluminação e vitalidade às almas.
Cuidemos para nós, espíritas, não fazermos a mesma abordagem de medo das crenças primitivas, detalhando quadros terríveis de locais como o “vale dos suicidas” ou de obsessores implacáveis! Cada pessoa é uma história em particular; não há “tabela” no planejamento das vidas dos Espíritos, determinando que tais atos implicarão tanto tempo em determinado lugar; isso é abordagem coerente com as crenças primitivas do inferno, nas quais todos pagam da mesma forma, seja por que erro e em que contexto tenha ocorrido. Não mais necessitamos orientar pelo medo do mal, mas sim compartilhando o pouco que sabemos sobre a infinita evolução no Bem que aguarda a todos.

Sofrimentos “eternos”
Uma ideia comumente associada ao mito primitivo de inferno é o dos sofrimentos sem fim; a imagem de queimar “para sempre” num fogo que nunca apaga. Analisemos as palavras de Jesus:

“Se a tua mão te servir de pedra de tropeço [skándalon], corta-a; melhor é entrares na vida aleijado do que, tendo as duas mãos, ires para ageena, para o fogo inextinguível.” (Marcos 09:43)Essa passagem evangélica traz importantes lições sobre a vida ser um processo, o qual demanda evolução constante, e não um projeto com início em nossa concepção, seguido de algumas décadas de existência e findo com a morte do corpo físico. O estado atual de nossa existência decorre do que fizemos com nossos recursos anteriormente. Se fizemos mau uso de um dos tantos presentes de Deus, não só recursos físicos como a mão, mas recursos espirituais como a inteligência, e se optamos por não aprender pelo amor, ou seja, pela prática do Bem, aprenderemos pela dor, ou seja, privados de algum recurso por algum tempo, para meditarmos sobre a falta que ele nos fez e buscarmos conquistar novamente o direito de dispor do mesmo.
A respeito da questão de penas “eternas”, como o “fogo inextinguível”, sugerimos a leitura da postagem “Penas ‘Eternas’”, neste Blog, contendo diversas citações da Codificação Espírita relativamente a esse tema. Por ora, atenhamo-nos à questão do fogo, a geena citada por Jesus.
O termo geena deriva da expressão hebraica Geh Ben Hinnóm, ou “Vale dos filhos de Hinom”, citada, por exemplo, no segundo livro de Reis. Trata-se de um vale, localizado junto à cidade de Jerusalém. Antes de os hebreus lá residirem, este vale era utilizado para rituais ao deus pagão Moloch, os quais consistiam em sacrifícios humanos utilizando fogo. O povo judeu utilizou este vale para incinerar o lixo da cidade de Jerusalém, bem como para queimar os corpos de indigentes e condenados à morte. Esse vale foi, portanto, um lugar por muito tempo associado ao fogo e a queimar criminosos. Por isso Jesus referiu a geena como um lugar de sofrimento. Vemos, à figura abaixo, como é a geena atualmente. Se a geena evoluiu, também nós evoluamos nossa visão sobre ela, bem como nosso entendimento de mundo.



Uma vez que eterno significa, em seu sentido original, algo de duração desconhecida ou entendida como muito grande, nós é que determinamos o tempo em que permaneceremos em algum sofrimento: quando abrirmos mão do orgulho e do egoísmo, dando lugar à humildade e ao altruísmo, nossas dores morais se abrandarão, com reflexos positivos em todos os aspectos de nossas vidas.
Não nos percamos em questões semânticas. Um dos princípios da Doutrina Espírita é o de que Deus é eterno, e, para Ele, utilizamos o sentido mais recente da palavra; ou seja, Deus não teve início nem terá fim. De forma coerente com o outro princípio doutrinário, qual seja, o de Deus ser a suprema justiça, inteligência e bondade, é lógico, para a questão de penas e sofrimentos, utilizarmos o sentido original de eterno, qual seja, o de uma duração desconhecida. Lembremos de trecho da resposta à questão 28 de “O Livro dos Espíritos”:

“Compete-vos a vós formular a vossa linguagem de maneira a vos entenderdes. As vossas controvérsias provêm, quase sempre, de não vos entenderdes acerca dos termos que empregais, por ser incompleta a vossa linguagem para exprimir o que não vos fere os sentidos.”
Agrupamentos por afinidades
Céu e inferno são, antes de tudo, estados de Espírito. Mesmo assim, há locais onde se agrupam Espíritos de acordo com suas afinidades. Há, portanto, cidades e mundos onde vivem Espíritos harmonizados, bem como locais onde temporariamente se agregam seres em sofrimento moral e físico. Isso não implica que esses últimos locais servirão “para sempre” como “infernos” ou “purgatórios”; tudo evolui; o mal é temporário e o Bem é definitivo.
Analisemos um diálogo entre Clarêncio e André Luiz [11] a esse respeito:

“– Orgulho, vaidade, tirania, egoísmo, preguiça e crueldade são vícios da mente, gerando perturbações e doenças em seus instrumentos de expressão.
– É por isso que temos os vales purgatoriais, depois do túmulo... a morte não é redenção...
– Nunca foi (...). O pássaro doente não se retira da condição de enfermo, tão só porque se lhe arrebente a gaiola. O inferno é uma criação de almas desequilibradas que se ajuntam, assim como o charco é uma coleção de núcleos lodacentos, que se congregam uns aos outros.”
Purgatório
André Luiz, em sua reflexão, cita os “vales purgatoriais”. Como a Doutrina Espírita analisa a figura do purgatório? Estudemos as palavras de Kardec:

“Em cada existência, uma ocasião se depara à alma para dar um passo avante; de sua vontade depende a maior ou menor extensão desse passo: franquear muitos degraus ou ficar no mesmo ponto. (...) É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições, que se purga, em uma palavra, até que esteja bastante pura para deixar os mundos de expiação como a Terra, onde os homens expiam o passado e o presente, em proveito do futuro.” [12]
Preparo na Luz para superar as sombras
Ninguém jamais está desamparado. Mesmo os Espíritos em situação moral mais degradada continuam a ser filhos do mesmo Deus, amados por Ele, o qual criou a todos fadados à evolução no caminho da perfeição. Sendo assim, mesmo nos lugares onde temporariamente convivem os sentimentos e pensamentos mais deprimentes, há Espíritos focados no Bem, auxiliando a todos que se cansem do mal, pois o mal se consome por si mesmo.
Nos locais onde as sombras são mais densas, mais preparados na Luz são os Espíritos que atuam em missões de consolação e amparo. Na obra “No Mundo Maior”, André Luiz exprime sua vontade de acessar abismos purgatoriais para relatar o que observaria em seus livros. A diretora dos trabalhos, Cipriana, orienta:

“(...) a sugestão (...) é valiosa, em se tratando de observações preliminares no Baixo Umbral. Como responsável, porém, pelos serviços diretos da expedição, não posso admiti-lo, por enquanto, em todas as particularidades. (...) Nosso estimado André não tem o curso de assistência aos sofredores nas sombras espessas.” [13]Onde houver dores morais mais intensas, tanto mais preparados no Bem são os Espíritos atuando na assistência àqueles irmãos em Deus. Podemos fazer uma analogia com um centro médico de alta complexidade, no qual enfermidades graves são objeto de atenção de equipes altamente preparadas.
Preparemo-nos, também nós, na prática do Bem, buscando orientação para bem praticá-lo através da prece, visando a auxiliar a nós mesmos e ao nosso semelhante, erigindo o Céu em nós, em nosso ambiente e em nosso mundo.



Referências:
[1] KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1991. Primeira parte, capítulo III (“O céu”), item 01.
[2] PASTORINO, Carlos Torres. “Sabedoria do Evangelho”. Rio de Janeiro, RJ: Sabedoria, 1964. Volume 8, capítulo “Zombarias”.
[3] KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1991. Primeira parte, capítulo III (“O céu”), itens 06 e 12.
[4] Ibidem. Itens 11 e 18.
[5] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 97.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Capítulo III (“Há muitas moradas na casa de meu Pai”), itens 03 a 05 (“Diferentes categorias de mundos habitados”).
[6] KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1991. Primeira parte, capítulo IV (“O inferno”), itens 01 e 02;
[7] Ibidem. Capítulo IX (“Os demônios”), item 3;
[8] XAVIER, Francisco Cândido. “Ação e Reação”. Pelo Espírito André Luiz. 28.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2007. Capítulo 04.
[9] KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1991. Segunda parte, capítulo VI (“Criminosos arrependidos”), depoimentos de Jacques Latour, itens I e III.
[10] Wikipédia. Palavra Geena. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Geena. Acesso em 06/out/2011.
[11] XAVIER, Francisco Cândido. “Entre a Terra e o Céu”. Pelo Espírito André Luiz. 17.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1997. Capítulo XXI.
[12] KARDEC, Allan. “O Céu e o Inferno”. 37.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1991. Primeira parte, capítulo V (“O purgatório”), item 4.
[13] XAVIER, Francisco Cândido. “No Mundo Maior”. Pelo Espírito André Luiz. 20ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. Capítulo 17.

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